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EUA conseguem que G20 retire mudanças climáticas de comunicado

Condenação ao protecionismo também saiu de documento final

  • Baden-Baden, Alemanha
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 | Alexander Khudoteply/AFP
Alexander Khudoteply/AFP
 
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O governo americano de Donald Trump, hostil ao livre comércio e cético sobre mudanças climáticas, influenciou na cúpula do G20 das Finanças e conseguiu, neste sábado, que retirassem do comunicado final menções ao protecionismo e ao Acordo de Paris sobre o clima. “Trabalhamos para reforçar a contribuição do comércio para as nossas economias”, se limita a afirmar a declaração negociada trabalhosamente na cúpula do G20 das Finanças, que ocorreu na sexta-feira e neste sábado em Baden-Baden, reunindo ministros das Finanças das grandes economias e das principais nações emergentes do mundo.

A tradicional condenação ao protecionismo econômico desaparece, desta vez, do comunicado final de cinco páginas. “A linguagem histórica [do G20 em seus comunicados] não era pertinente, e o que é pertinente é que concordamos como grupo: aumentar a contribuição do comércio a nossas economias”, comentou o novo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, em coletiva de imprensa ao fim da reunião. Este G20 das Finanças foi a primeira reunião multilateral para o secretário do Tesouro americano.

O comunicado do G20 das Finanças tampouco menciona o Acordo de Paris de 2015, como foi feito no informe anterior divulgado após a cúpula do G20 de Hangzhu, em 2016. Segundo várias fontes, a nova administração de Donald Trump nos Estados Unidos se opôs a mencionar estes temas.

“Uma divergência entre um país e os demais”, resumiu o ministro francês das Finanças, Michel Sapin, em coletiva de imprensa. “Lamento que nossas negociações não tenham chegado a um bom termo sobre duas prioridades absolutamente essenciais (...) sobre as quais a França deseja que o G20 siga atuando com firmeza e de maneira coordenada”, acrescentou Sapin em comunicado.

Salvando aparências

A Alemanha, que preside neste ano o G20, quer evitar qualquer confronto ou fissura que seja muito aparente, e tentou minimizar estas rupturas com a doutrina do G20. “Os americanos não estão isolados. O papel da presidência [do G20] é reunir, não isolar”, declarou durante a coletiva final o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble.

De forma geral, os participantes destacaram que o crescimento da economia mundial está progredindo. “É evidente que as coisas vão melhor do ponto de vista da conjuntura mundial”, comentou Sapin. “O crescimento é reforçado em todo o mundo”, disse a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, em um comunicado.

Nos demais temas recorrentes neste tipo de cúpula, como a luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, assim como o esforço contra a otimização fiscal, houve consenso, na linha dos comunicados habituais do grupo. O mesmo ocorreu com o tema das taxas de câmbio das moedas, algo sensível após as recentes declarações de Washington sobre a divisa chinesa e a europeia.

Entre os novos temas, o G20 também expressou sua preocupação com as possíveis consequências da cibercriminalidade nos sistemas financeiros internacionais e pediu ao Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) uma implementação de normas e práticas a respeito.

Novo encontro

Diante das divergências dos Estados Unidos sobre comércio e clima, a responsabilidade de encontrar uma solução – ou confirmar uma ruptura – ficou a cargo dos chefes de Estado e de governo do G20 que se reunirão em julho, em Hamburgo. “A luta contra a mudança climática requer a mobilização do conjunto dos países do G20, inclusive na questão do financiamento. Estou certo de que os chefes de Estado e de governo reafirmarão em julho o pleno compromisso da comunidade internacional com o Acordo de Paris”, declarou o ministro Sapin.

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