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Comportamento

Eu odeio Copa

Monopólio da mídia, ufanismo e esquecimento de problemas sociais são os motivos alegados por quem detesta o período de Mundial

Enquanto a maioria dos brasileiros se diverte com a seleção brasileira e a Copa do Mundo, um grupo que não suporta o Mundial procura outras opções |
Enquanto a maioria dos brasileiros se diverte com a seleção brasileira e a Copa do Mundo, um grupo que não suporta o Mundial procura outras opções
 
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Eu odeio Copa

“Eu odeio Copa do Mundo”. A frase, apesar de muito estranha nestes dias que antecedem a estreia da seleção na África do Sul, resume o sentimento de al­­guns brasileiros. Para aqueles que não fazem a menor questão de ver o evento, toda a bajulação em torno dele faz com que se torne ainda mais “insuportável”.Os motivos da aversão normalmente são os mesmos. A enxurrada de notícias sobre o tema nos meios de comunicação, o ufanismo e o esquecimento dos problemas fora das quatro linhas são alguns deles. Somando diversas comunidades no Orkut sobre o tema, pelo menos 2.500 internautas fazem parte do grupo que odeia o campeonato de futebol mais importante do planeta.

Um dos anti-Copa é o mestrando em Filosofia da UFPR, Élcio José dos Santos. Para ele, nesta época aparecem os nacionalistas de ocasião. “É um perío­­do de visível hipocrisia de grande parte da população. O brasileiro, que comumente não se manifesta em relação à coisa alguma do país em que vive, de repente torna-se um patriota, veste-se de verde e amarelo e infla o peito para dizer que é brasileiro”, critica.

Ele ainda lembra dos outros inconvenientes que aparecem de quatro em quatro anos. “Sem contar a algazarra feita nos dias de jogos e os noticiários que aparentam apenas ter notícias da Copa e parecem ignorar o restante do contexto nacional. Além das universidades, escolas, comércios e órgãos públicos que param para ver os jogos”, argumenta.

Santos diz não ser radical, justificando que tudo consiste na prioridade de cada um. “Eu considero o futebol uma perda de tempo, visto que há muitas atividades mais enriquecedoras e construtivas, como uma peça de teatro, uma apresentação musical, a leitura de um livro, um bom filme e um passeio por um local novo”, exemplifica.

Há seis anos ele pensa desta ma­­neira, não tendo inclusive assistido à Copa de 2006. “Na última, enquanto o Brasil jogava eu estava na academia malhando, passeando pelas ruas incomumente calmas do centro de Curitiba, ou estudando”, relembra, já programando o que irá fazer desta vez. “Durante os jogos, estarei provavelmente com um protetor auricular em uma biblioteca ou na minha casa lendo. Se tivesse dinheiro, iria para o interior ou um ambiente mais calmo, bem longe da barulheira.”

Outra que não suporta mais ouvir falar do Mundial é a historiadora Natália Dias Veado. O que mais a irrita é a necessidade de todos pararem o que estão fazendo para acompanhar a seleção. “Estou organizado o Fórum de Museus de Joinville, que ocorrerá na mesma época, e já recebi vários e-mails de participantes perguntando se o evento iria parar durante as partidas”, reclama. “As pessoas se matam, enquanto os jogadores não estão nem aí”, dispara.

Mesmo achando o futebol “chato”, Natália foi obrigada a ceder à pressão. Mas não sem criar uma opção para aqueles que, como ela, nem querem saber o que está ocorrendo na África do Sul. “Eu reservei um ônibus para fazer um roteiro turístico pelos museus de Joinville para os que não gostam de Copa do Mundo. Se eu fosse um participante do fórum, ficaria irritada por não ter outra coisa para fazer neste período. Por isso estou tentando criar algo diferente”, conta.

Após ter a ideia, Natália confessou que ficou com medo de ter que trocar o ônibus por uma van ou mesmo um carro. Mas a procura, pelo que ela esperava, foi grande. “Quinze pessoas já se inscreveram, sendo quase todas mulheres”, relata.

Quem também não a­­guen­­ta mais ouvir, ver e ler sobre a Copa é a design gráfica Adria­­ne de Jesus. “Os jornais na tevê só falam de futebol, com tanta coisa mais importante acontecendo. Fora a barulheira durante os jogos”, reclama, afirmando que ou estará trabalhando ou aproveitando o tempo livre em casa durante as partidas dos comandados de Dunga.Outra indignada é a representante comercial Luciane Macias. Mesmo sendo santista e morando na cidade em que se notabilizaram Pelé e Robinho.

“Eu não odeio o futebol. Odeio este sentimento de não fazer nada além de ver os jogos. Ninguém pensa em ou­­tra coisa”, protesta, afirmando que só verá a estrela do seu time em campos africanos se não tiver nada melhor para fazer.

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