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Quadro Negro

Delator diz que Cida agradeceu por mesada de R$ 15 mil ao irmão dela

Eduardo Lopes de Souza afirmou ter negociado repasses a Juliano Borghetti em reunião com Ricardo Barros e, depois, ter conversado com a atual governadora sobre o assunto

  • João Frey
Ricardo Barros e Cida Borghetti durante a posse dela como governadora, no dia 6 de abril. | Daniel Caron/Gazeta do Povo
Ricardo Barros e Cida Borghetti durante a posse dela como governadora, no dia 6 de abril. Daniel Caron/Gazeta do Povo
 
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No depoimento prestado à Justiça Estadual na semana passada, o principal delator da Operação Quadro Negro, Eduardo Lopes de Souza, voltou a citar os repasses mensais de R$ 15 mil que fez a Juliano Borghetti, irmão da governadora Cida Borghetti (PP). O vídeo com a delação foi divulgado pela RPC TV na noite desta segunda-feira (14).

O delator contou ter sido procurado por Juliano Borghetti no começo de 2015 com a proposta de que nomeasse o próprio filho para um cargo na vice-governadoria, então comandada por Cida. Pela proposta de Juliano, o filho do delator receberia o salário sem trabalhar e, em contrapartida, o dono da construtora pagaria R$ 15 mil mensais ao irmão da hoje governadora, que não podia ser nomeado na estrutura do estado por ter se envolvido em uma briga de torcida, em 2013.

VÍDEOS: Veja relato do delator sobre repasses a irmão da governadora

Eduardo Lopes de Souza relatou que, após ser procurado por Juliano, foi a uma reunião na sede do Partido Progressista, em Curitiba, na qual acertou os repasses com o próprio Juliano e também com o deputado federal Ricardo Barros (PP). Em contrapartida, o delator conseguiu um cargo na vice-governadoria, para o qual, em vez de nomear o filho, preferiu indicar Marilane Fermino da Silva que, segundo ele, já trabalhava na Secretaria de Educação e operava em favor da construtora Valor.

Segundo Souza, o acordo durou três meses e foram repassados R$ 45 mil a Juliano Borghetti. Em depoimento, o delator disse que o dinheiro era entregue em espécie, diretamente ao irmão da governadora, na sede da construtora Valor.

LEIA TAMBÉM: Quadro Negro financiaria caixa 2 de Richa, do filho e do irmão em 2018, diz delator

Além de garantir que negociou o acordo na presença de Ricardo Barros, Eduardo Lopes de Souza afirmou que conversou sobre o caso com Cida Borghetti, então vice-governadora. Ao ser questionado se chegou a ter algum contato com Cida, o empreiteiro respondeu: “Sim, ela me agradeceu. Eu fui com o Juliano lá na vice-governadoria e ela me agradeceu que eu tinha resolvido o negócio do Juliano”.

Apesar da relação entre Juliano Borghetti e Eduardo Lopes de Souza, o delator afirmou que o irmão da governadora não teve nenhuma relação com os processos licitatórios e aditamentos contratuais que foram feitos entre o governo do estado e a construtora Valor.

Secretaria do Meio Ambiente

Ainda segundo o delator, a negociação envolvia também a participação da Valor em obras da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). Ele relatou que as licitações do estado estavam centralizadas na Secretaria de Infraestrutura e Logística, comandada por Pepe Richa, irmão do ex-governador Beto Richa (PSDB). A ideia de Ricardo Barros, segundo o delator, era levar parte dessas licitações para o Meio Ambiente, pasta sobre a qual ele tinha interferência. Com isso, a Valor passaria a operar também nas obras da Sema com o compromisso de ajudar a campanha de Barros.

Entretanto, segundo Eduardo Lopes de Souza, as licitações não foram para a Secretaria de Meio Ambiente, e, consequentemente, a Valor não firmou contratos com a pasta nem repassou recursos a Barros.

Outro lado

Em nota, Juliano Borghetti negou as acusações. Ele afirma que o depoimento de Eduardo Lopes de Souza comprova que ele não teve relação com os desvios apurados na Quadro Negro e que ele trabalhou na empresa Valor por três meses e recebeu seus pagamentos na sede na empresa. Os valores estão declarados no Imposto de Renda.

Já a governadora do Paraná, Cida Borghetti, informou que determinou à Divisão de Combate à Corrupção a investigação dos dois fatos: a Operação Quadro Negro e a troca de cargos. “A governadora nega as acusações e reforça que a funcionária citada no depoimento é servidora de carreira do Estado, nunca cumpriu expediente na vice-governadoria e sim na Casa Civil.”

Também por meio de nota, o deputado federal Ricardo Barros rechaçou a acusação da troca de cargos e afirmou que não pediu qualquer vantagem. Barros reafirmou que está à disposição para esclarecimentos.

Assista ao trecho em que o delator relata repasses a Juliano Borghetti:

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