PUBLICIDADE
Editorial

Segurança para a CIC

Texto publicado na edição impressa de 20 de julho de 2012

Os moradores da Cidade Industrial de Curitiba querem que as UPSs venham para ficar, mas elas precisam ser apenas o início de uma política de desenvolvimento para o bairro

É com grande expectativa que a sociedade acompanha a ação do governo estadual, que determinou a ocupação das vilas Verde, Sabará, Caiuá e Nossa Senhora da Luz, na Cidade Industrial de Curitiba, para a instalação de Unidades Paraná Seguro (UPSs), na terça-feira. A CIC, o maior e mais populoso bairro da capital paranaense, também é um dos mais violentos, tendo registrado no primeiro semestre 52 homicídios – 17% do total registrado na cidade, sendo que na CIC vivem 10% dos curitibanos.

Os números da violência mais que justificam a escolha para a instalação das UPSs, que já funcionam nos bairros Uberaba (desde março) e Parolin (desde maio), também conhecidos pelos altos índices de criminalidade. A ação da Secretaria de Estado da Segurança Pública permite pensar que estamos diante de uma autêntica e consistente política de segurança, em vez de ações isoladas e, por vezes, desconexas. O desejo dos moradores da CIC, manifestado na reportagem de quarta-feira na Gazeta do Povo, é de que as UPSs venham para ficar, colaborando de forma constante para tornar o bairro mais seguro. A cooperação entre população e força policial, aliás, é fundamental para garantir o sucesso das UPSs. Para isso é importante que o efetivo se torne realmente parte ativa da comunidade local, apagando, assim, a impressão de distanciamento que muitos curitibanos percebem em relação à polícia – 37% dos entrevistados pelo instituto Paraná Pesquisas, em levantamento encerrado no mês passado, disseram ver carros de polícia circulando em seus bairros apenas uma vez por semana.

O modelo das UPSs se inspira em experiências bem-sucedidas de outras metrópoles, especialmente as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) cariocas. Os dados divulgados pela Polícia Militar em ocasiões anteriores mostraram que houve redução de criminalidade no Uberaba e no Parolin. Com esses precedentes, a sociedade espera resultados semelhantes na CIC; um trabalho eficiente dos serviços de inteligência é importante para evitar que os criminosos apenas migrem de bairro, passando a agir em outros pontos da capital onde o policiamento é menor; e não apenas os curitibanos, mas paranaenses de outras cidades que sofrem com a violência também esperam a ampliação do modelo, o que, no caso do interior, deve ocorrer apenas no ano que vem.

Apesar de positiva, a ação das UPSs deve ser encarada apenas como o início de uma política de desenvolvimento global para os bairros onde as unidades estão instaladas. Em comum, os locais escolhidos para a instalação das unidades não têm apenas a violência, mas também uma rede precária de serviços públicos. Em favelas do Rio de Janeiro, o Estado quase não se fazia presente e foi justamente essa omissão que facilitou o estabelecimento de um poder paralelo ligado ao crime. Os policiais que entraram na CIC devem ser apenas a linha de frente de uma tropa formada por professores, assistentes sociais, médicos e agentes de saúde – essa, sim, uma ocupação permanente que renderá muitos frutos.

PUBLICIDADE
    • SELECIONADO PELO EDITOR
    • NOTÍCIAS MAIS COMENTADAS
    • QUEM MAIS COMENTOU
    Assine a Gazeta do Povo
    • A Cobertura Mais Completa
      Gazeta do Povo

      A Cobertura Mais Completa

      Assine o plano completo da Gazeta do Povo e receba as edições impressas todos os dias da semana + acesso ilimitado no celular, computador e tablet. Tenha a cobertura mais completa do Paraná com a opinião e credibilidade dos melhores colunistas!

      Tudo isso por apenas

      12x de
      R$49,90

      Assine agora!
    • Experimente o Digital de Graça
      Gazeta do Povo

      Experimente o Digital de Graça!

      Assine agora o plano digital e tenha acesso ilimitado da Gazeta do Povo no aplicativo tablet, celular e computador. E mais: o primeiro mês é gratuito sem qualquer compromisso de continuidade!

      Após o período teste,
      você paga apenas

      R$29,90
      por mês!

      Quero Experimentar
    VOLTAR AO TOPO