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A interferência humana nas mudanças climáticas

O papel dos cientistas é apresentar os fatos, as perspectivas e as consequências, mas a decisão sobre o que fazer com eles envolve a todos

  • Leila Teresinha Maranho
 | Martin Hartley/
 AFP
Martin Hartley/ AFP
 
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Estima-se que o planeta Terra tem aproximadamente 4 bilhões de anos. Durante esse período, ele passou por diferentes transformações que foram divididas em eras geológicas. Essas eras correspondem a grandes intervalos de tempo que foram divididos, ainda, em períodos. Evidências demonstram que em todos esses períodos houve alguma extinção em massa, isto é, o decréscimo da biodiversidade devido à extinção de vários grupos de seres vivos ao mesmo tempo. As causas dessas extinções podem variar, mas são fortes as evidências que indicam que elas não sejam resultado de um fato isolado, mas da combinação de vários fenômenos. Entre os principais acontecimentos podem ser citados choques de asteroides, erupções vulcânicas e alterações climáticas.

A história do clima da Terra nos mostra que as eras do gelo vêm e vão e são causadas por mecanismos naturais que a humanidade é incapaz de controlar. E que, ao longo da história, a extinção de espécies e mudanças climáticas são comuns. A raiz de muitos problemas ambientais, se não todos, nos coloca diante do problema do tamanho da população humana. Erroneamente, diz-se que a população global tem crescido exponencialmente. No entanto, em uma população que cresce exponencialmente, a taxa de aumento por indivíduo é constante. Mas a população humana cresce a uma taxa em aceleração.

A mudança climática é um problema global com graves implicações

Mais pessoas significam aumento por demanda de energia e maior consumo de recursos não renováveis, como combustíveis fósseis, petróleo, carvão e gás natural. Esses combustíveis se originaram a partir de restos de seres vivos que foram se depositando ao longo de milhões de anos em camadas muito profundas da crosta terrestre, transformados pela ação da temperatura e pressão. Em curto prazo de tempo, o homem os explora e os queima, liberando para a atmosfera grandes quantidades de carbono, quantidades estas que foram acumuladas há cerca de 65 milhões de anos.

Sem dúvida nenhuma, o uso de combustíveis fósseis tem fornecido energia para transformar grande parte do nosso planeta por meio do desenvolvimento industrial, da agricultura intensiva e da urbanização. Entretanto, é evidente a interferência das ações humanas sobre uma diversidade de problemas ambientais, entre os quais estão as mudanças climáticas. A compreensão das mudanças climáticas envolve muitos fatos; a evidência é bastante clara a partir de observações e análises, mas os fatos não são suficientes. O papel dos cientistas é apresentar os fatos, as perspectivas e as consequências, mas a decisão sobre o que fazer com eles envolve a todos.

Leia também:  Trump esquenta o clima (artigo de André Ferretti, publicado em 2 de junho de 2017)

Leia também:  Por um planeta que não tem plano B (artigo de Nelton Friedrich, publicado em 9 de dezembro de 2015)

Assim, os valores, a equidade entre nações e gerações, os interesses, o princípio da precaução, a ideologia e muitos outros fatores entram em jogo para decidir se não devemos fazer nada e sofrer as consequências, ou se devemos agir. O fato é que a mudança climática é um problema global com graves implicações – ambientais, sociais, econômicas, políticas – e representa um dos principais desafios com que a humanidade se depara nos dias atuais e, certamente, enfrentará em um futuro não muito distante. Os cientistas têm dois desafios urgentes: avançar no conhecimento científico e envolvê-lo integralmente nas políticas locais, nacionais e globais.

Leila Teresinha Maranho, bióloga e doutora em Engenharia Florestal, é coordenadora do mestrado profissional em Biotecnologia Industrial da Universidade Positivo.

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