Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Enkontra.com
PUBLICIDADE

artigo

A educação do Brasil não vai bem, mas ainda sonho com as melhoras

  • Samuel Ramos Lago
 
0 0 COMENTE! [0]
TOPO

Sonhei e continuo sonhando. Por que quero contar sobre os meus sonhos? Para estimular meus colegas professores a sempre pensar grande e ter visão prospectiva da vida. Quem sonha e realiza faz acontecer, faz a diferença! Já criei cerca de 150 pensamentos (quando chegar aos 200, publico mais um livro) e gosto muito deste: “Seremos aquilo que sempre formos capazes de sonhar, crer, ousar, realizar!” (até rimou). Bem nessa sequência. Pessoas que mudaram o mundo para melhor foram aquelas que tiveram um sonho (desejo), creram nele, ousaram e o tornaram realidade.

Certa vez, na Itália, em Florença, visitando a igreja de Santa Croce, construída no ano de 1252, comecei a passar os olhos nos nomes das pessoas que ali foram sepultadas ou homenageadas. Tremi na base! Tanto que, numa outra viagem à Itália, fiz questão de ficar um mês e voltar a essa mesma igreja em Florença. Lá estão sepultados ou representados, em fantásticas esculturas e pinturas, músicos, cientistas, escultores e poetas tais como Michelangelo, Maquiavel, Leonardo Bruni (político), Rossini, Dante Alighieri, Galileu Galilei! Pessoas fantásticas que, no curto espaço de uma vida, deixaram sementes que, em alguns poucos séculos, modificaram o mundo! Modificaram porque não tiveram medo de pensar, duvidar, contestar e inovar.

Fato é que, mesmo com a globalização, as mudanças no nosso país são lentas como o andar de uma lesma! Pouco significativas. Predomina a maldita visão conteudista estéril, sem sentido e sem prazer. Sem um “para quê”! Consequências: bullying, repetência e evasão escolar. Professor é alguém que professa algo ou ideais. Professei muita coisa idiota, sem sentido! A escola tradicional moldou-me assim. Mas, há décadas, novas fichas caíram e comecei a mudar minha visão de educação. Para melhor! Para a vida!

Mesmo com a globalização, as mudanças no nosso país são lentas como o andar de uma lesma

Hoje me arrependo profundamente das muitas asneiras que ensinei aos alunos. Coisas sem sentido e, consequentemente, não prazerosas. Pura compulsão de repetência. Pura visão anacrônica, conteudista. Procurava fazer o melhor, mas o meu melhor estava longe do que hoje penso que devemos ensinar: ferramentas para a vida! Ética, valores, habilidades, competências, inter-relações. Ensinar a pensar, duvidar, questionar. Ensinar conteúdos significativos. Informação não é conhecimento e muito menos sabedoria! Não basta mais saber, tem de saber fazer! Mas antes de fazer é preciso pensar diferente sobre o que se faz. Mais importante do que saber é aprender como usar esse saber. Educar é ensinar a pensar! Todos temos de reaprender a ver a floresta e não apenas as árvores isoladas. “Árvores” são as disciplinas ensinando conteúdos isolados sem sentido. A “floresta” é um todo maravilhosamente inter-relacionado, significativo, prazeroso.

E, dentre estes milhares de sonhos, compartilho oito deles: sonho com o dia em que pudermos ter escolas e propostas como as da Suíça, Noruega, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Canadá. O dia em que tivermos diretores, coordenadores, professores dispostos a inovar, tirar a educação da mesmice conteudista em que se encontra; que entendam o que um outro biólogo, como eu, Jean Piaget (1896-1980), afirmou: “só se aprende o que tem sentido, o que é prazeroso”, que entendam que conteúdos sem sentido são indigestos, serão “deletados” após a avaliação. O dia em que realizarmos uma “lipoaspiração curricular” efetiva, eliminando gorduras, apresentadas em forma de conteúdos desnecessários e sem sentido para o aluno na vida prática. O dia em que priorizarmos conteúdos significativos, ética, valores, o pensar, perguntar, questionar, inter-relacionar. O dia em que formos capazes de mudar nosso arqueozoico processo de avaliação. O dia em que priorizarmos a Pedagogia de Projetos, como vem sendo realizado na Escola da Ponte, em Portugal. O dia em que fizermos o “casamento” entre informática e conteúdos significativos, o questionar e o pensar. E o dia em que o professor for melhor remunerado, mas também cobrado na busca de melhores resultados.

Será que estou sonhando demais em desejar tudo isso para nossos alunos, filhos e netos?

No dia do professor, um abraço fraternal a todos os meus queridos colegas!

Samuel Ramos Lago, professor, educador, biólogo e empresário, é autor de mais de 50 livros.

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Opinião

PUBLICIDADE