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Quer turismo? Vá de busão

Conhecer marcos urbanos de Curitiba usando linhas de ônibus convencionais pode sair bem mais barato do que investir nos city tours

  • Camille Bropp Cardoso
Com que ônibus eu vou? Marcas de uma campanha popular |
Com que ônibus eu vou? Marcas de uma campanha popular
 
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Nos anúncios publicitários, conhecer cartões postais de Curitiba é prático. O city tour custa de R$ 29 a R$ 290 por pessoa; pagou, levou. Mas o passeio pode ser bem mais barato (de R$ 4,50 aos domingos a R$ 8,55 nos outros dias, sem paradas) para os aventureiros que escolhem os ônibus urbanos, alternativa também para quem não se contenta com confortos padronizados como o proporcionado por aqueles guias turísticos bilíngues que chamam a Ópera de Arame de “wire house opera”.

Três passagens de ônibus comum levam a lugares célebres no Centro e a bairros mais distantes, como Santa Felicidade e o Pilarzinho, onde estão a Ópera de Arame e a Pedreira Paulo Leminski. É uma boa para se conhecer a cidade aos poucos em vez de empreender a maratona turística de no mínimo duas horas e meia que os city tours exigem. O preço e a sensação de “em Curitiba como os curitibanos” compensam, mas é preciso vencer os receios de se perder na cidade e de enfrentar ônibus lotados.

Um bom roteiro começa na estação tubo da Praça Osório, na Rua Visconde de Nácar, no Centro. A linha Campo Comprido-Centenário leva a cinco cartões-postais de uma vez só. O ônibus passa pela Rua 24 Horas, galeria coberta onde o comércio funciona das 7 às 23 horas, e pelo Museu Ferroviário, anexo ao Shopping Estação, no Rebouças. O itinerário da linha inclui ainda a Rodoferroviária, que fica perto do Mercado Municipal, o Teatro Guaíra e o Teatro Paiol – antigo depósito de pólvora adaptado para abrigar uma arena cultural nos anos 1970. O fim da linha para os turistas é o Jardim Botânico, aberto todos os dias das 6 às 21 horas.

Uma vez que os pontos ficam próximos um do outro, a ideia é desembarcar, bater perna e não ter medo de pedir informações. No coletivo, vale notar como tipos usuais encontrados em caravanas turísticas dão lugar a pessoas que retratam a cidade. Sai a dupla de amigas idosas ansiosas para conhecer as flores do Jardim Botânico, por exemplo, e entram os adolescentes carregando skates e o senhor que oferece – discretamente, em voz baixa, já que vendas são proibidas dentro dos ônibus – guarda-chuvas a R$ 10 para “as moças não se molharem”.

Em seguida, há a Interbairros 2, que parte do Terminal Campo do Siqueira. A linha tem duas versões: a 020 e a 022 – essa passa pelas estações-tubo, que percorrem os sentidos de ida e de volta. Em pouco mais de meia hora, os ônibus partem do terminal e percorrem o Parque das Pedreiras, onde fica a Ópera de Arame, a Torre Panorâmica da Oi!, e os parques Tanguá e Tingui.

É provável que nem todos os curitibanos que percorrem diariamente esses locais – que fazem turistas sacarem câmeras de celulares –, já desceram dos ônibus para conhecê-los. “Nunca fui, mas dizem que é bonito”, comenta Neusa Filipino, 52 anos, diarista nascida e criada em Curitiba, sobre a vista que impressiona tanta gente na torre de quase 110 metros no Mercês. A Interbairros 2 também transita pelo bairro italiano Santa Felicidade e pelo Centro Cívico, onde estão os prédios da Prefeitura, do Tribunal de Justiça e da Assembleia Legislativa. E deixa os passageiros perto do Bosque Papa João Paulo 2º e do Museu Oscar Niemeyer.

Além do preço, há vantagens impensáveis na comparação com o serviço turístico. Para citar duas: conhecer a mesma Curitiba que os moradores vivem e ter a sensação de ser mais um passageiro nas estações tubo, tão características da capital paranaense. Mas o roteiro pelos ônibus de Curitiba tem, porém, um furo: as atrações da região central. Afinal, não vale a pena pagar passagem se é possível conhecer a pé as praças Tiradentes (marco inicial da capital), General Osório e Rui Barbosa.

A linha Circular Centro é uma opção que não circula aos domingos e feriados. Já a linha Santa Cândida-Capão Raso leva ao ponto do Passeio Público. Vale lembrar que a prefeitura lançou há um ano o guia Curta Curitiba a Pé – o fôlder está disponível nos terminais de informação turística.Iniciativa para ninguém se perder

Ver-se perdido em uma cidade de quase 1,8 milhão de habitantes é o pesadelo do turista que visita Curitiba e também de quem vive na cidade. Tanto que uma mobilização pela internet que começou no Rio Grande do Sul já chegou a pontos de ônibus da capital paranaense. Adesivos que vêm sendo colados em terminais e estações convidam os usuários do transporte coletivo a informar, de próprio punho, que linhas passam por pelos pontos.

O nome nacional da campanha é Que Ônibus Passa Aqui. Em Curitiba, a ideia foi abraçada no início deste mês por um grupo pequeno – cerca de dez pessoas, a maioria amigos – que fizeram uma vaquinha para arrecadar cerca de R$ 160. O dinheiro pagou a impressão de 243 adesivos, disponibilizados pela internet pelo grupo de mobilização civil gaúcho Shoot the Shit.

Até agora, os adesivos cor-de-rosa que dão uma bronca na administração municipal sobre a sinalização precária já foram colados em pontos no bairro Juvevê, na Avenida Iguaçu, no Bacacheri, Centro, Hauer, Xaxim, Boqueirão e Alto da Glória. Ainda há mais adesivos a serem colados, conta a atriz e estudante de Relações Públicas Luísa Bonin, uma das organizadoras.

“Notamos que há uma vontade das pessoas de se mobilizar para mudar isso. A mobilização pela internet facilita. Várias pessoas participaram, até mesmo só divulgando ou ajudando na vaquinha”, conta. Conferir a participação popular já deixa o grupo feliz que só, como no dia em que um senhor foi flagrado, caneta em punho, preenchendo o espaço em branco com os ônibus que faltavam e completando as informações liberadas.

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