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Com café e pão, dona de padaria ajuda garoto a voltar à escola

Empresária fez pacto com o garoto, que vive em condições precárias. Repercussão do caso também alcançou um irmão perdido do menino

  • Lorena Costa, especial para a Gazeta do Povo
Rosãngela e Cauã: acordo | Reprodução/Facebook
Rosãngela e Cauã: acordo Reprodução/Facebook
 
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A história do pequeno Cauã, de 10 anos, poderia ser a mesma de milhares de crianças brasileiras que estão fora da escola. Mas o desfecho foi diferente graças à intervenção de uma comerciante. Além de ajudar a devolver o garoto à sala de aula, ela acabou, por acaso, reunindo uma família.

A história aconteceu em Cariacica (ES). Sem ter o que comer em casa, Cauã costumava aparecer na padaria, que estava em reforma, para lanchar com os pedreiros. 

Foi a partir daí que um pequeno gesto da empresária Rosângela Amaral mudou a vida do garoto. 

A dona da padaria conta que achou estranho o fato do menino aparecer na obra sempre no horário do café, de manhã e à tarde. Para averiguar o motivo dele não frequentar a escola, já que nunca estava de uniforme, ela resolveu convidar o pequeno para conversar. 

“Aquilo me chamou a atenção. Não entendia porque uma criança dessa idade estava fora do colégio. Conversamos e descobri que ele, a mãe e os sete irmãos tinham mudado para Cariacica recentemente. Por isso, ele estava fora da escola durante todo o ano de 2017”, contou Rosângela à Gazeta do Povo.

Comovida com a história, a empresária resolveu conhecer a família do menino, que havia deixado a cidade de Viana (ES), de 75 mil habitantes, em busca de Cariacica, cinco vezes mais populosa. 

Chegando à casa, a comerciante observou que a família vive em condições de pobreza extrema. E fez uma proposta: se Cauã voltasse a frequentar a escola, ela daria pães ao pequeno.

“A casa deles é bastante precária, não tem nem banheiro. Foi aí que eu sentei com Cauã e disse ‘se você voltar para o colégio, eu vou te dar todo o apoio. Você pode ir à padaria tomar o seu café antes de ir e, na volta, passar lá para pegar alguns pães para a sua família’”, relembrou. 

Com esse pequeno gesto, a mãe e o menino sentiram-se motivados a buscar uma vaga na rede pública de Cariacica. Rosângela descobriu que a sua proposta tinha dado certo quando Cauã apareceu na padaria com uma mochila escolar. 

“Teve um dia que o Cauã faltou à escola e inventou uma desculpa qualquer. Expliquei para ele que, infelizmente, não daria os pães porque o nosso trato foi descumprido. O combinado foi estudar”.  

“Ele disse ‘tia, voltei a estudar’ e olhou para os pães. Até hoje eu fico emocionada quando falo disso. Não imaginava que um gesto simples ia ser tão importante para uma criança”, conta.

Depois disso, a empresária começou a acompanhar as tarefas do pequeno, sempre ajudando nos deveres e supervisionando se ele realmente estava frequentando as aulas. “Teve um dia que o Cauã faltou à escola e inventou uma desculpa qualquer. Expliquei para ele que, infelizmente, não daria os pães porque o nosso trato foi descumprido. O combinado foi estudar”, disse.  

Publicação 

No dia 14 de setembro deste ano, Rosângela resolveu postar uma foto com o Cauã na internet. “Como todos os dias ele veio me visitar, mostrar o dever de casa e buscar os seus pãezinhos. Eu acredito nele, eu acredito em um futuro melhor”, escreveu ela em sua página no Facebook.

A imagem se espalhou rapidamente:  recebeu mais de 400 mil curtidas e 270 mil compartilhamentos. 


Meu amiguinho voltou para escola, combinei com ele .....se estudar o pão é por conta da padaria" café com leite"......

Publicado por Rosangela Amaral em Quinta-feira, 14 de setembro de 2017

“Fiquei muito assustada com a quantidade de gente que compartilhou a história. No dia que eu fiz a publicação, estava muito orgulhosa porque o Cauã tinha acertado todo o dever de casa. Não imaginei que a imagem ia tocar todo o Brasil”, comentou. 

Doações 

Após a repercussão do caso, muita gente se comoveu com a história e resolveu ajudar o menino doando roupas, calçados, materiais escolares e alimentos para a família dele. 

“As pessoas vêm até minha padaria, me abraçam. Isso serviu para despertar o próximo. A gente acha que as pessoas passam fome e enfrentam dificuldades só em regiões como a África, por exemplo, enquanto essa realidade está ao nosso lado”.  

Segundo filho

Para Rosângela, o pequeno Cauã virou um filho adotivo. Ela, que é mãe de uma menina de 11 anos, conta que a sua filha teve um tumor cerebral e que, por isso, tem dificuldade de aprendizado. 

“Sempre quis que minha pequena tirasse notas boas, mas infelizmente isso não é possível já que ela não consegue ter um bom rendimento como as outras crianças. Por isso, sempre falo que o meu caminho não cruzou com o do Cauã à toa. Acabei ganhando outro filho”, disse.  

Reencontro inesperado 

Por falta de recursos financeiros, a mãe de Cauã precisou entregar um filho para uma vizinha cuidar há 21 anos. Após diversas mudanças de bairro e de cidade, ela acabou perdendo o contato com os pais adotivos do menino. Com a repercussão da publicação de Rosângela, porém, a mãe adotiva de Fernando Meireles, que está desempregado, reconheceu a mulher. 


To de bobeira dps de 21 anos achei minha mãe verdadeira

Publicado por Fernando Meireles em Terça-feira, 19 de setembro de 2017

“Minha mãe viu a moça em um programa de TV e confirmou que ela é a minha mãe biológica e que o Cauã é o meu irmão. Entrei em contato com a produção e com a Rosângela imediatamente”, conta Fernando, que mora a 20 minutos de distãncia da mãe.

O encontro vai acontecer nesta segunda-feira. “Vou vê-la em um programa de TV. Estou bem ansioso, a minha ficha ainda não caiu”, diz. 

O gesto de Rosângela teve consequências muito maiores do que ela poderia imaginar.

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