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As escolhas de Nelson Barbosa

 
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Em seu primeiro mandato, a presidente Dilma Rousseff foi ela própria seu ministro da Fazenda, fazendo de Guido Mantega um mero executor das decisões presidenciais, cuja base foi a tal “nova matriz econômica”, nome bonito para o abandono da política econômica iniciada no governo Fernando Henrique Cardoso e mantida na primeira parte do governo Lula. Começava ali o fim da austeridade fiscal, do controle da dívida pública e da contenção dos gastos do governo. Dilma concedeu isenções fiscais a setores selecionados, prejudicou a arrecadação, gastou à vontade, segurou os preços da energia e dos combustíveis – praticamente quebrando a Petrobras – e não enfrentou as reformas estruturais.

O resultado dessa nova matriz foi ruim. O Produto Interno Bruto (PIB) estagnou e depois passou a cair, as contas públicas estouraram, o déficit fiscal aumentou, a dívida pública explodiu, as estatais quase foram à falência, a inflação disparou, o desemprego cresceu e as expectativas para 2016 são negativas. Analistas do mercado estimam que o PIB pode cair até 8% entre 2015 e 2017, desempenho considerado trágico. Após ser reeleita, a presidente viu sua popularidade despencar e, para tentar restaurar a confiança na política econômica, chamou Joaquim Levy para ocupar o Ministério da Fazenda.

Os esquerdistas no governo não querem austeridade e não se incomodam com a explosão da dívida

A presidente não deu suporte às medidas de Levy, a situação econômica piorou e Joaquim Levy deixou o ministério. Entrou em seu lugar o até então ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Barbosa teve professores que se autodenominam “desenvolvimentistas”, rótulo para identificar aqueles que defendem mais estatização, mais intervencionismo governamental e pouco apreço à austeridade fiscal. Apesar de manifestar preocupação com a saúde das contas públicas e com o controle da inflação, Barbosa é uma incógnita, pois, no ano que termina, ele andou emitindo sinais em sentido contrário, alinhando-se com o pensamento da presidente Dilma e defendendo menos austeridade.

Como titular do Ministério da Fazenda, Barbosa terá de mostrar qual de suas facetas vai prevalecer. Ele esteve no Banco Central, trabalhou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda no governo Lula, cargos nos quais demonstrou não ser um “desenvolvimentista” irresponsável. Porém, como ministro do Planejamento em 2015, Barbosa entrou em conflito com o ministro Levy e sua política de austeridade e ajuste fiscal. Por isso, ninguém sabe o rumo que ele tomará no cargo que ora assume em lugar de Levy.

Se Barbosa resolver ser apenas executor das imposições de Dilma Rousseff, como fez Guido Mantega, as perspectivas não são boas, principalmente em relação à dívida pública, que ameaça romper a barreira dos 70% do PIB. Os esquerdistas no governo não querem austeridade, não se incomodam com a explosão da dívida e são os mesmos que irão gritar contra os juros a serem pagos, como se fosse possível fazer dívida sem pagar juros.

A julgar pelas primeiras reações do mercado – especialmente a disparada do dólar após a teleconferência entre Barbosa e investidores brasileiros e estrangeiros –, os agentes econômicos estão apreensivos e preocupados com os rumos da política econômica, sobretudo com a possibilidade de Barbosa embarcar na mesma aventura da tal “nova matriz econômica”. Até porque, na conversa desta segunda-feira, o ministro não deu a entender que haveria uma guinada na direção da responsabilidade fiscal. É esperar para ver.

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