Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Empreender

Fechar
PUBLICIDADE

Negócios de impacto social

Tecnologia assistiva brasileira ganha mercado e muda a vida das pessoas

Três produtos de empresas assistidas pela acelerado Artemisia demonstram o potencial desse tipo de negócio, na economia e na sociedade

  • MBM, Estadão Conteúdo
Tecnologia assistiva brasileira ganha mercado e muda a vida das pessoas. Na foto, a mesa digital chamada Playtable, a primeira mesa com jogos educativos e que ajuda na formação de crianças com Síndrome de Down ou doenças do Espectro do Autismo. | Reprodução/Playmove
Tecnologia assistiva brasileira ganha mercado e muda a vida das pessoas. Na foto, a mesa digital chamada Playtable, a primeira mesa com jogos educativos e que ajuda na formação de crianças com Síndrome de Down ou doenças do Espectro do Autismo. Reprodução/Playmove
 
0 0 COMENTE! [0]
TOPO

Crianças com Síndrome de Down ou doenças do Espectro de Autismo estão sendo alfabetizadas por meio da mesa digital chamada Playtable. Portadores de deficiência na fala e dificuldade motora podem se comunicar baixando o aplicativo Livox em tablets.

A população com deficiência auditiva, que no Brasil chega a 9,7 milhões de pessoas, pôde ampliar a interação com o mundo com o surgimento do Hugo, intérprete virtual criado pela Han Talk. A ferramenta é um tradutor mobile e dicionário de bolso que converte automaticamente texto e áudio em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

O que esses produtos têm em comum? Todos foram produzidos por empresas que atuam no segmento de tecnologia assistiva – produtos e serviços que proporcionam e ampliam habilidades de portadores de deficiência –, e criados por empreendedores determinados a promover impacto social.

LEIA MAIS sobre empreendedorismo

Empreendedores desbravam o exterior e fazem dinheiro “lá fora”

Outro ponto em comum, eles foram acelerados pela Artemisia, organização que fomenta negócios com potencial para transformar o país por meio da melhoria da qualidade de vida da população de baixa renda.

Gerente de relações Institucionais da Artemisia, Priscila Martins afirma que as pessoas com deficiência que estão na base da pirâmide são ainda mais desassistidas. “Elas estão impedidas de ter seu desenvolvimento pleno por falta de acesso a produtos e serviços adaptados às suas necessidades. Estão expostas a um circulo vicioso de não prosperidade e desenvolvimento”, afirma.

Dados do IBGE apontam que 24% da população brasileira têm algum tipo de deficiência e representam um mercado potencial de 45,5 milhões de pessoas. No mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a cada sete habitantes do planeta, um vive com algum tipo de deficiência.

Os números demonstram o tamanho de um mercado carente de produtos que proporcionem acessibilidade e inclusão a esse público.

Da vontade de se comunicar com a filha ao negócio de impacto social

O proprietário da Livox, Carlos Pereira, desenvolveu o aplicativo que dá nome à empresa para que ele e Aline, sua mulher, pudessem se comunicar com a filha, Clara, que tem paralisia cerebral. “A comunicação é a necessidade mais básica do ser humano. Segundo a ONU, um milhão de pessoas têm algum tipo de deficiência. Eles formam a maior minoria do planeta e correm maior risco de exclusão”, diz Pereira.

Pela iniciativa, o empresário recebeu, na última quinta-feira (6), o Prêmio Empreendedor Social 2016 na América Latina, concedido pelo Fórum Econômico Mundial.

Pereira conta que a empresa também recebeu chancela da ONU por ter desenvolvido o melhor aplicativo do planeta, além de investimento do Google de US$ 550 mil.

No momento, vive com a família e seu time de engenheiros nos Estados Unidos. “Estamos desenvolvendo tecnologia que vai permitir que a comunicação ocorra 20 vezes mais rápida.” O aplicativo está disponível em 25 idiomas e a empresa se prepara para comercializá-lo em 22 países do mundo árabe.

Para que o produto chegue à população de baixa renda, a Livox mantém parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). “Usuários dos serviços da instituição podem comprar licença vitalícia do aplicativo com desconto de 74%. A licença normal é vendida por R$ 1.350.”

Saúde e bem-estar: conheça cinco ideias do segmento de franquias que mais cresce no Brasil

Para tratar alergia da filha, empresária criou empresa pioneira

O app que funciona como um intérprete de Libras

Mesmo não conhecendo nenhum deficiente auditivo, o fundador da Hand Talk, Rodrigo Tenório, ficou sensibilizado com o fato de 70% dos surdos terem dificuldade de compreender o português e criou o projeto do aplicativo que funciona como um intérprete para Libras.

“O aplicativo gratuito foi lançado em 2013, após um ano de desenvolvimento. Até agora, mais de um milhão de downloads já foram feitos. Em 2014, o MEC comprou 600 mil tablets contendo o aplicativo para serem usados em escolas públicas de todo o país”, conta.

Segundo ele, o modelo de negócio da empresa gira em torno de ações corporativas. “Nosso carro-chefe é o tradutor para sites, tornando-os acessíveis em Libra. Até então, a internet era inacessível para os surdos e as empresas estavam com as portas fechadas para eles. Hoje, temos mais de cinco mil sites usando a ferramenta. Desde pequenos blogs até grandes magazines e instituições como a Pinacoteca do Estado de São Paulo.”

Segundo ele, as empresas pagam assinatura mensal. Os preços variam conforme o volume de acessos. A Hand Talk já ganhou vários prêmios, incluindo um da ONU, de melhor aplicativo social do mundo. “No final de 2016 tive a honra de ser o primeiro brasileiro a receber prêmio da The Health & Life Sciences University (UMIT), como um dos 35 jovens mais inovadores do mundo”, conta.

Negócios que “mudam o mundo” podem chegar a R$ 50 bilhões até 2020

Lúdico e inclusivo

A Playmove, de Marlon Souza, comercializa a PlayTable, mesa digital adaptada para ajudar na alfabetização e sociabilização de crianças com Down e Autismo. Fundada em 2013, encerrou 2016 com 3,5 mil unidades comercializadas.

“Estamos em mais de 800 escolas do País, sendo 60% públicas, também aumentamos presença em clínicas de reabilitação e de psicopedagogos, em unidades da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e da Apae”, diz.

Segundo Souza, a mesa possibilita trabalho cognitivo e ajuda a desenvolver coordenação motora, atenção, percepção e socialização, por meio dos jogos. “Outro objetivo é ser usada como reforço escolar tanto na alfabetização quanto em operações matemáticas e demais disciplinas do ensino regular. Ela tem mais de 40 jogos, cada um com um objetivo. Temos distribuidores na Europa, Emirados Árabes e Estados Unidos.”

Siga a Gazeta do Povo e acompanhe mais novidades

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Economia

PUBLICIDADE
Acompanhe a Gazeta do Povo nas redes sociais