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O exército sírio bombardeou Aleppo, capital econômica da Síria, este sábado, onde os rebeldes tentaram controlar, sem sucesso, o prédio da televisão estatal, um dia depois da resolução da ONU denunciando a impotência da diplomacia para deter o conflito.

Os rebeldes, entrincheirados há mais de duas semanas em Aleppo (ao norte de Damasco) e cujo controle é crucial para o fim do conflito, enfrentavam o ataque da artilharia e da aviação síria, prelúdio de uma grande batalha, segundo uma fonte da segurança.

Estes bombardeios, os mais intensos já vistos em Aleppo, segundo militantes, começaram um pouco depois que a Assembleia Geral da ONU adotou, na sexta-feira, por ampla maioria, uma resolução simbólica que lamenta a impotência do Conselho de Segurança no conflito da Síria, uma crítica implícita a Moscou e Pequim que bloquearam todos os projetos de resolução para condenar o regime de Bashar Al-Assad.

Pequim rejeitou as críticas e o embaixador russo na ONU, Vitali Churkin, cujo país é o maior aliado do regime de Damasco juntamente com o Irã e a China, afirmou que a resolução é um "apoio flagrante" à oposição armada.

Diante do fracasso da diplomacia que levou ao mediador das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, a renunciar, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, qualificou o conflito como "guerra indireta" entre países da região que fornecem armas aos dois grupos.

"Reconheço que será difícil avançar de um ponto de vista político", disse Ban, apesar de esperar progressos no campo "humanitário".

Combates em Aleppo e Damasco

Em terra, a violência se intensificou neste sábado. A aviação e a artilharia bombardearam vários setores em mãos rebeldes, com particular intensidade nos bairros de Shaar e Sajur, no leste, e Salahedin e Seif al Dawla, no oeste.

O bastião rebelde de Salahedin foi esmagado pelos "bombardeios mais violentos desde o começo da batalha, mas o exército de Bashar Al-Assad não conseguiu avançar", disse à AFP o coronel Abdel Jabar Oqaidi, chefe do comando militar do Exército Livre Sírio (ASL, integrado por desertores e civis armados).

Uma fonte pela segurança da região declarou que esses ataques não são mais que o início de uma grande batalha.

Pelo menos 20.000 militares foram enviados como reforço a Aleppo, segundo este responsável que também afirmou que os rebeldes fazem o mesmo.

Depois de ter controlado nos últimos dias várias delegacias, os rebeldes lançaram este sábado um ataque ao edifício da televisão e puseram explosivos a seu redor, antes de se retirarem por causa de bombardeios aéreos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

A agência oficial Sana afirmou que "os terroristas atacaram civis e o edifício, mas os soldados o defenderam".

Em Damasco, a capital da Síria onde há alguns bolsões rebeldes, os insurgentes do bairro de Tardamun (sul) continuaram sob ataque do exército, explicou o OSDH.

Segundo a agência oficial, o exército matou e deteve "grande número de terroristas" neste bairro.

O general de brigada em Tadamun, que não quis ser identificado, afirmou que o exército sírio possui agora o controle da capital.

"Nós limpamos todos os distritos de Damasco, de Al-Midan a Mazze, de Al-Hajar Al-Aswad a Qadam... a Tadamun", afirmou o general, que liderou a operação militar em Tadamun.

"A situação em Damasco é excelente e estável. Já não há presença de grupos armados, com exceção de alguns indivíduos que se deslocam de um lugar para o outro para provar que existem", acrescentou.

O general informou que a operação contra Tadamun começou na sexta-feira pela manhã "para responder à demanda da população" e foi encerrada neste sábado às 14H00 (08H00 de Brasília).

Julho, o mês mais sangrento do conflito

O OSDH informou que um apresentador da televisão estatal, Mohamad Al Said, sequestrado em meados de julho na sua casa de Damasco, foi executado pelo grupo islamita Al Nosra, que reivindicou seu assassinato.

Em Damasco, importante centro de peregrinação xiita, "grupos armados terroristas sequestraram 48 peregrinos iranianos que iam de ônibus ao aeroporto", segundo informou o cônsul iraniano, Majid Kamjou.

A ONG publicou um primeiro balanço de 28 mortos, seis deles na província de Damasco e 16 em Deir Ezor (leste).

A maior parte da província de Deir Ezor, que faz fronteira com o Iraque, está nas mãos dos insurgentes. Setenta por cento dos habitantes da cidade de mesmo nome foram embora, segundo o OSDH que coleta as informações com sua rede de militantes e testemunhas.

A Cruz Vermelha Internacional pediu às partes em conflito que respeitem "plenamente" o direito internacional humanitário depois do mês de julho que, segundo o OSDH, foi o mais sangrento desde que o começo da revolta na Síria, em março de 2011, que já causou um total de 21.000 mortes.

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