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Crise faz empresas pisarem no freio em pesquisa e inovação

Com menor disposição para investir em novos produtos e processos, empresários perdem a chance de alavancar crescimento em tempos bicudos

Valdinei Saugo e Vilmar Duarte , da Incorporato, desenvolvem sistemas para economia de energia. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Valdinei Saugo e Vilmar Duarte , da Incorporato, desenvolvem sistemas para economia de energia. Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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A reação é quase automática: diante do aumento generalizado de custos de produção e da queda nas vendas, os cortes no orçamento das empresas serão justamente nas áreas em que os recursos aplicados são vistos como despesas e não investimento. Enquanto a pesquisa e o desenvolvimento não geram resultados, a inovação é que paga a conta.

INFOGRÁFICO: Registros de patentes caem e empresários reduzem intenção de inovar

Dados do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) revelam que o número de depósito de patentes caiu 8,5% entre 2013 e 2014, quando considerados os pedidos feitos por residentes no Brasil. De maneira geral, a quantidade de novas patentes depositadas caiu 2,83% no período. Considerado um dos índices mais relevantes para a avaliação da inovação no país, a queda preocupa especialistas que acompanham o setor. “A decisão é desafiadora, pois o reflexo do corte é imediato, mas a consequência é no médio e longo prazo. Sem inovação, a empresa não melhora sua produtividade e resultados, pois não tem como diferenciar-se no mercado”, aponta o gerente do Centro de Inovação do Senai, Filipe Cassapo.

Quando optam por abrir mão de buscar novos processos ou lançar produtos, os gestores sucumbem ao reflexo negativo da economia em retração. A inovação é reduzida por causa da crise, quando é por ela que deveria ser estimulada como estratégia de competitividade. “São esses os momentos em que a ousadia e o pioneirismo são importantes. A inovação é a chave para debelar a crise”, lembra o professor Dálcio Roberto dos Reis, titular do doutorado em Administração da Universidade Positivo.

O pouco apetite para inovar também aparece na Sondagem da Inovação, realizada a cada trimestre desde 2010 pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Pesquisa realizada em 400 empresas mostra que menos da metade (47,8%) apresentou um novo produto ou processo no quarto trimestre de 2014, praticamente o mesmo resultado do período anterior.

A disposição para virar o jogo também estava baixa antes de encerrar 2014: 54% declararam apostar em inovações no terceiro trimestre e chegando a 57,4% no último período, com planos de inovação para o início de 2015, revertendo a tendência negativa.

“Mesmo que o resultado efetivo seja menor do que a intenção no período seguinte, a taxa mostra alguma disposição para inovar. Por mais que a conjuntura adie os projetos, cedo ou tarde eles acabam realizados”, observa a diretora de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da ABDI, Maria Luisa Campos Machado Leal.

Esforços

O desafio está em não deixar para muito mais tarde. O ajuste fiscal aplicado pelo governo federal prevê cortes em áreas sensíveis à inovação e o desempenho da Petrobras, responsável por 20% da geração de novas patentes no país, imersa em denúncias de corrupção e desvio de recursos, são aspectos sombrios do cenário no curto prazo.

Falta ainda aumentar esforços para reduzir a burocracia e facilitar o acesso ao crédito. Mas nem tudo está nas mãos do poder público. “É preciso mudar a cultura das empresas, algumas acomodadas e conservadoras, para a importância da inovação e essa é uma decisão que deve ser tomada pelos gestores. Ou buscam criar novos produtos, processos e modelos de negócio para expandir ou adotam a postura de acomodação e de retração”, diz Dálcio Reis.

Companhias fazem parcerias estratégicas para buscar resultados

Além de vender sua própria tecnologia a terceiros, as startups podem trabalhar de forma associada a outras empresas para projetos específicos do segmento de negócios. Esse modelo de inovação aberta também permite parcerias com centros de pesquisa e universidades, reduzindo custos e riscos.

A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) apoia iniciativas entre empresas nascentes e líderes de mercado. Em 2014, desenvolveu um projeto com a 3M para identificação e fomento de projetos inovadores. Este ano, as empresas Natura e Samsung também investiram em parcerias semelhantes, de busca e incentivo a empreendimentos afinados com suas áreas de atuação. “Precisamos de iniciativas como essas para consolidar ainda mais esse modelo de desenvolvimento, que integra empresas de diferentes portes, e alavancar a inovação no Brasil”, diz a presidente da entidade, Franciele Procópio Garcia.

Exemplo

Com compromisso público de manter até 3% do faturamento líquido da empresa nos investimentos em inovação, a fabricante de cosméticos Natura chegou a 68% da receita de 2014 proveniente do lançamento de novos produtos. As parcerias abertas, realizadas desde 2003 em diferentes frentes – em associações com centros de pesquisas, pequenas empresas e programas com públicos interno e externo –, já respondem por mais da metade dos investimentos da empresa na área. “A campanha do Dia das Mães deste ano foi inspirada em um resultado do projeto Co-Criando Natura do ano passado, que envolve funcionários, vendedores e clientes”, explica a gerente de controle de redes de inovação, Luciana Hashiba.

Com o apoio da Anprotec, a empresa agora busca parceiros em empreendedores nascentes para desenvolvimento de diferentes tecnologias que respondam ao negócio da indústria. “A inovação aberta faz parte da estratégia da Natura. Isso garante lançamentos mais rápidos e maior agilidade no mercado”, diz. Entre 2012 e 2014, o número de novos produtos pulou de 104 para 239. No ano passado, a empresa investiu R$ 216 milhões em inovação. (APF)

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2015/05/05/Economia/Graficos/Futuro/queda inovacao.pdf

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