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A combinação de queda no Produto Interno Bruto (PIB) com inflação alta configura o que os economistas chamam de “estagflação”, isto é, estagnação do PIB com inflação. A consequência mais direta da estagflação é a elevação do desemprego e o aumento das tensões sociais, razão por que o combate ao problema deve ser a principal prioridade nacional, e o governo precisa ser ágil nas medidas escolhidas para reverter o quadro negativo. No Brasil, dois fatores adicionais dificultam muito o enfrentamento do mal: o elevado déficit nas contas do governo e a crise política.

A volta do crescimento do PIB depende da recuperação da demanda agregada (consumo das pessoas, consumo do governo, investimento das empresas, investimento do governo e vendas ao exterior) e, principalmente, da recuperação dos investimentos privados nacionais e estrangeiros. A estratégia de forçar o aumento da demanda por meio da expansão do consumo das pessoas movida a endividamento não é mais opção factível, como também não é razoável esperar que o governo – municípios, Estados e União – puxe a demanda por meio de consumo nem pelo investimento estatal, já que os orçamentos do setor público estão com elevados déficits.

O governo permanece em silêncio quanto a qualquer plano alternativo consistente para enfrentar a crise

Quanto à demanda do resto do mundo pelos produtos fabricados no Brasil, eventual aumento depende da situação econômica internacional – que não está boa, sobretudo na China, que é grande compradora de produtos brasileiros – e da taxa de câmbio, já que os exportadores somente vendem ao exterior se não tomarem prejuízo ao trocarem seus dólares por reais. Com o dólar girando na casa dos R$ 4, essa variável está atualmente colaborando para a retomada das vendas do setor exportador, mas de forma tímida.

Resta o problema de saber por que razão os investimentos privados nacionais e estrangeiros não são retomados rapidamente em volume suficiente para ajudar a frear o declínio da economia nacional. Os investidores dependem sobretudo de confiança no país, do marco regulatório do investimento em infraestrutura, de leis estáveis e claras em relação a questões tributárias, trabalhistas e ambientais, e da existência de linhas de financiamento a juros civilizados.

O Brasil tem demonstrado enorme dificuldade em resolver de uma vez por todas as questões relacionados ao investimento privado na infraestrutura, e um exemplo dessa indecisão está no regime de partilha da produção de petróleo do pré-sal. Por outro lado, o país ainda não decidiu de forma definitiva qual o modelo de parceria público-privada prevalecerá nos investimentos em portos, aeroportos, petróleo e gás, energia e transportes, e a falta de definição agrava a desconfiança e desestimula o investidor privado. Nos estados e nos municípios, além de haver baixo volume de investimentos estatais, os equipamentos urbanos e a infraestrutura pública estão se deteriorando, entre outras razões pela queda na arrecadação tributária derivada da recessão.

Nesse panorama, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciou estudos apontando que o PIB brasileiro cairá 4% em 2016, já tendo caído 4,1% em 2015 segundo dados do Banco Central. Diante da dificuldade em encontrar saídas, o governo permanece em silêncio quanto a qualquer plano alternativo consistente para enfrentar a crise. No máximo, o governo vem tentando medidas isoladas, a maioria para tomar dinheiro da população via aumentos tributários para cobrir déficits de suas contas. Não é essa a saída que o país espera.

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