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Kinberly chegou a lutar grávida e agora busca recomeço sonhando com UFC

Lutadora catarinense, sem saber, entrou no octógono grávida de dez semanas em 2015. Ela mora em Curitiba e mira o maior campeonato de MMA

Sem saber, Kinberly lutou grávida de dez semanas. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Sem saber, Kinberly lutou grávida de dez semanas. Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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A catarinense Kinberly Novaes já contava os dias para sua estreia internacional no MMA.

Com um cartel de oito vitórias em dez combates profissionais, a atleta da academia curitibana CM System estava no cartaz do Ressurection Fighting Alliance 29, em Sioux Falls, nos Estados Unidos. O torneio comandado pelo empresário de Anderson Silva, Ed Soares, era o atalho que a peso-palha de 24 anos tanto esperava para chegar ao UFC.

Só que o duelo contra a americana Jocelyn Jones-Lybarger, marcado para 21 de agosto de 2015, nunca virou realidade. E de uma maneira inimaginável, Kinberly acabou ganhando as manchetes mundiais.

“Eu estava treinando para lutar, me sentindo mal, e fui ao médico achando que, sei lá, estava doente. E estava grávida de quase seis meses”, recorda.

O choque foi instantâneo. O desespero também. A joinvilense, que não tinha planos de ser mãe nem em longo prazo, fez as contas e descobriu que havia passado da décima semana de gestação quando entrou no ringue pela última vez, contra Renata Baldan no Noxii Combat 1, em maio.

Além do combate em si, também passou meses fazendo duas ou três sessões diárias de treinos e em dieta restrita, o que poderia ter afetado o desenvolvimento do bebê.

Foram cerca de cinco dias de apreensão para ela e o namorado Jacson Carvalho, que também escolheu a luta como profissão. Somente depois do resultado do ultrassom morfológico que ambos respiraram aliviados e começaram a ver o outro lado da situação: eles seriam pais de Breno, hoje um saudável e brincalhão menino de um ano e três meses.

Uma semana antes da data em que lutaria nos Estados Unidos, a atleta postou um vídeo em sua página pessoal no Facebook onde ela e o parceiro anunciam a gravidez, com o auxílio de cartazes. A mensagem viralizou e atingiu mais de 55 mil visualizações. Repostada pelo portal UOL, superou a barreira de 1,5 milhão de cliques.

E aí Kinberly virou “a garota que lutou grávida”. Ganhou fãs, mas também ouviu muitas críticas. “Meu telefone tocava o dia inteiro, de jornal, revista, site... do Brasil e de fora, querendo fazer entrevista”, conta.

“Tinha muita gente falando bosta, que era absurdo, que era mentira, que eu sabia que estava grávida e não contei. Gente esculachando, como se fosse um absurdo alguém demorar para descobrir. Não é tão incomum em atletas”, ressalta a catarinense, que não tinha notado mudanças no corpo até então.

Depois que Breno nasceu, o casal reviu alguns conceitos. A profissão, antes prioridade acima de qualquer assunto, ainda é importante. Mas agora perde por nocaute para um adversário que mal sabe andar.

“Eu vi que existem coisas mais importantes do que trabalho... Não só a luta, tudo o que a gente faz hoje, eu e meu marido, é pensando nele [Breno]”.

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O pequeno Breno tornou-se prioridade total na vida de Kinberly.Albari Rosa/Gazeta do Povo

O recomeço

Nove meses depois de dar a luz, Kinberly voltava ao ringue de MMA. Em agosto do ano passado, ela adicionou o nono triunfo em seu cartel ao derrotar Bianca Sattelmayer no Aspera Fighting Championship 42, em Cosmópolis (SP).

A logística de treinos mudou por causa do filho, mas o objetivo continua grande. “Eu quero muito chegar no UFC. Têm muitos eventos no mundo onde eu gostaria de lutar também, mas o meu sonho, particularmente, é estar no UFC. E acho que em breve estarei lá”, diz a catarinense.

Curiosamente, a adversária que nunca enfrentou no RFA acabou contratada pelo principal campeonato do esporte alguns meses depois.

Em novembro, a brasileira viajou ao Japão para uma disputa de Shoot Boxing – modalidade parecida com o kickboxing, mas que permite finalizações no chão. Na verdade, ela iria lutar MMA, mas como a rival se lesionou, acabou aceitando o desafio.

Perdeu, mas pelo menos embolsou um importante dinheiro extra. Com apenas um único patrocínio, do fornecedor de material esportivo Tanoshi, Kinberly ainda não consegue viver somente de luta. O casal abriu uma loja de açaí no Centro de Curitiba para complementar a renda.

“Alugamos uma salinha. Começamos do zero. A gente mesmo pintou tudo, reformou, conseguimos móveis baratos, coisas assim. Aí a gente toca lá e treina”, explica a lutadora.

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