• Carregando...
Apesar da oferta em alta, preço médio subiu quase 10% em maio. | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Apesar da oferta em alta, preço médio subiu quase 10% em maio.| Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

A oferta de lojas à espera de novos estabelecimentos comerciais continua em alta em Curitiba. O estoque total fechou o mês de maio com 1.137 unidades, um aumento de 38,2% em relação ao mesmo mês de 2014 e o maior índice desde janeiro do ano passado. Os dados são do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), ligado ao Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR).

Cenário crítico favorece negociação entre proprietários e inquilinos

Para garantir a locação dos espaços ou espantar o fantasma da desocupação dos imóveis, a flexibilidade nas negociações tem sido a arma adotada tanto por proprietários quanto pelas imobiliárias.

Sariva Lima, gerente administrativo de locação da Habitec Administração de Locação, conta que, para fazer frente ao cenário cauteloso do mercado, a empresa tem realizado um trabalho de conscientização junto aos clientes com o objetivo de criar oportunidades para a ocupação das unidades. “Vemos que há uma flexibilização maior por parte dos proprietários, seja em relação aos valores da locação ou à oferta de benefícios ao inquilino, pois a locação reduz os custos do imóvel, trazendo vantagens ao longo do tempo”, acrescenta Luiz Fernando Gottschild, diretor da Imobiliária Razão.

A não aplicação do índice de reajuste ou a redução do valor do aluguel por um período determinado, para que o lojista possa ter um respiro no caixa, estão entre as alternativas adotadas por alguns proprietários, como conta Sariva. A realização de obras de manutenção e melhorias, como a colocação de pisos e forros, também ajuda a manter ou a atrair o inquilino para o imóvel.

De acordo com os especialistas, diferentes fatores contribuíram para o crescimento da oferta, com destaque para o cenário difícil da economia nacional, que tem desestimulado o comércio e retraído novos investimentos. “As dificuldades econômicas e o cenário político têm feito as pessoas esperarem para ver o que vai acontecer. O momento é de cautela”, analisa Sariva Lima, gerente administrativa de locação da Habitec Administração de Locação.

A crise na economia se reflete, também, na elevação da taxa de desocupação dos imóveis, sentida pelas imobiliárias. Fátima Galvão, vice-presidente de locação do Secovi-PR, afirma que 53% dos inquilinos que rescindiram contratos de espaços comerciais em maio – entre lojas, casas e conjuntos comerciais – justificaram a decisão alegando que os negócios não iam bem. Outros 12%, mudaram para um imóvel mais barato.

Assim como ocorreu no segmento residencial, o volume de investimentos direcionado à construção de novos espaços comerciais nos últimos anos impulsionou o crescimento da oferta, acrescenta Luiz Fernando Gottschild, diretor da Imobiliária Razão. Ele não acredita, contudo, que o estoque esteja “exagerado”. Sariva, por sua vez, vê um excesso de produtos no mercado, decorrente do atual cenário de retração econômica.

Preço x tempo

Mesmo com a combinação de oferta abundante e redução da demanda, o preço médio do aluguel das lojas na capital aumentou quase 10% no acumulado deste ano. O custo do metro quadrado passou de R$ 24,79 em janeiro para R$ 27,29 em maio, valores próximos à média de R$ 25 do mesmo período de 2014. “Os preços estão no valor de mercado e devem ficar estabilizados nos próximos anos”, projeta Gottschild.

O tempo médio para a locação, por sua vez, caiu 23 dias em maio deste ano em relação ao mesmo mês de 2014, segundo o Secovi-PR. A gerente da Habitec, no entanto, contesta os dados e diz que o tempo de espera para o fechamento dos contratos tem variado de seis a até oito meses, em média.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]