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Comportamento

“Mãe, eu não quero voltar para a escola!”

É comum que algumas crianças reclamem para retomar a rotina escolar após as férias de julho. Mas se a resistência é frequente pode indicar problemas

  • Tatiana Duarte
Kendrik, 5 anos, e Luan, 9 : com a ajuda da escola os irmãos superaram o “quero ficar em casa com a mamãe” |
Kendrik, 5 anos, e Luan, 9 : com a ajuda da escola os irmãos superaram o “quero ficar em casa com a mamãe”
 
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Depois de quase um mês de férias, é difícil para algumas crianças e adolescentes retomar a rotina escolar, que exige, além da volta às aulas, dedicar menos tempo às brincadeiras, acordar cedo e ter horários mais rigorosos. Por esses motivos, esse tipo de resistência é até esperada. Mas se ela é exagerada merece ser observada com maior atenção pela família e pela escola.

Na opinião da psicóloga Giovana Tessaro, a falta de vontade de voltar à rotina escolar pode ser um momento do próprio desenvolvimento da criança, sem motivos para estresse. “Mas, se o comportamento ocorre por vários anos seguidos, é algo para se prestar atenção e buscar ajuda”, diz. Giovana ressalta que muitas crianças sofrem quietas e têm medo de relatar aos pais problemas que podem estar ocorrendo na escola.

A psicopedagoga Maria Irene Maluf, professora da pós-graduação em Psicopedagogia do Ins­ti­tuto Sedes Sapientiae, em São Pau­lo, orienta como distinguir a recusa natural de algum distúrbio. “A criança que não tem problemas facilmente é convencida quando os pais falam sobre as coisas boas que serão encontradas na escola”, diz.

A recusa também pode estar relacionada ao aproveitamento escolar, segundo Maria Irene. “A criança com boas notas fica preo­cupada se vai conseguir dar conta ou não dos próximos compromissos”, diz. Outra questão diz respeito à socialização, quando há mudanças de grupo e a criança não consegue mais manter amizades dentro da escola. “Há crianças que não conseguem ver graça nenhuma em voltar para a escola. Choram, têm dor de barriga, somatizam situações para realmente não ir à aula”, diz.Ajuda

Como diferenciar a “manha” de algo mais sério? Na dúvida, o mais indicado, segundo especialistas, é procurar por ajuda de profissionais especializados e da própria escola. “A manha exige plateia. Se a criança fica quieta, instrospectiva e chora trancada num quarto, indica que há algum problema”, diz Maria Irene.

Foi dentro da escola que a DJ Tatiane Bittencourt, 29 anos, conseguiu apoio para trabalhar com a recusa de seu filho mais novo Kendrik, 5 anos, na volta às aulas no início deste ano. Matriculado na educação infantil do Colégio Novo Ateneu desde o ano passado, Kendrik chorou nos primeiros dias de aula. “Nas férias ele ficou muito tempo em casa comigo e no começo não queria ir à aula. Mas não recuei e na escola sempre respeitaram o limite dele”, diz.

O mesmo problema Tatiane vivenciou com o filho mais velho Luan, 9 anos. Como trabalha à noite, e fica o dia todo com os filhos, a vontade deles era ficar sempre perto da mãe. “Agora os dois ficam contando os dias para saber quando vão voltar para a escola”, comenta.

A assessora pedagógica do Colégio Novo Ateneu, Alessandra Furtado Rossetto, explica que sentir medo de situações novas é algo natural do próprio ser humano. “Antes do retorno os pais devem preparar as crianças, passar aspectos positivos, segurança”, diz.

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