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Automação

Robôs que preparam saladas tiram o sono de trabalhadores

Sally, o robô que prepara saladas, promete custos menores, mais higiene e novos postos de trabalho, mas profissionais da gastronomia temem por seus empregos

  • Claire Martin
  • New York Times
Sally, o robô salada que tira o sono de trabalhadores | Christie Hemm Klok/The New York Times​
Sally, o robô salada que tira o sono de trabalhadores Christie Hemm Klok/The New York Times​
 
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Bufês de salada são ímãs para bactérias e vírus. Mesmo que os brotos e o molho não estejam contaminados, os utensílios podem estar.

A startup Chowbotics, do Vale do Silício, desenvolveu o que dizem ser uma solução parcial para esse problema. Sua máquina, chamada Sally the Salad Robot, tem como objetivo reduzir o risco de doenças transmitidas por alimentos ao fazer saladas a partir de vegetais pré-cortados e armazenados em recipientes refrigerados.

Os clientes usam uma tela para fazer os pedidos, escolhendo de um cardápio de receitas ou misturando suas próprias saladas. A máquina calcula o número de calorias por salada e despeja os vegetais em uma vasilha em menos de um minuto. Desse modo, há pouco contato humano com a comida.

Mas, à medida que um número crescente de robôs relacionados a alimentos e bebidas começa a interagir com clientes da área da baía de San Francisco, Deepak Sekar, inventor do dispositivo e o fundador e executivo-chefe da Chowbotics, vem enfrentando questões sobre se seu equipamento deixará pessoas sem trabalho. Ele nega que isso vá acontecer.

Sekar insiste que o foco de sua empresa — o mercado de bufês de salada e não o de restaurantes — é garantir que Sally não vá acabar com empregos.

Ele diz que os trabalhadores dos bufês podem reabastecer o robô, que mantém ingredientes para 50 saladas sem precisar ser recarregado. E, ainda segundo ele, os restaurantes podem continuar com seus métodos normais de preparação de pratos – dependendo dos trabalhadores da cozinha para picar ou comprando vegetais pré-cortados.

Nos escritórios, o equipamento poderia ser até uma fonte de novos empregos, afirma Sekar. "Você terá comida fresca e estará, na verdade, criando vagas para pessoas que vão reabastecer as latas nesses lugares", diz ele.

Preocupação crescente

No entanto, o desemprego por causa de robôs é uma preocupação crescente. Recentemente, Bill Gates foi favorável a que se estabeleçam impostos para empresas que possuem robôs, o que pode atrasar sua implementação e fornecer algum dinheiro para o treinamento de pessoas que eventualmente perderem o emprego.

Leia também: Se os robôs roubarem seu emprego, pagarão seus impostos?

"Podemos ter mais de 50 por cento das vagas desaparecendo nos Estados Unidos nos próximos 10 a 15 anos", afirma Jane Kim, supervisora de San Francisco.

"E não são empregos que estão indo para o exterior ou sendo deslocados. São robôs."

Existe evidência de que a automatização pode ter um efeito devastador nos empregos. Robôs comerciais já começaram a eliminar vagas, segundo um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts da Universidade de Boston publicado em março. Pesquisadores analisaram os efeitos dos robôs industriais em mercados de trabalho locais nos Estados Unidos de 1990 a 2007 e estimaram que adicionar um robô para cada grupo de mil trabalhadores levou ao desemprego de até seis pessoas e causou uma diminuição nos salários de mais de 0,50 por cento.

Alguns sindicatos estão discutindo estratégias próprias para enfrentar um futuro dominado pelos robôs.

"É algo que nosso sindicato e vários outros ainda estão estudando. Estamos muito preocupados e tentando lidar com isso", explica Ian Lewis, diretor de pesquisa do Unite Here Local 2, sindicato que representa trabalhadores de hotel, serviços de alimentação, restaurantes e lavanderias de San Francisco e San Mateo, na Califórnia.

Qualquer que seja seu efeito sobre os empregos, novos robôs estão a caminho. Sekar, investidor com doutorado em eletrônica e engenharia de computadores, diz que teve a ideia de construir um robô de cozinha enquanto trabalhava como diretor de engenharia de uma empresa de semicondutores.

Embora adore cozinhar em casa, ele conta que queria uma maneira de diminuir o trabalho envolvido.

"Passava 90 por cento do meu tempo fazendo uma coisa repetitiva, como cortar ou mexer ingredientes", diz. Ele queria automatizar essas tarefas da mesma maneira como passar o aspirador de pó pode ser delegado ao Roomba, o aspirador robô da iRobot. Rapidamente, ele mudou o foco para robôs de serviços de alimentos para restaurantes e escritórios.

Sekar afirma que seu robô pode fazer com que pequenos negócios que os instalarem em cozinhas de escritórios, junto com equipamentos como máquinas de café, economizem dinheiro.

Andar apenas alguns minutos dentro do prédio até um robô que prepara sua salada em vez de sair para almoçar pode significar intervalos mais curtos e aumentar a produtividade, explica. Ele diz que Sally é "a menor e mais acessível cafeteria que um escritório pode ter".

"Você está do lado das máquinas?"

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Salada preparada pelo robô Sally
Christie Hemm Klok/The New York Times​

O robô está sendo testado no escritório da incubadora de tecnologia GSVlabs, em Redwood City, no Calafia Café e no Market A Go-Go, em Palo Alto, na Califórnia, um restaurante que possui um mercado anexo cujo dono Charlie Ayers, é executivo chefe da Chowbotics.

Agora, segundo Sekar, a Chowbotics começará a entregar os dez robôs já encomendados, que custam US$30 mil cada. Ele prevê que no futuro seus robôs produzam pratos saudáveis em lojas de conveniência, aeroportos, hotéis, hospitais e universidades.

"Existe um incentivo do Vale do Silício por trás disso", afirma Sekar. Até agora, a Chowbotics levantou US$6,3 milhões em fundos de risco de vários investidores.

Para as receitas, Sekar recorreu a Ayers, que foi chefe no Google e também cozinhou para os membros do Grateful Dead. "Há muita paixão nesse trabalho de criar sabores que sairão de máquinas", afirma Ayers.

Ele conta que criou, por exemplo, um cardápio para que um desses robôs possa servir saladas com ingredientes do sul da Ásia.

Ainda assim, Ayers diz que recebeu críticas de outros chefes. "Muitos de meus colegas na indústria estão perguntando, 'O que você está fazendo conosco? Você está do lado das máquinas?'", conta Ayers.

Ele responde que está ajudando a criar empregos, porque esses robôs vão precisar ser recarregados, mantidos e limpos por pessoas.

"Haverá empresas de logística, de limpeza, de serviços, de reparos de robôs. A interação humana com a Sally não vai acabar", explica Ayers.

Se a Chowbotics tiver sucesso com as saladas, Sekar espera expandir o negócio para outras cozinhas e admite que os trabalhadores humanos podem precisar ser deslocados.

"Vamos atrás de outros tipos de comidas. É difícil dizer o que vai acontecer no futuro e como isso será capaz impactar os empregos", afirma.

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