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O pós-petismo

A queda petista abriu um vácuo profundo na classe média brasileira, empurrando os holofotes para os extremos

  • Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr.
 | Ricardo Stuckert/Divulgação
Ricardo Stuckert/Divulgação
 
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A derrocada petista abre um vasto campo de aprimoramento político no Brasil. Embora atualmente seja um partido abatido e desorientado, quem viveu as últimas três décadas sabe que nem sempre foi assim. Embora desgoste muita gente, é preciso admitir: a tática petista foi extremamente bem-sucedida em seu projeto de poder. Ou seja, criou bases locais, venceu eleições municipais e estaduais, fez vereadores, deputados e senadores, cavando raízes para, através de um líder carismático, obter o governo federal. Dito e feito. Acontece que, entre a teoria e a prática, a realidade corrupta acabou destruindo a utopia sonhadora.

No todo, o Brasil está muito melhor agora. Até a eleição de Lula, era quase impossível manter um diálogo construtivo com certos setores político-ideológicos; posando de incorruptíveis, os petistas destruíam os políticos da velha guarda, acusando-os dos mais diversos vícios morais. O tempo correu e o saco de gatos tinha espaço para mais gente. Hoje sabemos que a gatunagem está unida e decidida a destruir a Lava Jato com o firme propósito de manter o foro privilegiado da impunidade garantida.

Não dá mais para olhar o futuro com políticos que andam para trás

Ora, se o passado condena, é hora de pensarmos o futuro. A queda petista abriu um vácuo profundo na classe média brasileira, empurrando os holofotes para os extremos. Não é à toa que os índices de abstenção só aumentam, revelando um profundo descrédito popular com as candidaturas que se apresentam. Isso é absolutamente preocupante, pois democracia sem líderes confiáveis é como uma reza de pecadores divinos. E, quando a democracia peca, o sofrimento é do povo. Veja-se a atual crise econômica com vertiginosa queda da renda das famílias e o desemprego nas alturas. O exemplo fala por si só.

Sem cortinas, o PT representou um projeto de poder em torno de minorias que, somadas, acabaram por ditar uma temporária tendência política dominante. Com o passar dos dias, a maioria do povo restou esquecida para a primazia de venais interesses pessoais e dos respectivos grupos de sustentação. Essa forma de fazer política acabou. Não dá mais para encarar o futuro com hábitos políticos bizantinos. Em vez de dividir a nação, precisamos unir o Brasil. Ato contínuo, mediante um projeto político sério, precisamos impor uma pauta de condutas guiada pela decência, pela verdade e pelo respeito às pessoas. Afinal, a mentira, a demagogia e o cinismo não mais podem governar a República.

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Entre os extremos que se lançam, há um grande caminho a percorrer pelo centro. Objetivamente, o pós-petismo marca o início de uma nova narrativa política no país. Os movimentos de rua que culminaram com o impeachment de Dilma Rousseff mostram que há uma energia cívica transformadora no ar. O desafio atual é direcionar a pulsante insatisfação democrática em um projeto político virtuoso que consiga elevar a institucionalidade brasileira para um modelo mais enxuto, responsivo e eficiente.

Para tanto, teremos de impor uma nova lógica no disfuncional sistema político brasileiro. Está visto e revisto que nossos atuais políticos não têm capacidade para promover as mudanças que o Brasil requer. O modelo corporativo-paternalista, além de insustentável, colide frontalmente com os princípios da fronteira tecnológica. As transformações do amanhã serão exponenciais e terão alto impacto na vida das pessoas. Não dá mais para olhar o futuro com políticos que andam para trás. Nunca antes na história deste país precisamos tanto da atitude, da coragem e da visão superior dos cidadãos de bem. Hora, portanto, de transformarmos o civismo consciente em práticas políticas vencedoras. Quem se apresenta?

Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr. é advogado e vice-presidente da Federasul.

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