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O fenômeno Trump

 
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O que começou quase como uma brincadeira virou algo sério, muito sério. Donald Trump foi o grande vencedor na Super Terça e desponta como o grande favorito do lado republicano, a despeito da falta de apoio dos caciques do partido. O que explica o fenômeno Trump?

São várias possibilidades, muitas já apontadas: o bilionário excêntrico que sabe encantar a plateia; o destaque constante na mídia; a era das redes sociais extremistas; o discurso populista de resgate do orgulho nacional; a retórica contra imigrantes etc. De tudo o que ajuda a explicar a perplexidade dos “especialistas” diante do fenômeno, creio que o mais relevante seja seu ataque veemente ao establishment.

A população cansou de Washington, dos políticos profissionais. O populismo de Obama, o rei do “politicamente correto”, ajudou a parir um monstro. A esquerda achou que era possível brincar de welfare state impunemente, mas, como um bumerangue, o troço voltou para lhe atacar. O feitiço virou contra o feiticeiro.

Tanto Ted Cruz como Marco Rubio seriam nomes melhores do lado conservador

É o mesmo fenômeno que pode ser observado na Europa, com o avanço de partidos nacional-populistas com discursos xenófobos. Quando a esquerda multiculturalista ignora todos os alertas feitos pelos conservadores, quando tenta usar imigrantes como mascotes em busca de votos, o tiro acaba saindo pela culatra, cedo ou tarde.

Os democratas criaram uma casta que se beneficia do “capitalismo de compadres” no andar de cima, e uma legião de dependentes das esmolas estatais no andar de baixo, espremendo a classe média no processo. Vivendo em sua bolha, os “progressistas” acham que as bandeiras mais relevantes do mundo para a liberdade são o direito ao aborto, as drogas e o casamento gay. Perderam o elo com a realidade do povo trabalhador.

A Califórnia é um ótimo exemplo disso. O “estado de ouro” vem sendo destruído por políticas “progressistas” há décadas. Enquanto a costa dos milionários, Hollywood e o Vale do Silício abrigam a elite que não se importa em pagar os mais altos impostos do país, e inúmeros imigrantes ilegais gozam de vários privilégios, a classe média trabalhadora luta para sobreviver à seca, às piores escolas públicas do país, à infraestrutura capenga e ao crescente custo de vida. Muitos estão simplesmente abandonando o estado falido.

Um ambiente desses é propício para o nacional-populismo, para alguém que surge para representar a população abandonada pelas autoridades contra tanto essa elite insensível como os imigrantes ilegais, protegidos pelas leis e pelo multiculturalismo.

Ou seja, foram as próprias medidas “progressistas” que pavimentaram o caminho de Trump. Do outro lado, os republicanos se mostraram divididos, cada um de olho em sua oportunidade individual. Essa fragmentação também favoreceu Trump. Tanto Ted Cruz como Marco Rubio seriam nomes melhores do lado conservador, até porque Trump não é exatamente um conservador. Mas eles insistem em se digladiar para ver quem poderá derrotar Trump e, depois, Hillary. Ambos acabarão perdendo, junto com a nação.

Ao que tudo indica, as alternativas serão mesmo entre uma mentirosa inspirada em um revolucionário comunista e um bufão nacional-populista. É uma visão assustadora. Se tivesse de escolher, ainda preferiria o imprevisível Trump, pois Hillary Clinton representa mais do mesmo, e Obama foi um péssimo presidente. Mas o faria com receio.

Só chegamos a esse ponto por causa do populismo dos “progressistas”. É o que dá acreditar que o andar do meio vai bancar para sempre os privilégios das elites e dos pobres usados como mascotes por esta elite.

Rodrigo Constantino, economista e jornalista, é presidente do Conselho do Instituto Liberal.

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