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Representantes de seis potências mundiais fizeram um novo apelo ao Irã nesta sexta-feira para que aceite um plano da Organização das Nações Unidas (ONU) para que abandone o enriquecimento de urânio, enquanto o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) alertou Teerã a não perder a oportunidade de resolver a questão. A AIEA é o braço da ONU que monitora o uso da energia nuclear.

Um funcionário da União Europeia disse que não ocorreu nenhuma menção a respeito de impor novas sanções contra o Irã pela recusa do país em suspender suas atividades de enriquecimento de urânio. Participaram do encontro representantes dos cinco integrantes permanentes do Conselho de Segunda da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha) e da Alemanha.

"Essas coisas (as sanções) são algo que deve ser feito no tempo certo e agora não é o tempo certo para isso", disse o funcionário, que falou sob anonimato.

Em Washington, Robert Wood, porta-voz do Departamento de Estado, disse que os EUA ainda não desistiram da esperança de que o Irã aceitará o acordo proposto pela AIEA, para que o urânio seja processado na Rússia. "Nós continuamos a insistir com o Irã que aceite esse acordo a respeito do reator de pesquisas de Teerã. Nós achamos que é um bom acordo", disse Wood.

Sob o plano da AIEA, o Irã enviaria seu urânio para ser enriquecido na Rússia e na França, onde seria transformado em combustível para as usinas nucleares e depois seria devolvido ao Irã.

Em comunicado conjunto após a reunião, os enviados das seis nações notaram que o Irã não se envolveu em um diálogo mais intenso, nem aceitou um encontro previsto para antes do fim de outubro.

Mais cedo, o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, havia dito em Berlim que o Irã ainda não entregou sua "resposta final" para a oferta internacional sobre combustível nuclear. "Eu não considero que tenha recebido uma resposta final", afirmou ElBaradei, que está prestes a deixar o cargo. "Mas também espero que eu receba uma resposta muito rápido", continuou.

"Nós não recebemos qualquer resposta por escrito do Irã. O que eu recebi foi uma resposta oral, que basicamente diz que 'nós precisamos manter todo o material no Irã, até que consigamos o combustível'. Isso para mim foi um caso de extrema incompreensão", notou ElBaradei.

Em uma tentativa de levar o Irã a negociações e garantir que suas ambições nucleares são pacíficas, as seis potências mundiais ofereceram que o país reprocesse seu urânio pouco enriquecido no exterior. Com isso, aumentaria o controle internacional sobre o material, reduzindo os temores de um programa secreto para construção de armas.

O Irã, porém, aparentemente rejeitou a proposta na quarta-feira, levando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a ameaçar com "consequências", caso a posição seja mantida. Teerã já foi alvo de três rodadas de sanções no Conselho de Segurança da ONU por se recusar a interromper seu programa nuclear. O governo iraniano, porém, afirma que tem apenas fins pacíficos, como a produção de energia.

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