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Maconha: um grande negócio

Resumindo, o consumo nos Estados Unidos e no Uruguai aumentou, do que decorrerá aumento do número de pacientes, e o crime não diminuiu. É o que demonstram os dados

  • Sérgio de Paula Ramos
 | Maj. Will Cox/U.S. Army
Maj. Will Cox/U.S. Army
 
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“Em Deus eu confio. Todos os demais devem apresentar dados” W. Edwards Deming

Sou um dos proprietários de uma Comunidade Terapêutica Urbana que se dedica ao tratamento de pacientes com Transtornos Aditivos. Como empresário, quanto mais pacientes a Villa Janus tiver, mais lucro terá a instituição. Portanto, recebam com reservas o abaixo exposto. Foi feito por quem, em tese, tem interesse de que aumente o número de dependentes de maconha.

Declinado este conflito de interesse, aos fatos: acaba de sair o World Drug Report 2017 , relatório oficial do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes. Nele, fica-se sabendo que os Estados Unidos foi o país onde o consumo de maconha mais cresceu no mundo, seguido nesta tendência pelo Uruguai, no período estudado e desde que as políticas liberalizantes sobre maconha foram implementadas nos referidos países. O dado não surpreende, pois, caindo a percepção de risco no consumo de uma determinada droga, é sabido que seu uso se eleva. Então, nos lugares onde se implementou a liberação da maconha o consumo aumentou. Em alguns, dobrou. Com isso, aumentarão as consequências clínicas e sociais decorrentes do consumo de THC: evasão escolar, depressão, esquizofrenia, aumento no consumo das demais drogas, acidentes de trânsito e emergências médicas envolvendo crianças.

O exemplo foi dado pela indústria do tabaco há um século

Os que defendem esta política liberalizante a justificam pelo enfraquecimento do tráfico, com consequente diminuição da criminalidade. Ora, são pessoas que nunca atenderam dependentes químicos na vida. Não sabem que todo o cocainômano de hoje teve sua iniciação em álcool e maconha. Mais consumidores de maconha, mais, portanto, de cocaína. O tráfico restará fortalecido e não enfraquecido. Alias, é o que demonstram os dados do Escritório de Investigações do Departamento de Segurança Pública do Estado do Colorado, um dos que aprovaram o “uso recreacional” de maconha. Na consulta feita hoje, em seu site, a criminalidade não só não diminuiu, como, em alguns casos, aumentou. Aumentaram igualmente os acidentes de trânsito com mortes e as emergências médicas envolvendo crianças intoxicadas com THC.

Opinião da Gazeta: Maconha legalizada (editorial de 15 de maio de 2014)

Resumindo, o consumo aumentou, do que decorrerá aumento do número de pacientes e dos problemas decorrentes, e o crime não diminuiu. É o que demonstram os dados, notem bem, não do site de meu amigo, não da pesquisa feita no quintal e patrocinada sabe-se lá por quem, mas simplesmente da ONU.

Parece claro que a sociedade sairá perdendo com tal política e a pergunta que devemos nos impor é quem sairá ganhando. A resposta parece óbvia: a indústria da maconha, que tem em vista um negócio de quase 300 bilhões de dólares ao ano, capaz de rivalizar com a do tabaco e a do álcool. Também ganharão a mídia e as agencias de publicidade com este novo anunciante.

Opinião da Gazeta: Liberar geral? (editorial de 09/09/2015)

O exemplo foi dado pela indústria do tabaco há um século, quando propagava que fumar fazia bem para bronquite, que as mulheres tinham o direito de fumar e que uma determinada marca era recomendada por médicos. Um século depois, a indústria da maconha vem com a balela da “maconha medicinal”, insiste no “direito do uso” e mesmo no “uso recreacional”. Não se deram ao trabalho sequer de mudar as peças publicitárias e, com pesado investimento em mídia, estão alavancando este novo negócio, que como tal, desenha-se um dos mais promissores deste início de século 21.

Aliás, se o leitor quiser investir na bolsa, compre ações da indústria da maconha, pois ganhará dinheiro. Afinal, no meu negócio, que tende a crescer de forma galopante com a eventual liberação, o quadro societário já está fechado.

Sérgio de Paula Ramos, psiquiatra e psicanalista, é doutor em Medicina pela UNIFESP, membro titular da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina e membro do Conselho Consultivo da ABEAD, instituição que presidiu duas vezes

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