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Com sebo virtual, Livraria Cultura tenta recuperar protagonismo na internet

Empresa foi pioneira ao lançar seu comércio eletrônico em 1995, mas só neste ano abriu seu site para ser um marketplace

Livraria Cultura lançou o seu sebo virtual neste mês, abrindo seu site para virar um marketplace | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Livraria Cultura lançou o seu sebo virtual neste mês, abrindo seu site para virar um marketplace Hugo Harada/Gazeta do Povo
 
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Depois de ter sido pioneira ao lançar o seu e-commerce em 1995, a Livraria Cultura ficou para trás na corrida digital e abriu somente agora o seu site para ser um marketplace, modelo que permite que terceiros vendam produtos em sua plataforma. A empresa lançou neste mês o Sebinho, um espaço dentro do seu site destinado à venda de livros seminovos. O marketplace já é uma tendência utilizada por grandes players do mercado, como Americanas, Estante Virtual, Submarino, Saraiva e mais recentemente a Amazon, e é apontado como caminho inevitável para sobrevivência dos comércios eletrônicos.

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O Sebinho foi lançado no início deste mês e conta com 5 mil obras seminovas disponíveis no catálogo. Os descontos variam de 30% a 80% em relação ao preço do mesmo produto novo. As opções vão desde livros de autoajuda e biografias a obras acadêmicas e de autores consagrados da literatura nacional e internacional. Toda a compra é feita na própria plataforma da Livraria Cultura, dentro da seção livros seminovos.

Neste primeiro momento, somente clientes da Livraria Cultura podem vender livros no site da empresa. E o processo é burocrático. Primeiro, é preciso ser participante do programa de fidelidade da livraria, o + Cultura. Depois, o cliente só vai poder revender um livro adquirido na própria Livraria Cultura e há não mais que seis meses. O consumidor precisa levar o livro até uma loja para que os funcionários façam a avaliação do produto. Aprovado, a livraria pagará 25% do valor efetivamente pago pelo cliente quando ele comprou o produto. O valor da recompra será revertido em créditos no Programa + Cultura.

O processo adotado pela Cultura é bem diferente, por exemplo, da Amazon, empresa que lançou também neste mês seu marketplace de livros usados no Brasil. No caso da empresa americana, basta fazer um cadastro no site, escolher o plano (individual ou profissional) e começar a cadastrar os produtos para serem vendidos. A empresa fica com 10% do valor de cada transação mais R$ 2 por item vendido ou mensalidade, e o dinheiro é creditado direto no cartão de crédito cadastrado.

Em um segundo momento, a Livraria Cultura vai integrar a sua plataforma com a de sebos. Segundo o CEO da companhia, Sergio Herz, a empresa está negociando a integração com sebos físicos e virtuais para em breve aumentar a oferta de títulos disponíveis. O modelo utilizado seria o mesmo da Estante Virtual, que foi pioneira ao fornecer uma plataforma para que sebos de todo o Brasil pudessem vender títulos usados pela internet.

Sergio Herz afirma que, ao abrir o site da Cultura para ser um marketplace, os seus objetivos são aumentar as fontes de receita da empresa, fidelizar clientes antigos e atrair novos consumidores. “Queremos oferecer a experiência completa de compra”, afirma o fundador da livraria.

Em 2015, o e-commerce da Cultura faturou R$ 113 milhões e ficou na 22.ª colocação no ranking dos maiores comércios eletrônicos do Brasil. A Saraiva, sua concorrente direta, ficou em 12.º lugar ao faturar R$ 569,5 milhões, cinco vezes mais que a Cultura.

A especialista em varejo Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, afirma que com a estratégia de marketplace a Cultura “está contando com o aumento de tráfego em seu site para levar os consumidores a comprarem mais livros. Também é uma forma de atrair novos clientes”. Mas, apesar da iniciativa ir ao encontro da tendência em comércio eletrônico, trata-se “mais de uma estratégia de marketing, de ampliar o relacionamento com o consumidor”.

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