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Em investigação

Justiça bloqueia valores da campanha AME Jonatas

Pais negam irregularidades. Enquanto os fatos não são esclarecidos, doações serão direcionadas diretamente para o tratamento da criança

  • Da Redação
Imagem postada no perfil “AME Jonatas”, no Facebook: Jonatas segurando o remédio Spinraza | Facebook/Reprodução
Imagem postada no perfil “AME Jonatas”, no Facebook: Jonatas segurando o remédio Spinraza Facebook/Reprodução
 
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Os valores arrecadados em campanha para o tratamento do menino Jonatas Openkoski, de um ano, além de um veículo de R$ 140 mil em nome dos pais da criança, foram bloqueados a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). O órgão suspeita que o dinheiro coletado por meio de doações estaria sendo utilizado para outros fins, em benefício do pai e da mãe, e pediu a abertura de um inquérito para apurar os fatos. Os pais negam qualquer tipo de apropriação indevida. Enquanto isso, todo o dinheiro coletado está em conta judicial, por determinação do juiz Márcio Renê Rocha, da Vara da Infância e Juventude, para ser repassado diretamente para as despesas médicas da criança.

Jonatas tem um ano e sofre de Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença degenerativa, grave e sem cura. No início de 2017, então com seis meses, ele foi internado na UTI do Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, em Joinville, Santa Catarina. Em fevereiro de 2017, os pais começaram uma campanha em um site de arrecadação e no Facebook, por meio do perfil “AME Jonatas”, na tentativa de reunir a quantia necessária para conseguir pagar um tratamento experimental nos Estados Unidos, com base no medicamento “Spinraza”. Até outubro do ano passado, o montante conseguido pelo casal já teria passado dos R$ 3 milhões, valor utilizado para a primeira parte do tratamento. Depois dessa fase, as outras doses do remédio deverão custar R$ 1,5 milhão por ano.

Leia também: O Estado pode impedir pais de tentar salvar um filho doente?

O pedido de bloqueio veio após denúncias de que os pais da criança estariam desviando os recursos. Procurados pela 4ª. Promotoria de Justiça de Joinville, os pais participaram de audiência em 31 de outubro de 2017, na qual se prontificaram a prestar contas dos gastos efetuados com o dinheiro arrecadado para Jonatas, mas nunca cumpriram esse acordo.

No início de 2018, novos relatos apontaram que o casal teria passado o ano-novo em Fernando de Noronha e adquirido um veículo de R$ 140 mil. “O fato, salvo melhor juízo, demonstra que não se pode descartar, pelo menos nessa análise inicial, possível utilização de parte das doações para fins distintos daquele almejado: a garantia do direito à saúde de Jonatas”, afirmou a Promotora de Justiça Aline Boschi Moreira.

O juiz da Infância e Juventude da Comarca de Joinville deferiu o pedido feito pelo Ministério público e fez o bloqueio dos bens. A solicitação de investigação foi encaminhada à Delegacia Regional de Polícia de Joinville.

Outro lado

No Facebook, os pais do menino dizem estar sofrendo uma perseguição e que a vida de Jonatas corre risco. “Após a primeira dose do medicamento Spinraza nosso guerreiro apresentou muitas melhoras já mexendo os pés e as mãos que algum tempo já não mexia, mais devido a um movimento em redes sociais contra a campanha do Jonatas e denúncias ao MPSC foi pedido o bloqueio preventivo das contas do Jonatas”.

Os pais citam que o menino receberia a segunda dose do remédio no dia 21 de janeiro, caso os bens não tivessem sido bloqueados. O Juízo da Infância e Juventude da Comarca de Joinville garantiu que todos os valores que forem necessários para o tratamento da criança serão repassados mediante prestação de contas.

Em outro post (veja abaixo), pais relatam terem sido alvo de ataques, ameaças de morte e xingamentos. “(...) Fizemos uma campanha para fazer o tratamento do nosso filho e estamos fazendo o seu tratamento, ele é acompanhado pelos melhores profissionais seus aparelhos são os melhores, damos muito amor carinho, cuidamos da melhor maneira possível”, escrevem. “Estamos lutando pelo nosso filho e sempre lutaremos, pedimos a gentileza de quem não quer ajudar [que] não atrapalhe com seus comentários maldosos”.

*** Com informações da assessoria de imprensa do MP-SC.

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