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Cruzamento da Avenida Affonso Camargo, sob o Viaduto Capanema, tem casos de ônibus que passam com sinal vermelho |
Cruzamento da Avenida Affonso Camargo, sob o Viaduto Capanema, tem casos de ônibus que passam com sinal vermelho
Transporte

Imprudência ao volante do ônibus

Acidentes com vítimas em ônibus chamam a atenção para atitudes de motoristas e falhas mecânicas

Texto publicado na edição impressa de 10 de agosto de 2009

Imprudência ao volante do ônibus Ampliar

A notícia de que duas pessoas ficaram feridas na quinta-feira da semana passada, em Curitiba, depois que um motorista de ônibus passou sobre uma lombada em alta velocidade voltou a chamar a atenção para a segurança do transporte coletivo na cidade. Foi o terceiro acidente grave envolvendo ônibus neste ano: no dia 28 de janeiro, a auxiliar de serviços ge­­rais Cleonice Ferreira Gouveia, 29 anos, morreu ao cair de um li­­geirinho que fazia a linha Arau­­cária. O veículo estava cheio e a porta abriu. Dois dias depois, o mesmo problema causou outro acidente: uma mulher de 65 anos ficou presa na porta de um ônibus e foi arrastada. Amélia Terezinha Belinásio sofreu ferimentos no braço.

Segundo o Batalhão de Polícia do Trânsito (BPTran) da Polícia Militar, Curitiba teve em média dois acidentes por dia envolvendo ônibus nos seis primeiros meses deste ano. Foram 383 acidentes entra janeiro e junho, média de 2,1 ocorrências por dia. O número foi maior ainda no ano passado, quando foram registrados 473 acidentes entre janeiro e junho. A média, para os 182 dias deste período no ano passado, foi de 2,5 registros por dia. Os dados dizem respeito a todos os tipos de ônibus (do transporte coletivo, escolares e de viagens), mas, segundo o setor de estatísticas do BPTran, pelo menos 80% das ocorrências dizem respeito a veículos do transporte coletivo da capital.

Sinal fechado

Na semana passada, a reportagem da Gazeta do Povo flagrou três imprudências cometidas por motoristas de ônibus biarticulados em Curitiba. Os motoristas desrespeitaram o sinal vermelho nas esquinas da Avenida Sete de Setembro com a Rua Brigadeiro Franco; da Avenida Affonso Ca­­margo com a Rua Zélia Moura dos Santos, perto da Rodoferroviária; e da Avenida Paraná com a Rua Vereador Antônio Reis Ca­­­va­­lhei­­ro, no bairro Boa Vista. A Urbs, empresa da prefeitura de Curitiba que gerencia o trânsito na cidade, não se pronunciou sobre o assunto e informou apenas que os ônibus são multados quando cometem infrações, como outros veículos.

O advogado, consultor de trânsito e professor de Direito de Trânsito da Unicuritiba Marcelo Araújo afirma que alguns motoristas costumam vir embalados achando que o sinal vai abrir logo e acabam passando ainda no vermelho. “A direção defensiva ensina que ele deveria parar. Depois não adianta tentar saber quem foi o culpado, porque já pode ter matado alguém”, afirma.

Multas são raras, dizem empresas

Marcelo Araújo lembra que o Có­­­digo de Trânsito Brasileiro prevê mul­­­tas para qualquer tipo de veículo que desrespeitar as normas de trânsito. “Não tem diferenciação nos tratamentos. O sinal vermelho vale para ônibus e até para bicicleta. A infração por desrespeitar é gravíssima”, diz. Uma exceção é pa­­­­­ra ambulâncias e veículos da po­­lícia com sirene e luz ligadas. “Além disso, quando estes veículos pedem passagem os outros têm de deixar. Não dar a passagem também é uma infração gravíssima”, afirma o advogado.

“As empresas até se obrigam a liberar o motorista para passar pela reciclagem no Detran”, diz Mário Schmidt, encarregado de tráfego da Viação Cidade Sorriso. Segundo ele, no entanto, esta é uma situação rara, já que os motoristas dependem da habilitação para trabalhar. “É difícil de acontecer, os horários são adequados à demanda. (Infrações) acontecem mais se tiver uma obra na pista, que obrigue o motorista a fazer um desvio no itinerário”, justifica.

O supervisor de tráfego da Via­­ção Nossa Senhora do Carmo, Lo­­­ristan Borges, também diz que as multas são raras. “O motorista de­­­pende da carteira para sobreviver, se fizer muita multa vai ser prejudicado. Acontece de vez em quando”, comenta. “São coisas cor­­­ri­­queiras do dia a dia, às vezes algum é pego no radar ou em uma lombada eletrônica. Mas não tem nada a ver com horário, às vezes é pressa”, alega. Ricar­­do Langa, encarregado de tráfego da Viação Curitiba, também confirma que as multas são repassadas para as empresas.

A assessoria da Urbs informou que existe a possibilidade de radares serem instalados em semáforos ao longo das canaletas. A licitação aberta para a contratação da em­­­presa que vai operar os radares na cidade inclui a instalação de 70 equipamentos que registram avanços de sinal e parada so­­­­bre a faixa de pedestres. A licitação também prevê que a empresa vai operar os radares e as lombadas eletrônicas. Sete empresas participam da licitação e as propostas foram entregues em 20 de julho. A Urbs não soube informar quantas multas para ônibus do transporte coletivo foram aplicadas neste ano.

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