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Arma não é brinquedo

  • Luis Cláudio Galhardi
 
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Nossa humanidade, ao longo da história, construiu no planeta Terra uma “cultura de violência” e uma linguagem bélica que se perpetua no processo civilizatório e no momento tecnológico dos dias atuais. Esta cultura é difundida por inúmeras instâncias da sociedade: meios de comunicação, escola, família, instituições religiosas e partidos políticos, entre outros.

Existe uma cultura “oculta” que incentiva a violência. Homenageamos nossos “guerreiros” com estátuas, nomes de ruas, praças. Criamos personagens “guerreiros” para histórias infantis, desenhos animados, videogames, camisetas, passando de pai para filho o paradigma da guerra, exaltando os libertadores e esquecendo os oprimidos. Nossas cantigas de roda estão repletas de letras que justificam essa violência – “guerreiros com guerreiros”, “quem não marchar direito vai preso no quartel” – e assim, desde o leite materno, vamos alimentando essa cultura milenar violenta.

De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa para Paz de Estocolmo (Sipri), em 2009 os gastos militares de todo o mundo atingiram US$ 1,53 trilhão, 6% de aumento em relação ao ano anterior (2008). Em episódio internacional recente, o país que mais investe em gastos bélicos no planeta propôs invadir outro país em guerra civil. “Vamos fazer uma guerra para acabar com a guerra”, dizia-se. Um outro país, que vende armas para um dos lados do conflito, propôs uma solução diplomática, afinal seu contrato de venda de armas é anterior ao Tratado Internacional de Comércio de Armas, assinado só agora em 2013 pelos países da ONU. O processo que proibirá definitivamente a prática de venda de armas para países em guerra ainda está em andamento; portanto, hoje é legal, mas imoral.

É o ser humano geneticamente violento? O Manifesto de Sevilha (Unesco, 1989) diz que não; que são os condicionamentos históricos e culturais que nos trazem a essas manifestações de violência.

A história da Índia quebra paradigmas. Gandhi afirmou que “a humanidade somente acabará com a violência através da não violência”. Não cooperar com a violência, praticar a desobediência civil foi a sua estratégia. Por que, então, em vez de incentivarmos as crianças a brincar com “armas de fogo” (ainda que de plástico), nós, adultos, não as incentivamos a brincar de salvar o planeta? Nossos inimigos são nossos hábitos atuais de consumo. Não protegeremos nossa civilização investindo na indústria bélica.

O jornalista André Trigueiro, em visita recente a Londrina, afirmou em seu programa semanal Mundo Sustentável: “Londrina tangibilizou a paz. Não há mundo sustentável sem paz”. O Movimento Pela Paz e Não Violência “Londrina Pazeando” e o Conselho Municipal de Cultura de Paz (Compaz), em 2010, propuseram aos lojistas, com apoio da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), da Câmara Municipal e da Prefeitura de Londrina, fazer valer a Lei Municipal 9.188/2003, que proíbe a venda de armas de brinquedos. Houve adesão, e em 2011 a lei foi melhorada. Também foi criado um selo para as lojas que cumprem a Lei. Hoje, 40 lojas utilizam o selo – quase todas as que vendem brinquedos na cidade. A lei e a atitude das lojas têm apoio dos veículos de comunicação, de professores, educadores e pais – ou seja, a adesão é grande. Se em Londrina nós podemos viver essa experiência, também o poderemos no Brasil e no mundo!

Luis Cláudio Galhardi, engenheiro civil, é coordenador do Londrina Pazeando, membro fundador da Rede Desarma Brasil e secretário do Compaz de Londrina.

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