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Finanças Pessoais

Como poupar para o filho que ainda nem chegou

A decisão de ter filhos ou mesmo de adotar uma criança pode ser também o momento de pensar naquele pé-de-meia para o futuro

  • Fabiane Ziolla Menezes
Como poupar para o filho que ainda nem chegou. Decisão de ter filhos ou mesmo de adotar uma criança pode ser também o momento de pensar naquele pé-de-meia para o futuro. | Bigstock
Como poupar para o filho que ainda nem chegou. Decisão de ter filhos ou mesmo de adotar uma criança pode ser também o momento de pensar naquele pé-de-meia para o futuro. Bigstock
 
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Pode parecer o cúmulo da precaução, mas tem gente se preparando para os gastos com os filhos antes mesmo de as crianças chegarem. Circulando nas redes sociais há alguns meses, uma campanha do banco Santander mostra a história de um casal que está na fila de adoção e que, mesmo sem saber como a criança é ou mesmo quando ela virá, já está fazendo um pé-de-meia básico para o futuro membro da família.

É preciso fazer uma reserva para si mesmo antes de pensar no filho

No caso da campanha, que incentiva os clientes a deixarem mensagens futuro destinadas aos beneficiários de seus investimentos, o produto escolhido foi um plano de previdência, mas há várias opções para guardar um bom dinheiro para os pequenos. E a velha poupança está longe de ser a melhor opção.

Se ideia é se preparar bem antes da chegada do pequeno, então o investimento ficará no nome dos responsáveis. “Mas se a criança já estiver presente, é possível preparar algo já no nome dela”, alerta o superintendente de investimentos do Santander, Marcos Figueiredo. Boa parte das crianças, inclusive, já tem têm saído da maternidade com o CPF.

Com o documento em mãos é possível abrir uma conta-corrente no banco (o Santander é um dos bancos que aceitam esse modus operandi) ou mesmo uma conta em uma corretora de investimentos no nome do filho. A ideia é interessante porque permite criar um leque de investimentos no nome da criança.

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É claro que a natureza desses investimentos aqui tende a ser mais conservadora, então títulos públicos atrelados à inflação e fundos de renda fixa são opções indicadas.

Porém se o responsável for alguém que investe há algum tempo ou mesmo tem um gestor de confiança, é possível formar um leque que mescle opções de renda variável não tão arriscadas (como fundos ligados a índices acionários ou mesmo os de multimercado) e renda fixa.

O quanto se quer poupar vai depender mais das condições de cada família do que de um valor exato, ainda mais se o desejo for que o próprio filho decida o que fazer com o dinheiro no futuro.

A reportagem da Gazeta do Povo conversou com o planejador financeiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF) Daniel Chiavenato Mazza e com o superintendente de investimentos do banco Santander, Marcos Figueiredo, sobre o tema.

Com base nas entrevistas com eles e também nas publicações de corretoras e bancos, veja as recomendações para as melhores opções de investimentos para os pequenos:

1. Tesouro Direto

Os títulos públicos são papéis emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar a dívida pública do país. Ao comprar um papel deste, é como se o investidor estivesse emprestando dinheiro ao governo – e recebendo juros por isso.

Há três tipos de títulos: os prefixados, os ligados à inflação e os ligados à Selic, a taxa básica de juros do país. Além disso, dentro desses tipos, o Tesouro Nacional oferta, de tempos em tempos, diferentes datas de vencimento, que acabam formando um portfólio de títulos. A escolha certa vai depender principalmente do quanto você tem disponível para investir e de quanto tempo pode esperar.

O custo do investimento no Tesouro Direto é muito mais baixo que o dos demais – há uma taxa de custódia de apenas 0,3% ao ano – e há bastante informação disponível no próprio site do Tesouro Nacional, o que, com alguma paciência, permite que pessoas que nunca investiram nesses papéis antes aprendam de forma relativamente fácil como fazê-lo. Há até um curso online gratuito sobre como investir nessa modalidade.

Apesar de serem consideradas as opções mais seguras, afinal são papéis públicos e com chances remotas de calote, e terem rendimentos melhores que a famigerada poupança, os títulos do tesouro são voláteis. Ou seja, sofrem com a variação dos juros e da inflação e precisam de acompanhamento – do próprio responsável ou do gestor escolhido.

De forma geral, segundo vários analistas, aqueles prefixados, que pagam juros de 11% a 15%, de acordo com um vencimento fixado de antemão, e aqueles atrelados ao IPCA, que cobram a inflação do período e tendem valorizações de mais de 5% continuam sendo boas opções em 2017.

2. CDBs

As aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) são conservadoras, remuneram com um porcentual da taxa DI (formada pelos juros pagos entre bancos e próxima da taxa básica de juros, a Selic). Aqueles que rendem próximo de 100% da DI são boas opções, e há vários nesse patamar em instituições confiáveis.

Os maiores rendimentos são proporcionais aos riscos e à carência para sacar o dinheiro. Os riscos de um calote são baixos, já que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) assegura aplicações de até R$ 250 mil por CPF para esse tipo de ativo.

Já em relação ao prazo, os CDBs seguem uma tabela regressiva do Imposto de Renda, ou seja, quanto mais longo o prazo, maior o ganho. A tabela vai de 22,5% do rendimento para um prazo de seis meses a 15% para um prazo de dois anos.

Saiba mais sobre esse tipo de investimento: CDB de banco menor rende mais; só fique atento ao risco

3. Fundos

São uma opção para quem está disposto a combinar ativos de renda fixa e variável. Uma combinação como essa, a exemplo dos fundos multimercado que a Gazeta do Povo já mostrou neste ano, pode levar a maiores rendimentos com riscos relativamente diluídos.

A principal dica aqui é ter um bom gestor, no próprio banco ou corretora, e já ter alguma estrada nos investimentos, mesmo que recente. Isso é importante, principalmente, porque esses fundos são investimentos de curto prazo, precisam de um olhar constante sobre eles para que rendam bem.

4. Plano de previdência

Essa é uma opção para investimentos de longo prazo, dez anos ou mais, e que permite dedução do Imposto de Renda. Para o filho que ainda não chegou, é preciso fazer o plano no nome do responsável. Se a criança já existir, é possível abrir um plano no CPF dela desde o início. Outra vantagem é que os planos de previdência com essa finalidade costumam ter, junto, um seguro vida. “Isso é importante porque garante o cumprimento de uma ideia inicial. Se o meu plano era guardar R$ 200 mil, mas só completei R$ 50 mil, o seguro vai garantir os outros R$ 150 mil para o meu filho”, ressalta o superintendente de investimentos do Santander, banco que criou um plano chamado Prev Primeiros Passos, Marcos Figueiredo. Ele também lembra que o trâmite para que o dinheiro de um plano de previdência vá para o filho é bem mais rápido do que no caso de outros investimentos, que respeitarão o trâmite de um inventário.

É claro que é possível buscar outros tipos de investimento e fazer um seguro de vida à parte, mas o plano de previdência tem a vantagem de fazer o recálculo dessa relação investimento-cobertura automaticamente, a cada ano que passa.

O principal custo desses planos é a taxa de administração. Os especialistas recomendam aqueles em que esse fator não passe de 1% e que isentem os investidores da taxa de carregamento, componente do custo de administração.

De forma geral há dois tipos de planos: o Plano Gerador de Benefícios Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL). O primeiro é indicado para quem faz declaração completa do Imposto de Renda, pois é isento para rendimentos brutos anuais de até 12%. Já o VGBL é indicado para quem faz declaração simplificada, pois o imposto cairá apenas sobre os rendimentos.

Outro fator que precisa ser observado é a tributação sobre o resgate, que pode ser regressiva ou progressiva. O primeiro tipo segue uma tabela de impostos que vai de 35%, para até dois anos, a 10%, para mais de dez. O segundo tipo usa a tabela do IR como base, isentando rendimentos de até R$ 1,9 mil e cobrando 27,5% daqueles maiores que R$ 4,6 mil.

Saiba mais no artigo de Gustavo Cerbasi sobre o assunto: Previdência é mais do que investimento

É preciso fazer uma reserva para si mesmo antes de pensar no filho

Antes de pensar no filho que virá, porém, é preciso pensar em si mesmo. É uma lógica parecida com a da máscara do oxigênio em caso de acidente de avião: coloque-a em você antes de colocar na criança ao seu lado, afinal você precisa estar bem para poder ajudá-la.

Para o planejador financeiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF) Daniel Chiavenato Mazza, mais importante do que escolher o melhor investimento é, primeiro, adquirir o hábito de poupar. “Criar este hábito de investir mensalmente é um grande passo, e a partir daí com certeza a pessoas passa a buscar mais informação e a investir melhor.”

Como a Gazeta do Povo já mostrou em outras ocasiões, é preciso começar a poupar pensando em juntar uma reserva equivalente a, no mínimo, três meses de renda, tendo como objetivo final atingir o período de um ano.

Com esse objetivo alcançado – ou pelo menos quase –, aí sim é possível pensar no rebento. “Poupar para o filho serve como educação financeira, pois mostra que os pais se preocupam com o fato de planejar, especialmente relacionado aos estudos. Mas é importante envolver os filhos neste processo e faze-los aprender sobre o ato de planejar. Com certeza isto cria crianças e cidadãos mais conscientes financeiramente”, lembra Mazza.

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