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Negociação

Putin tentará revigorar plano de paz na Síria em reunião com Annan

A visita de Annan coincide com um aumento da escalada da violência no país árabe e um maior tom nas críticas contra o mediador por parte dos países da região e das grandes potências, que parecem ter perdido a fé no plano de paz

15/07/2012 | 12:36 |
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tentará revigorar o plano de paz na Síria em uma reunião que terá na próxima terça-feira (17) com o mediador internacional da ONU, Kofi Annan, mostrando um envolvimento mais direto na busca de uma solução diplomática para o conflito.

Durante essa reunião, Putin "expressará mais uma vez o apoio da Rússia ao plano de paz de Annan para estabelecer uma saída político-diplomática para a crise na Síria", anunciou neste domingo (15) o Kremlin através de nota oficial.

"A Rússia parte do ponto de que esse plano é a única plataforma capaz de solucionar os problemas internos na Síria", acrescenta o comunicado divulgada pelas agências locais.

Putin sempre deu respaldo ao plano de Annan por considerar que o seu cumprimento por parte do regime de Bashar al Assad e pelos rebeldes é a melhor forma de evitar uma guerra civil no país árabe. No entanto, até agora o líder russo tinha se mantido à margem dos trabalhos de mediação, e se limitado a negar que Assad seja um amigo do Kremlin.

A visita de Annan coincide com um aumento da escalada da violência no país árabe e um maior tom nas críticas contra o mediador por parte dos países da região e das grandes potências, que parecem ter perdido a fé no plano de paz.

O Kremlin opina que o Ocidente quer pôr fim à missão da ONU e facilitar o caminho para uma interfência estrangeira na Síria seguindo o roteiro líbio: sanções internacionais, embargo aéreo, intervenção militar ocidental e mudança de regime.

Por isso, a Rússia rejeitou o novo projeto de resolução apresentado nesta semana pelo Ocidente no Conselho de Segurança, argumentando que condenaria ao fracasso a missão dos 300 observadores das Nações Unidas no país árabe. O projeto dá um ultimato de dez dias a Damasco para o cessar do uso de armamentos pesados.

Em caso contrário, Ocidente ameaça com a imposição de duras sanções diplomáticas e econômicas incluídas no capítulo 7, que contempla também medidas de força contra os países que puserem em perigo a paz e a segurança mundiais.

Moscou considera inadmissível que o Ocidente vincule a estadia da missão da ONU com o cumprimento de uma série de condições somente por parte do regime sírio e não pela oposição, que conta com o claro apoio dos Estados Unidos e dos países europeus.

De fato, a resolução alternativa proposta pela Rússia pede o prolongamento por mais três meses da missão dos boinas azuis, cujo prazo expira no próximo dia 20, alegando que é a única forma de saber o que ocorre realmente no país árabe.

"Embora trabalhem em condições difíceis, de todas formas, a missão permite obter informações objetivas. Por isso, a saída dos observadores da ONU da Síria dificultaria a situação", afirmou Gennady Gatilov, vice-ministro de Relações Exteriores.

O mediador na Síria se reunirá amanhã com o chanceler russo, Sergei Lavrov, que pedirá a Annan que chame a oposição para negociar com as autoridades do regime.

"Annan é o principal negociador nesse processo, mas infelizmente não vemos resultados práticos de seus contatos com os opositores", disse Gatilov.

O diplomata russo pediu ao Ocidente que tente convencer a oposição síria a se ater ao diálogo político com o regime, um dos pontos do plano de paz, já que os pedidos para que Assad deixe o poder "só levarão a um beco sem saída".

A Rússia condenou o massacre ocorrido na última quinta-feira na cidade síria de Tremseh, onde morreram mais de 200 pessoas, e pediu uma investigação do episódio.

No entanto, enquanto Ocidente e Annan acusam diretamente o regime sírio de seguir utilizando armamentos pesados nas cidades, Moscou deu a entender que os autores do massacre são grupos antigovernamentais aos quais convém instigar um conflito civil para derrubar Assad.

Putin receberá nesta semana o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que é um dos inimigos mais ferrenhos do regime de Assad.

Erdogan alega que a comunidade internacional não pode cometer o mesmo erro que na antiga Iugoslávia e ficar com as mãos cruzadas enquanto na Síria ocorre um massacre após o outro. Assad, por sua vez, acusa a Turquia de apoiar abertamente os "terroristas" que combatem seu regime há pelo menos um ano e meio.

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