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Produtos básicos

Fim do superciclo das commodities ameaça o Brasil

Boom das cotações das matérias-primas ajudou no crescimento brasileiro por quase uma década. Agora, queda dos preços expõe deficiências do país

  • Cíntia Junges
Desde que atingiu o pico de US$ 17,7 por bushel, a soja perdeu 40% de seu valor |
Desde que atingiu o pico de US$ 17,7 por bushel, a soja perdeu 40% de seu valor
 
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Durante quase uma década, o Brasil cresceu amparado no boom das commodities no mercado internacional. Agora, o recuo dos preços de alimentos e minérios acendeu um sinal amarelo no campo e na balança comercial brasileira. Embora as cotações ainda estejam historicamente altas, a queda sugere que o “superciclo” das matérias-primas está chegando ao fim. E as economias do Brasil e do Paraná não vão passar ilesas.

INFOGRÁFICO: Veja os índices da produção brasileira desde 2002

As commodities agrícolas e industriais são as mais suscetíveis. O preço da soja recuou 40% em relação a setembro de 2012, quando atingiu o pico na Bolsa de Chicago, de US$ 17,7 por bushel (27,2 quilos). Desde agosto de 2012, a desvalorização do milho chega a 60%. E o minério de ferro, carro-chefe das exportações brasileiras, perdeu quase 40% do seu valor ao longo de 2014, fechando em US$ 81,90 por tonelada na quinta-feira. A cotação do barril de petróleo também está abaixo de US$ 100 desde julho, e segue em queda.

Os preços estão caindo justamente no momento em que dependência do Brasil por produtos básicos bate recorde. Produtos primários como soja, minério de ferro, petróleo bruto, carne e açúcar somaram 50,4% do valor exportado de janeiro a agosto, a maior participação para o período desde 1978, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A causa da desvalorização das commodities está na relação oferta e demanda. “Os preços registrados durante o mais recente pico, de 2011 a 2013, não são sustentáveis dentro dos quadros atuais em que a produção cresce acima do consumo”, afirma o analista e sócio da PH Derivativos Pedro Dejneka, que atua em Chicago, nos Estados Unidos.

Além da recuperação dos estoques internacionais e da projeção de uma supersafra norte-americana, o apetite da China – maior importador de commodities agrícolas e minerais – não é mais o mesmo. Em 2013, o país absorveu 23% das exportações do agronegócio brasileiro. Segundo Dejneka, no momento não existe um comprador alternativo com a potência de compra dos chineses, mas há demanda global. Mesmo crescendo menos (entre 7% e 7,5% neste ano), a China ainda é um grande cliente, completa Eugênio Stefanelo, especialista da Conab no Paraná.

A desvalorização coloca um viés negativo para os principais produtos primários exportados pelo Brasil e pelo Paraná. “O agronegócio brasileiro era competitivo porque o preço das commodities estava tão elevado no mercado internacional que compensava todas as nossas ineficiências em portos, logística, transporte, legislação trabalhista anacrônica, legislação ambiental restritiva”, afirma Stefanelo. Agora, segundo ele, esses gargalos devem aparecer com mais força.

O fim do ciclo de preços altos terá efeito multiplicador, avalia Gilda Bozza, coordenadora de Conjuntura Agropecuária da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Menos dinheiro no campo significa menos dinheiro no comércio e nos serviços, e investimentos retidos. “Os preços podem até reagir, mas não devem voltar aos patamares anteriores. Os produtores terão de tirar a diferença em ganhos de escala, tecnologia e produtividade”, afirma.

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