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Fachada da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo | Marcos Santos/USP Imagens/
Fachada da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo| Foto: Marcos Santos/USP Imagens/

A Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) vai adotar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que prevê a entrada de candidatos pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para a maioria dos cursos de graduação. Para o próximo vestibular, todos os cursos de Comunicação - Educomunicação, Biblioteconomia, Jornalismo, Editoração, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Turismo - vão separar 81 das 270 vagas pelo sistema e 34 dessas 81 serão reservadas para candidatos pretos, pardos e indígenas (PPI).

Já os demais cursos da unidade - Audiovisual, Artes Cênicas, Artes Visuais e Música - não farão parte do processo. Segundo a direção da ECA, as graduações em Artes exigem provas de habilidade específica, que são anteriores ao vestibular. A Universidade de São Paulo (USP) definiu que cada uma de suas unidades tem liberdade para oferecer vagas pelo Sisu - até um limite de 30%.

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A adoção do Sisu deve ser referendada hoje pelo Conselho de Graduação. Dois dos cursos que adotaram a mudança para este ano - Jornalismo e Publicidade e Propaganda - estiveram entre os dez mais concorridos na relação candidato-vaga no vestibular do ano passado.

A adoção de cotas sociais e raciais na instituição é pauta antiga do movimento estudantil e já ocorre nas universidades federais desde 2012. No mês passado, alunos ocuparam diversas unidades, incluindo a ECA, reivindicando a adoção de cotas e políticas de permanência estudantil. Procurados na quinta-feira, 15, os estudantes disseram que a adoção do Sisu pela ECA não atende às reivindicações do movimento - que deve prosseguir.

No curso de Jornalismo, 18 (30%) das 60 vagas agora vão para candidatos do Sisu. Dessas, 27% (16) serão para alunos vindos de escola pública, 8 delas para pretos, pardos e indígenas (PPI). O curso teve 2 mil inscritos no ano passado, relação de 33,5 candidatos por vaga. “Diversidade sempre foi um problema. Temos um aluno de perfil muito parecido. A presença de negros e indígenas é importante para ter formação mais ampla do próprio jornalista. Mais questões são trazidas para o debate e isso contribui para formar profissionais com várias experiências sociais”, diz o chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração, Dennis de Oliveira. Em Editoração, das 15 vagas, 5 vão para o Sisu.

Em Publicidade, 8º curso mais concorrido da universidade no ano passado, serão oferecidas 15 das 50 vagas pelo Sisu, 5 delas para PPI. Para o chefe do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo, Victor Aquino, o número ainda é insuficiente e pode não causar o impacto desejado. “É uma opinião de todos os professores ser contra o limite atual de 30%. A USP vive escondida atrás de um biombo furado chamado meritocracia, excelência. Mesmo com Sisu, os alunos estão desestimulados a concorrer em uma fatia tão estreita de vagas.”

Em 2015, a universidade já aderiu ao Sisu e separou para o vestibular de 2016 13,5% das vagas - 10,5% para alunos de escola pública e 1% para pretos, pardos e indígenas. Mas 10 das 42 unidades da instituição decidiram não abrir espaços, incluindo a ECA.

Com notas de corte que chegaram a 700 pontos, só 55% (814) das 1.489 vagas destinadas ao Sisu no ano passado foram preenchidas. E a USP recuou ainda mais no acesso aos alunos de escola pública. O índice caiu de 35,1%, em 2014, para 34,6%, distanciando a universidade de alcançar a meta de ter 50% até 2018.

Cota

Aluna de Artes Cênicas e única da turma a ter estudado em escola pública, Marcela Carbone, de 24 anos, é contra a adoção de cotas apenas pelo Sisu. “As outras faculdades da USP já mostraram no ano passado que essa política só piora a situação, porque traz para a USP os melhores pontuados no Enem, a elite da escola pública, e escolas técnicas ou que fizeram cursinhos. Não muda a composição social e racial da USP, que é extremamente elitista.”

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