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Box 30

Depois da esfiha, dono do Habib´s quer ser rei da coxinha e da mandioca

Nova rede voltada à classe C aposta em salgados de R$ 0,39. Alberto Saraiva já pensa em lançar ações na bolsa de valores

Dono da maior rede de comida árabe do país, com uma venda média de 50 milhões de esfihas por mês, o português Alberto Saraiva quer agora ser o rei da coxinha, da mandioca e até do bolinho de bacalhau. O fundador e dono do Habib’s fecha 2010 com metas ambiciosas de expansão dos negócios e dos cardápios. Sua nova aposta é uma cadeia de lojas pequenas para vender salgados no balcão e por meio de entregas, a Box 30.

Mais uma vez a estratégia é oferecer produtos a preços baixos com promoções capazes de assustar qualquer quituteiro de salgadinhos para festas. Para atrair os clientes e acelerar rapidamente os volumes, o Box 30 dá salgados em dobro para quem comprar acima de 30 unidades de até três itens do cardápio. "Não é promoção, é pra sempre", garante o proprietário.

A primeira unidade do novo modelo de negócio foi aberta na entrada do Shopping São Judas, na Zona Sul da capital paulista, e está em fase de testes desde novembro. A loja oferece mais de 20 tipos de salgados, desde coxinhas e bolinhos recheados a empadas e bruschettas - tudo menos esfiha e quibes, para evitar a concorrência com o Habib’s. Não há salgados em vitrine. Tudo é frito ou assados na hora. Os preços variam de R$ 1 a R$ 2,50 em média.

A ideia da nova rede surgiu em junho, durante uma viagem que Saraiva fez a Miami, nos EUA. "Conheci uma rede de sorveterias que tem 1.350 lojas, com faturamento médio de US$ 30 mil a US$ 40 mil por mês. Aí me despertou a idéia de que, em vez de ter 300 ou 400 lojas grandes como o Habib’s, eu posso ter mil lojas faturando um valor menor, mas com lucro", afirma.

O foco mais uma vez é a classe C. "Como as lojas não precisam de muito espaço, vamos poder atuar em quiosques, pequenos centros comerciais, praças de alimentação, rodoviárias e até postos de gasolina", afirma o empresário.Saraiva pretende montar cinco lojas Box 30 em São Paulo já no primeiro semestre de 2011, incluindo uma só de drive-thru. Em seguida, quer lançar as primeiras franquias. Diferentemente de uma loja Habib’s, que custa entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,5 milhão, a unidade do Box 30 deve sair entre R$ 250 mil e R$ 300 mil. E o faturamento mensal estimado é entre R$ 120 mil e R$ 150 mil. “Eu fiz o projeto de trás pra frente. Pensei: vou montar mil lojas menores, de 20 a 80 metros quadrados e precisa custar pouco para atrair investidores para as franquias", afirma.

Salgado a R$ 0,39

No primeiro mês de operação da loja experimental, a coxinha vendida a R$ 1,30 foi o carro-chefe, atingindo uma venda de até 700 unidades por dia. Em 2º lugar aparece o sorvete, vendido com opções de recheios e preparado na frente do cliente em cima de uma pedra refrigerada. Mas a grande aposta de Saraiva é o mandiobox, um bolinho frito feito com mandioca, parmesão e queijo fresco, que entrou no cardápio na última semana ao preço de R$ 0,39.

"Eu queria um produto que não tivesse no mercado e que eu pudesse vender por menos de R$ 0,50", conta Saraiva. "Começamos a testar uns 30 itens até que apareceu a mandioca que é um produto que todo mundo gosta e que permitiu esse preço".Saraiva, que começou no ramo ao assumir a padaria da família quando o pais faleceu após um assalto, faz questão de sempre participar do processo de desenvolvimento das receitas. "Tenho uma equipe, mas sou cozinheiro e gosto de participar de todo o processo. Levamos 15 dias para acertar o ponto da coxinha, que estourava quando fritava", recorda.

Ele conta que primeiro pensaram que era algum problema na massa, depois pensaram que era no frango, até que descobriram que o plástico de proteção é que fazia a coxinha transpirar. "A água ia para a coxinha e ela explodia toda. Não tínhamos esse know-how", diverte-se.

A coxinha entrou no cardápio da rede pelo Ragazzo, rede de fast-food de comida italiana criada em 2006. Hoje, cada loja chega a vender uma média de 500 mil cozinhas por mês, segundo Saraiva, que já se considera o rei da coxinha no país. "Ninguém vende a quantidade que nós vendemos. Mas queremos ser o rei de qualquer produto salgado", afirma.Mas o que sustenta mesmo a fórmula de preços baixos é o controle dos gastos e o modelo de verticalização adotado em todas as empresas do grupo. Para eliminar etapas e perda de margem e, ao mesmo tempo, ganhar agilidade, o grupo é quem produz a maioria de suas matérias-primas. "Quando eu ponho parmesão e queijo fresco no mandiobox, eu uso produtos laticínios fabricados por nós mesmo", explica Saraiva.

O braço industrial da companhia conta com uma produtora de queijos, uma fabricante de sorvetes e uma fornecedora de pães. Toda esta estrutura nasceu para atender o Habib´s, o Ragazzo, rede de fast-food de comida italiana criada em 2006, e agora o Box 30, que pelos planos de Saraiva poderá daqui alguns anos ultrapassar em unidades a rede Habib’s.

"Vamos usar a mesma estrutura de produção e distribuição. Para o Box, como as lojas não terão espaço para estoques, estamos planejando um sistema de abastecimento com caminhões frigoríferos circulando diariamente no perímetro de um determinado número de lojas", afirma. "O plano é abrir mil lojas em 10 anos".

Rei do bacalhau

Quando não é possível produzir toda a matéria-prima, a estratégia do grupo é ousar nas compras e fornecedores. Para introduzir o bolinho de bacalhau na rede, com lançamento previsto para fevereiro, o grupo decidiu, antes de mais nada, garantir o fornecedor de bacalhau para o ano. Para isso, foi até Portugal e fechou de uma vez só a compra de 400 toneladas de bacalhau, que virá para o Brasil num total de 36 contêineres.

"Com essa compra já somos o 3º maior importador de bacalhau do país", orgulha-se Saraiva. Por enquanto, a estratégia é oferecer o bolinho de bacalhau só no Habib's. A rede possui hoje cerca de 350 lojas em 91 cidades do Brasil, empregando um total de 18 mil funcionários. Em 2010, o grupo está comemorando o recorde de abertura de novas lojas (42) e de venda de esfihas no ano: 650 milhões. Vinte e dois anos após fundar e consolidar o Habib´s como a segunda maior rede de fast-food do Brasil em faturamento, Saraiva já faz planos para lançar ações na bolsa de valores.

"Pretendemos lançar uma oferta pública de ações daqui 2 ou 3 anos", revela. "Nossa empresa nasceu de uma lojinha, é uma empresa familiar que cresceu de forma muito rápida e agora precisa de um tempo de maturação para se preparar para receber sócios e investidores. Mas na minha cabeça já está autorizado".

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