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A escola não pode ficar indiferente às situações de violência

Favorecer o debate e a participação efetiva dos estudantes é um caminho democrático e de mudança de paradigma

  • Hortência Brito Novais
 | Pixabay
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Autores renomados têm lançado livros sobre autoconhecimento, conhecimento sobre o outro – em todos os seus aspectos –, propondo uma sociedade menos agressiva, mais acolhedora. O historiador Leandro Karnal e a Monja zen budista Coen Sensei lançaram recentemente livro para refletir sobre a intolerância e sobre como transformar uma cultura de violência em cultura de paz.

A reflexão deve se expandir o máximo possível. A escola, por exemplo, deve se apropriar dessa discussão, afinal o espaço escolar é o ambiente das relações sociais que marcam e estruturam o processo de socialização e de diferentes experiências para os estudantes, para os educadores e para a comunidade escolar. É lugar de reflexões sobre a não-violência, de fomentar pensamentos e ações sobre a superação das violências, sobre a efetivação de políticas públicas que transformem espaços juvenis em espaços de dignidade, de direitos garantidos, de bem-estar, de saúde e de lazer na superação das desigualdades sociais e das violências nas diferentes esferas.

Com o enfraquecimento da ética em diferentes setores que também são referenciais, é um desafio para a escola realizar o seu agir educacional

Enquanto fenômeno social, a violência se espalha constantemente nas mídias – incluindo as sociais – como atrativo da banalização, crescendo drasticamente, de modo a tornar-se um desafio para as escolas, garantindo que o tema ‘violência’ seja trabalhado em seus currículos pedagógicos. E a Campanha da Fraternidade deste ano veio justamente para dialogar sobre a superação das violências na escola.

Com o enfraquecimento da ética em diferentes setores que também são referenciais, é um desafio para a escola realizar o seu agir educacional de maneira dialogal e de encontro às violências, às desigualdades, à desvalorização da vida, entre outras situações.

E para que esse modo de agir seja autêntico, é necessário fundamentar a educação a partir da multidisciplinaridade, da ética, das normas da instituição, considerando uma pedagogia da não-violência por meio da formação integral.

Leia também: Abuso sexual, um tabu? (artigo de Raquel Heep, publicado em 15 de maio de 2018)

Nossas convicções: A dignidade da pessoa humana

Favorecer o debate e a participação efetiva dos estudantes é um caminho democrático e de mudança de paradigma que proporciona aprofundamento estratégico mediante a metodologia utilizada e fortalece as ações que a escola propõe no processo educacional para a cidadania e para a paz, mantendo um espaço de comunicação permanentemente aberto à escuta.

Uma instituição de ensino que viabiliza a criticidade dos estudantes e identifica o foco das violências assume o compromisso de implementar métodos que geram mudanças e qualidade educacional para a paz em um ambiente em que se busque viver dimensões atitudinais sociais do bem viver. A educação perpassa todo o contexto histórico nas dimensões social e individual dos seres humanos.

Por fim, a escola também não pode ficar indiferente às situações violentas, não pode ser espaço de polarização, tem de ser espaço de sinergia para a vida.

Hortência Brito Novais é agente de pastoral do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo.

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