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 | Olivier Schrauwen/The New York Times
| Foto: Olivier Schrauwen/The New York Times

É verão em metade do globo terrestre. Nesse período, em que acontecem os dias mais quentes do ano, o pessoal que trabalha nos escritórios vive tiritando de frio. As reclamações lotam o Twitter; são posts do tipo: “Daria até para manter cadáveres na minha sala de tão fria que está”. E os blogs de moda oferecem sugestões fáceis e práticas de como se proteger das baixas temperaturas.

Por que os EUA e outros países estão exagerando no ar condicionado? Parece absurdo, considerando-se o dinheiro e a energia gastos no costume. Arquitetos, engenheiros e especialistas em energia se exasperam quando pedimos uma explicação. E levantam vários motivos, sendo talvez o mais irritante o aspecto cultural.

Em declínio, Roma perde a fé no prefeito

A grama de algumas praças públicas está quase na altura do joelho; os funcionários do metrô, insatisfeitos, trabalham lentos, em uma verdadeira “operação tartaruga”; um incêndio deixou o maior aeroporto da cidade abarrotado e caótico.

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“Poder fazer as pessoas sentirem frio no verão é um sinal de poder e prestígio”, afirma Richard de Dear, diretor do laboratório de Qualidade Ambiental Interna da Universidade de Sydney, na Austrália, onde a refrigeração excessiva é tão predominante quanto nos EUA. E afirma que o problema é ainda mais grave em certas partes do Oriente Médio e da Ásia.

Segundo os corretores imobiliários e as administradoras dos edifícios, os inquilinos especificam a chamada “capacidade de refrigeração” no contrato de aluguel para garantirem o benefício.

As lojas exclusivas são ainda mais geladas que as populares. Há também a ideia errônea de que o frio estimula a produção dos funcionários quando, na verdade, as pesquisas mostram o contrário. Estudos mostram que as pessoas trabalham menos e cometem mais erros quando a temperatura do ar está entre 20-22°C do que entre 23-24°C. Alguns indicam até que o frio causa mudanças psicológicas, tornando as pessoas mais desconfiadas.

O problema é agravado pelas administradoras de prédios que, de acordo com as pesquisas, geralmente não elevam a temperatura no verão, quando as pessoas usam roupas mais leves.

Os sistemas de ar condicionado geralmente são projetados para o caso mais drástico, ou seja, funcionamento máximo e contínuo no dia mais quente do ano. Para essa base de cálculo, porém, os projetistas devem ter usado computadores mais antigos e iluminação menos eficiente, que irradiam muito mais calor que as máquinas e lâmpadas atuais. E os explicam que, de quebra, ainda jogam uma correção de vinte por cento para cima, só para garantir.

Dispositivos para um lar inteligente ainda não encantam economicamente

Dustin Bond cortou sua conta de luz no verão passado em cerca de 40 por cento graças a um termostato digital em sua casa em Utah.Seu termostato Nest monitora a temperatura de dentro e de fora da casa e as idas e vindas da família, oferece sugestões de economia de energia e envia notificações para um aplicativo de smartphone.

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“É a mesma coisa que ter um carro envenenado, mas precisar ficar com o pé no acelerador o tempo todo para ele não morrer”, compara Edward Arens, professor de Arquitetura da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Paradoxalmente, outra razão para o ar condicionado excessivo é a construção eficiente em termos energéticos. Vedação e isolamento bem feitas impedem a entrada de ar fresco – e aí o ar frio tem que continuar circulando para manter o padrão de qualidade obrigatório dos níveis de dióxido de carbono que se acumula na ausência da aragem externa. A friagem também controla a umidade, que dá origem ao mofo.

Enquanto arquitetos como Arens culpam os engenheiros por criarem sistemas de ar condicionado com capacidade excessiva, esses responsabilizam os arquitetos por terem geralmente aversão estética aos termostatos.

“Os arquitetos tentam convencer os engenheiros mecânicos a esconder os sensores para não interferirem em seus belos projetos”, explica Jon Seller, gerente geral da Optegy, uma consultoria de gestão de energia baseada em Hong Kong, especializada em ar condicionado. E o resultado é que eles acabam sendo colocados em lugares escondidos, como saídas de ar no teto, onde fornecem leituras menos precisas por causa do calor que sobe e fica na parte superior do ambiente.

Boias no fundo do mar geram energia limpa na Austrália

Na costa da Austrália Ocidental, três boias parecem águas-vivas gigantes presas ao fundo do mar. As máquinas de aço, de onze metros de largura, são atingidas permanentemente pelas ondas do Oceano Índico.

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Cientistas da computação desenvolveram um aplicativo para smartphone que transforma as próprias pessoas em termostatos: os usuários dizem ao Comfy se estão com calor, frio, ou confortáveis; o programa aprende o padrão e diz ao sistema quando e aumentar ou diminuir a refrigeração. E os desenvolvedores da novidade garantem que os edifícios que possuem o equipamento conseguem uma economia de até 25 por cento nos gastos com ar condicionado.

“Temos inúmeros dados que provam que as pessoas se sentem mais à vontade quando têm pelo menos uma parcela de controle”, diz Gwelen Paliaga, chefe do comitê que desenvolve padrões de conforto térmico para a Sociedade Norte-Americana de Engenharia de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado.

É claro que, por ar fresco e conforto, engenheiros e arquitetos concordam que o controle mais efetivo continua sendo o abrir e fechar das janelas. Não precisa de aplicativo.

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