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Artigo

O combustível que queima o bolso do brasileiro

Monteiro Lobato deve rolar na tumba com as estripulias dos ex-diretores da Petrobras e seus comparsas no Congresso Nacional

  • José Domingos Fontana
 | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Jonathan Campos/Gazeta do Povo
 
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Causa-nos espécie, para não dizer engulhos, o acerto judicial que a Petrobras acaba de celebrar com a Justiça dos Estados Unidos: pagamento de US$ 2,95 bilhões para compensar os acionistas yankees por conta dos prejuízos e desmoralização provocada pelos bandidos petistas e pemedebistas enquadrilhados com vários diretores desonestos da estatal, dentro do lamentável petrolão. No geral, a população brasileira ignora que boa parte das ações da companhia é detida por investidores norte-americanos. E lá a Justiça nem falha nem demora – e esta é apenas uma das ações judiciais correntes.

Raramente somos informados dos avanços e retrocessos da maior empresa brasileira, embora seja confiável a avaliação de especialistas de que, com a incorporação do petróleo do pré-sal, já sejamos autossuficientes em coleta, refinamento e distribuição de gasolina, diesel e querosene.

Os Estados Unidos ainda dependem de importações de petróleo, mas o preço da gasolina por lá despencou para US$ 1,996 por galão de 3,785 litros, segundo reportagem desta Gazeta. Trocando em miúdos tupi-guaranis, são cerca de R$ 6,50 por galão, ou R$ 1,70 por litro. Aqui, na República de Curitiba , a gasolina anda pelos R$ 4 por litro, algo em torno de 2,3 vezes mais cara.

Da sentença do TRF em 24 de janeiro emergirá luz purificadora ou mais um laser daninho para cegar de vez este eleitorado passivo brasileiro?

Não há qualquer diferença de tecnologia sendo aplicada na perfuração, exploração e refino que nos afaste dos petroengenheiros e operários yankees. Monteiro Lobato, já em 1927, agudo observador como adido cultural nos Estados Unidos, nos indicava o caminho certo para um país soberano e com uma economia pujante: petróleo, ferro e malha de transporte. Foi infernizado pelas autoridades brasileiras quando do retorno e suas candentes tentativas em extrair algum ouro negro nas terras de seu Sítio do Pica-Pau Amarelo e alhures. Deve rolar na tumba com as estripulias dos ex-diretores da Petrobras e seus comparsas no Congresso Nacional, ao que se soma o bilionário prejuízo com a aquisição da refinaria de Pasadena. José Sérgio Gabrielli, o presidente da Petrobras da época, segue impune. Dilma, então presidente do Conselho de Administração da empresa, lança a culpa nos assessores subalternos, ocupada que estava com a distribuição de Bolsas Isto & Aquilo em favor daqueles carentes de carros, mas respirando o mesmo ar poluído da emissão veicular. Coisas da democracia construída pela miscigenação lusoafroíndia aqui dominante em quantidade e qualitativamente degradada pelo tempero pungente de sobrenomes germânicos do tipo Odebrecht. Cerveró, Costa, Barusco, Duque e outros meliantes do dinheiro alheio e público, o que inclui senadores e deputados corruptos, seguem confortáveis em suas mansões e apenas com tornezeleiras de pelica quando deviam levar, em ambas as pernas e braços atrás das grades, cilícios de titânio rodeados de acúleos lubrificados com toxina de água-viva. Louve-se, como exceção, a punição em penitenciária sendo imposta a Sérgio Cabral, rei do propinoduto carioca.

O que se espera neste país com o novo (des)governo a ser eleito em 2018 ? O estado líder em população e indústrias – e, mais relevantemente, em votos – vai eleger sucessores à altura de Tiririca e Paulo Maluf ? O carinhosa ou depreciativamente codinominado “picolé de chuchu”, embora bom homem, tem pulso firme o bastante para colocar esta locomotiva desgovernada nos trilhos? O tucano Neves abiscoitará novas parcelas de empréstimos de R$ 2 milhões dos caipiras ricaços de Goiás? Nosso Alvaro terá espaço midiático para apregoar suas virtudes de oposicionista ferrenho aos desmandos? Bolsonaro, militarmente adestrado, se subordinaria aos conselhos dos generais, almirantes e brigadeiros sérios que em seus bons momentos edificaram uma Itaipu e outras benesses tão necessárias a um país em desenvolvimento? Ou Lula, de tantos deslumbramentos e acertos espúrios, reaparecerá tal qual fênix das cinzas fecais na qual mergulharam tão fundo o PT e seus asquerosos parceiros do PMDB? E tudo por conta da inconsistência das acusações de compra fraudulenta de um tríplex e um sítio, quando é do conhecimento geral que seus desmandos diretos e indiretos estão tão bem caracterizados pela PF, PGR e Justiça? Da sentença do TRF de Porto Alegre em 24 de janeiro emergirá luz purificadora para este Brasil ou mais um laser daninho para cegar de vez este eleitorado passivo brasileiro?

Leia também: O acordo bilionário da Petrobras (editorial de 6 de janeiro de 2018)

Leia também: Pasadena, antes tarde do que nunca (editorial de 19 de outubro de 2017)

No topo da pirâmide de defesa da Constituição Brasileira, o Supremo, FHC – aquele que na primeira ascensão cunhou “esqueçam tudo o que escreví” – podia ter escolhido outro, mas preferiu um Gilmar. Lula inclinou-se pelo advogado do PT e da CUT Dias Toffoli e pelo autor do livro Proteção dos Direitos Humanos na Ordem Interna e Internacional, Lewandoski. Que saudade do expoente Joaquim Barbosa!

Que cada brasileiro, homem ou mulher, pobre ou rico, branco ou negro, letrado ou semianalfabeto, operário ou patrão tenha piedade, nas eleições de 2018, de nosso maior patrimônio – as crianças e os jovens – e exerça seu direito de voto com cidadania. O voto é a única arma da qual dispomos para salvar este Brasil do ciclo terrível de corrupção. Vale lembrar a estrofe final do dito e escrito de Bertold Brecht em O analfabeto político: “Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

José Domingos Fontana é professor emérito da UFPR e professor visitante da UTFPR.

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