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A orientadora de Artes Plásticas Rosângela Grafetti, do Centro de Criatividade, usa o desenho como forma das crianças mostrarem sua interpretação do mundo |
A orientadora de Artes Plásticas Rosângela Grafetti, do Centro de Criatividade, usa o desenho como forma das crianças mostrarem sua interpretação do mundo
Aprendizagem

Desenho deve ser tarefa de casa

A atividade de desenhar desenvolve a coordenação motora e a criatividade da criança. Mas ela não deve ficar restrita apenas ao ambiente escolar

O ato de desenhar estimula a criatividade. Mas também é uma ferramenta preciosa de comunicação de sentimentos e de fortalecimento da autoestima. Se na primeira infãncia preponderam os rabiscos – que apesar de não ter simbolismo estimulam a atividade motora – , até os 10 anos a atividade ganha forma e passa a comunicar sentimentos.

O desenho reflete as experiências da criança, ajudando-a a pensar o mundo. “Ela trabalha a imagem como se fosse uma história, retrata as pessoas e as situações que conhece. Isso faz parte do processo de maturação”, diz Ricardo Carneiro, coordenador do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutor em Educação com ênfase em ensino de Arte para crianças.

Autoestima

Além de melhorar a coordenação motora e aguçar a criatividade, desenhar também aumenta a autoestima, como explica Rosângela Grafetti, orientadora de Artes Plásticas do Centro de Criatividade da Fundação Cultural de Curitiba. “Quando a criança percebe que consegue se comunicar por meio do desenho e transmitir suas ideias, ela se sente realizada. Para as mais tímidas o desenho pode ser um recurso muito importante”, explica a professora.

Segundo Rosângela, o adulto deve dar importância às ideias que a criança tenta passar e incentivar a desenvolver uma forma própria de compreender o mundo. “É preciso mostrar que o olhar dela tem valor, fazer com que ela se sinta segura para encarar o mundo como ela quiser, com autonomia”, completa.

Carneiro concorda e acredita que a melhora na autoestima ocorre principalmente nos primeiros cinco anos de vida. “Nessa época, a criança tem grande prazer em pegar o material para desenhar. Essa satisfação vem de poder pensar e conseguir transmitir esse pensamento, aos pais em especial, e a ela mesma”, explica.

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Etapas

Quando elas perdem o interesse

Aos 10 ou 12 anos, algumas crianças perdem o interesse pelo desenho. Nessa idade, a atividade deixa de ser uma brincadeira, uma forma de se relacionar com o mundo, e a criança passa a se preocupar com a qualidade do desenho em relação à representação da realidade.

Essa é a etapa em que a criança se frustra ao produzir imagens que não condizem com a realidade, achando que não sabe desenhar, como assinala Camilla La Pastina, mestre em Artes Visuais com ênfase em desenho infantil e professora do curso de Artes Visuais da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

Para ajudar a criança a superar essa fase, Camilla sugere atividades que enriqueçam o “vocabulário visual” e ativem a imaginação. “Mostrar como outras culturas e artistas representam a mesma coisa, com base em suas crenças e opiniões, ajuda a criança a perceber que não há certo e errado no desenho: cada um representa aquilo que vê”, diz. “Mostrar fotos do que é retratado ou levar a criança a lugares em que ela possa ver aquilo que retrata também ajuda na formação de uma memória visual, importante no momento de compor um desenho”, completa.

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