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Case de negócio

MadeiraMadeira encontra o lucro e planeja faturar R$ 1 bilhão em 2019

Empresa curitibana teve o seu primeiro balanço financeiro positivo no ano passado e já não depende mais do dinheiro de investidores

  • Jéssica Sant’Ana
Com 230 funcionários, MadeiraMadeira inaugurou uma nova sede no fim de 2016 e integrou o call center com área operacional e comercial | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Com 230 funcionários, MadeiraMadeira inaugurou uma nova sede no fim de 2016 e integrou o call center com área operacional e comercial Hugo Harada/Gazeta do Povo
 
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Depois de completar sete anos de mercado e alcançar um faturamento que beira os R$ 200 milhões, o e-commerce curitibano MadeiraMadeira, que vende móveis e materiais de construção pela internet, teve seu primeiro balanço financeiro positivo no ano passado. A empresa contou com o aporte de três fundos de investimento para financiar a operação durante os anos em que validava o modelo de negócio e conquistava clientes em todo o país. Em 2016, atingiu a média de 40 mil entregas mensais e, com algumas mudanças para se tornar mais rentável, já não depende de dinheiro externo para funcionar e projeta atingir o primeiro bilhão em 2019.

Negócio começou com planilhas de Excel e virou referência em produção de software

As mudanças no modelo de negócio do e-commerce começaram a acontecer em 2014, quando os sócios decidiram que estava no momento de tornar a empresa rentável. Eles tiraram a política de frete grátis, acabaram com outros subsídios de frete e pararam de aderir a plataformas de cupons de desconto. Também passaram a renegociar mais com os fornecedores para conseguir produtos com preços melhores.

Outra mudança foi aumentar os canais de venda ao integrar a MadeiraMadeira aos maiores marketplaces do Brasil, como B2W (dona da Americanas e Submarino), Cnova (Casas Bahia e Extra), Walmart e Mercado Livre.

“Adotamos uma estratégia clara de que não íamos mais vender com margem negativa. Então, a gente começou a pensar em novas formas de como vender bastante sem dar prejuízo. Aumentos o número de canais, melhoramos o marketing e retiramos algumas políticas de subsídio do site”, afirma Robson Privado, sócio e diretor de marketing e produtos da MadeiraMadeira. Ele também é presidente do Comitê de Empreendedorismo da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) em Curitiba.

Privado conta que, no começo, enfrentou resistência dos clientes por causa do repasse de preço. Mas, segundo ele, o problema foi contornado e a empresa alcançou a marca de 40 mil entregas mensais. São mais de 400 mil pessoas que já compraram pelo site alguns dos mais de 50 mil itens de móveis e materiais de construção.

A empresa também lançou, no fim de 2015, marcas próprias para aumentar a rentabilidade do negócio. São três marcas de móveis e iluminação até objetos de metal. “Uma das nossas estratégias para este ano é intensificar a atuação e o número de marcas próprias”, afirma Privado. A MadeiraMadeira é responsável pelos projetos e design e terceiriza a fabricação.

Planos para 2017

Para este ano, além de dar capilaridade às marcas próprias, a empresa quer aumentar as vendas pelo e-commerce, melhorar a rentabilidade do negócio e proporcionar uma experiência de compra mais assertiva ao cliente. O objetivo é que, no fim de 2017, o negócio mantenha uma taxa média de crescimento de 85% para chegar, em 2019, ao R$ 1 bilhão de faturamento. Em 2016, a empresa cresceu 100%.

A MadeiraMadeira também quer ser uma empresa “one stop shop”, ou seja, quer que o cliente encontre tudo o que precisa para sua casa em seu site, de uma forma “muito mais inteligente”, afirma Privado. Novas categorias de produtos, como eletroportáteis, utensílios domésticos e cama, mesa e banho serão lançadas neste ano e a empresa está investindo em tecnologias que usam inteligência artificial para recomendar produtos aos consumidores e para tirar dúvidas, como os chatbots.

Negócio começou com planilhas de Excel e virou referência em produção de software

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Daniel Scandian fundou a MadeiraMadeira em 2009Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

Quando Daniel Scandian, fundador e atual CEO da MadeiraMadeira, começou a vender pisos de madeira pela internet, ele contava somente com site, e-mail, telefone e planilhas de Excel para receber e monitorar os pedidos. Também não tinha dinheiro para fazer estoque e, por isso, foi atrás de fornecedores que topassem entregar direto ao cliente. Eram cerca de 500 pedidos ao mês.

Em 2012, foi para os Estados Unidos e conheceu o dropshipping, modelo para e-commerce que estava sendo usado por grandes players do país e que Scandian tentava implantar no seu negócio sem saber. O conceito propõe que os comércios eletrônicos não tenham estoque. Cada vez que o consumidor compra algo em sua loja on-line, o e-commerce solicita automaticamente a compra desse produto do fabricante e depois envia uma transportadora para buscar o pedido e entregar diretamente na casa do consumidor.

A MadeiraMadeira conheceu as tecnologias utilizadas pelos americanos para adotar o dropshipping e decidiu, de vez, implantá-lo em seu negócio. Para isso, desenvolveu um software próprio para gerenciamento dos pedidos e entregas e utilizou o dinheiro vindo de três fundos de investimento que, em 2012, resolveram a apostar no negócio brasileiro: Kaszek Ventures, Monashees Capital e Flybridge.

A estratégia deu competitividade ao negócio, que saltou de 500 pedidos ao mês para 4 mil. Scandian percebeu, então, que a empresa precisava desenvolver outros sistemas de gestão que atendessem suas demandas para ganhar capilaridade. Hoje, 90% dos softwares que são utilizados no negócio foram desenvolvidos internamente. “Costumamos dizer que somos uma empresa de tecnologia que vende produtos pela internet”, afirma Robson Privado, sócio e diretor de marketing e produtos.

A estratégia de usar o dropshipping e de produzir seus próprios sistemas de gestão levou a MadeiraMadeira a se tornar o maior e-commerce do Paraná e o líder em seu segmento de atuação. Segundo ranking da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), a empresa está entre os 50 maiores e-commerces do país, na 24ª colocação, e é o terceiro que mais cresceu entre 2015 e 2014, com uma taxa de 171%.

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