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CARNE FRACA

Delatora diz que político paranaense recebia “mesada” da JBS

Deflagrada há um ano, a Carne Fraca revelou um esquema de propina entre servidores públicos do Ministério da Agricultura e empresas alvos de fiscalização da pasta, como a JBS

  • Brasília
  • Catarina Scortecci, correspondente
JBS não quis comentar o caso. | Albari Rosa    /    Gazeta do Povo
JBS não quis comentar o caso. Albari Rosa /    Gazeta do Povo
 
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A mais nova delatora no âmbito da Operação Carne Fraca, a servidora pública e veterinária Maria do Rocio Nascimento, relatou ao Ministério Público Federal (MPF) que o deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR) recebia R$ 10 mil por mês da JBS, através de Daniel Gonçalves Filho, que por quase dez anos comandou a Superintendência do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná, indicado pela bancada do PMDB. O parlamentar nega.

O depoimento foi prestado em 10 de janeiro de 2018 e acabou anexado a uma das sete ações penais derivadas da Operação Carne Fraca, logo após a homologação pela Justiça Federal do acordo de colaboração premiada de Maria do Rocio Nascimento. Deflagrada há um ano, a Operação Carne Fraca revelou um esquema de propina entre servidores públicos do ministério e empresas alvos de fiscalização da pasta, como a JBS. 

OUTRO LADO:Deputado diz que recebeu servidores em escritório, mas que propina nunca foi pauta

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Sérgio Souza nega.Arthur Monteiro/Agência Senado

“Daniel Gonçalves Filho, de 2014 até janeiro de 2017, recebia propinas mensais, pagas de forma intermitentes, as quais tiveram valor inicial de R$ 10 mil, e sofreram evolução, entre o final de 2014 e início de 2015 (quando o montante passou a ser de R$ 20 mil, dos quais Daniel repassava R$ 10 mil ao deputado federal Sérgio Souza), em razão de sua função como superintendente do Mapa no Paraná e em contrapartida a facilitações promovidas à empresa junto ao órgão”, anotou o MPF ao ouvir Maria do Rocio Nascimento. 

Relembre: quatro políticos foram implicados por delator da Carne Fraca

Parte dos repasses, segundo ela, teria ocorrido na garagem do edifício onde fica o escritório político do paranaense, em Curitiba, na Rua Comendador Araújo. 

Daniel Gonçalves Filho, considerado o “chefe” do esquema de corrupção pelo MPF, também fez um acordo de colaboração premiada, homologado no final do ano passado, e deixou a prisão. Já Maria do Rocio Nascimento, que seria uma espécie de “braço-direito” de Gonçalves Filho no esquema de corrupção, ainda está presa. Na esteira da delação, ela deve ser liberada daqui dez dias, passando para prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. 

Outro depoimento

Não é a primeira vez que o nome do deputado federal Sérgio Souza aparece na Carne Fraca. O parlamentar, que na Câmara dos Deputados é um dos principais representantes da bancada ruralista, já havia sido mencionado por outro réu, em 1º de dezembro de 2017: o veterinário Flávio Cassou, que trabalhava em uma unidade da JBS, admitiu, sem dar detalhes, que parte da propina seria destinada a Sérgio Souza

O relato de Cassou foi feito durante audiência conduzida pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva, que está à frente dos processos da Carne Fraca. Em função do foro especial do deputado federal do Paraná, o magistrado determinou o envio dos relatos de Cassou, e também de Maria do Rocio Nascimento, para a Procuradoria Geral da República (PGR) e para o Supremo Tribunal Federal (STF), competentes para eventualmente investigar o parlamentar.

Na época, em nota enviada à Gazeta do Povo, o deputado federal Sérgio Souza negou que tenha recebido valores da JBS. “As informações são totalmente falsas. Nunca mantive contato com a JBS”, afirmou ele.

Também procurada na ocasião, a JBS não quis comentar o caso. Flávio Cassou ficou preso entre março e dezembro do ano passado. Saiu após o pagamento de uma fiança no valor de R$ 70 mil. O veterinário aderiu aos termos de um acordo de leniência firmado pela JBS.

Procurado na manhã desta quarta-feira (7) pela Gazeta do Povo, Sérgio Souza disse novamente que não tem qualquer relação com a JBS e rechaçou o relato de Maria do Rocio Nascimento.

“Ajuda” a políticos

Maria do Rocio Nascimento também falou sobre dinheiro a políticos ligados ao ex-superintendente do Mapa no Paraná, ao mencionar uma reunião em São Paulo, na sede da JBS, ano de 2015. Ela, Daniel Gonçalves Filho e dois representantes da JBS participavam da reunião quando, anotou o MPF, “em certo momento Daniel solicitou à colaboradora [Maria do Rocio Nascimento] que se retirasse do ambiente, motivo pelo qual acredita que, após sua saída da sala, foram tratados assuntos relacionados a propina destinada a Daniel somente (ou a políticos indicados por este)”.

Ela “também infere isso porque, quando a colaboradora ainda estava na reunião, Daniel solicitou aos representantes da JBS “ajuda” para que se mantivesse na função de superintendente do Mapa no Paraná (e essa “ajuda” é justamente o pagamento de “mensalinho” a parlamentares que o sustentavam em sua posição)”, registrou o MPF a partir dos relatos de Maria do Rocio Nascimento.

O conteúdo da delação de Daniel Gonçalves Filho ainda está em sigilo, mas a imprensa já divulgou que ele teria implicado a bancada do PMDB do Paraná, que o indicou para o cargo no Mapa. Atualmente, a legenda possui quatro representantes do Paraná na Câmara dos Deputados: além de Sérgio Souza, Osmar Serraglio, Hermes “Frangão” Parcianello e João Arruda. À imprensa, todos já negaram qualquer participação no esquema de corrupção revelado pela Operação Carne Fraca.

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