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Editorial

Um mínimo de bom senso

No país do “farinha pouca, meu pirão primeiro”, o STF mostra bom senso ao não reajustar os salários dos ministros, evitando o efeito cascata e frustrando algumas pretensões

  • Gazeta do Povo
 | Gláucio Dettmar/Agência CNJ
Gláucio Dettmar/Agência CNJ
 
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O funcionalismo público tem estado no centro das atenções neste momento em que o governo conta todas as moedas para conseguir cumprir uma meta fiscal que, por si só, já é desastrosa – um déficit primário de R$ 139 bilhões – e muito provavelmente será revisada para algo ainda pior. Trata-se de uma categoria que já está imune ao grande mal do desemprego, mas que mesmo assim tem reivindicado reajustes com sucesso, até devido a seu grande grau de mobilização.

Mas, dentro desse grupo de servidores do Estado, pagos com os recursos do cidadão brasileiro, existe uma casta especialíssima: aquela que tem o poder para aumentar os próprios salários, em vez de precisar barganhar ou pressionar o Executivo ou o Legislativo. É o caso dos membros do Ministério Público Federal (MPF), que pretendiam reajustar os próprios vencimentos em 16,38% para 2018. Uma reunião extraordinária do Conselho Nacional do Ministério Público, no entanto, decidiu recuar da solicitação.

Leia também:O governo não é feito de anjos (editorial de 1.º de agosto de 2017)

Não foi uma decisão movida por puro altruísmo. Ocorre que os ministros do Supremo Tribunal Federal resolveram não aumentar seus salários em 2018, e uma consequência dessa atitude foi inviabilizar o pleito dos procuradores, pois o salário de R$ 39,7 mil que eles pretendiam estaria acima dos vencimentos dos ministros do STF, o que é proibido. De quebra, o STF ainda evitou o efeito cascata que ocorre em todo o país sempre que os salários dos ministros são reajustados. Um sinal de bom senso no país do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

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