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Não preparamos nossos jovens para a vida

Saber gerenciar emoções e conviver coletivamente é essencial para o estudante encarar os desafios que a vida oferece no curto, médio e longo prazos

  • Rafael Parente
 | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam que os estudantes brasileiros da faixa de 15 anos de idade estão entre os mais ansiosos entre os dos 72 países analisados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). De acordo com o relatório divulgado no início deste ano, 80,8% dos brasileiros avaliados se sentem muito ansiosos mesmo quando estão preparados para uma prova. O porcentual brasileiro fica acima da média dos países da OCDE, que é de 55,5%.

O ensino das competências socioemocionais, ainda nos anos iniciais do ensino fundamental, pode mudar esse índice. Saber gerenciar suas emoções e conviver coletivamente é essencial para encarar os desafios que a vida oferece no curto, médio e longo prazos. A nova escola brasileira deve encarar esse desafio.

As competências socioemocionais geram impactos positivos em várias esferas da vida de um aluno

Um sinal disso é que a nova versão da Base Nacional Comum Curricular define dez competências socioemocionais que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo da educação básica. De acordo com um relatório do Global Education Leader’s Program Brasil, as competências socioemocionais geram impactos positivos em várias esferas da vida de um aluno, pois geram ambiente mais favorável à aprendizagem; preparam os estudantes para estar no mundo; dialogam com as necessidades da sociedade civil; e estimulam a atitude cidadã, entre outros benefícios.

Desenvolver habilidades como colaboração e pensamento crítico, gerenciamento das próprias emoções, relacionamento com os outros e a busca por atingir objetivos contribui diretamente para aumentar o interesse das crianças e dos jovens pela escola e, consequentemente, reduzir a evasão escolar.

Leia também:Ensino médio: entre a utopia e o pragmatismo (artigo de Fabricio Maoski, publicado em 17 de fevereiro de 2017)

Leia também:  Cada vez mais, cada vez menos (artigo de Daniel Medeiros, publicado em 10 de outubro de 2016)

Um levantamento recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sobre evasão escolar no país revelou que houve uma queda desse indicador nos últimos dez anos em todas as fases da educação. Nos anos finais do ensino fundamental, 7,5% dos alunos deixavam as escolas antes da formatura, índice que passou a 5,4% em 2015. Já nos anos iniciais, a evasão saiu de 3,5% para 2,1%. No ensino médio, o índice alcança 11% do total de alunos. No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o Brasil alcance os índices de países com as melhores práticas de educação do mundo, como Cingapura, Finlândia, Canadá e Japão.

Melhorar a educação no Brasil passa pelo compromisso de preparar nossas crianças e jovens para a nova sociedade e os novos desafios que eles enfrentam e enfrentarão ao longo da vida. Sem isso, somos replicadores de um modelo educacional que não dialoga com a realidade e de desigualdades sociais, econômicas, culturais e humanas que prejudicam a sociedade brasileira desde o início de sua história.

Rafael Parente é especialista em Educação pela NYU e CEO da Aondê/Conecturma.

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