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OPERAÇÃO QUADRO NEGRO

Quem é Maurício Fanini, o suposto “longa manus” do governador Beto Richa?

Possível novo delator exerceu cargos comissionados desde o primeiro mandato do político tucano no Executivo, em 2001

  • Brasília
  • Catarina Scortecci
  • Correspondente
Foto anexada em processo pelo MP mostra Richa ao lado de Fanini em momentos de lazer | Reprodução/MP-PR
Foto anexada em processo pelo MP mostra Richa ao lado de Fanini em momentos de lazer Reprodução/MP-PR
 
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A possibilidade de Maurício Fanini fechar um acordo de colaboração premiada no âmbito da Operação Quadro Negro tem deixado o Palácio Iguaçu apreensivo. Afinal, o que o ex-diretor da Secretaria da Educação, chamado de suposto “longa manus” do governador do Paraná, teria a delatar? 

A relação entre Maurício Jandoi Fanini Antonio e o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), vem de longa data. Ambos nasceram em 1965 e se formaram juntos no curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), na década de 80. Quando Beto Richa foi eleito vice-prefeito de Curitiba, assumindo também a pasta de Obras Públicas da administração da capital, Fanini ganhou um cargo de confiança: se tornou diretor de Pavimentação. O ano era 2001.

O período na prefeitura de Curitiba rendeu a Fanini, já em 2013, uma ação civil pública por atos de improbidade administrativa. Ele e outras 22 pessoas – todos negam ilegalidades - teriam “direcionado” uma parcela de processos licitatórios para a empresa Deck Construtora.

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Também em 2013, Fanini foi chamado pela Polícia Federal para dar explicações sobre fatos apurados na Operação Sinapse, uma investigação sobre desvios de recursos públicos do Ministério da Educação, a partir de convênios feitos entre o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips), com sedes em Curitiba.

Para a PF, as Oscips simularam alguns contratos com empresas, apresentando notas fiscais por serviços não prestados, para justificar o dinheiro recebido pelos convênios com o IFPR. Entre as empresas estaria a B. M. A. Linguagem e Comunicação, cujo dono é Fanini

O nome da empresa é uma referência às iniciais da fonoaudióloga Betina Moreschi Antonio, mulher de Fanini, e que também tem parte societária. Na época, Fanini disse à PF que os serviços foram de fato prestados. E o casal nem chegou a ser indiciado. 

A mesma empresa, contudo, surgiu novamente no radar, agora nas investigações da Operação Quadro Negro. Fanini e sua mulher foram acusados de usar a B. M. A. Linguagem e Comunicação para lavar dinheiro. 

Em 2013, Fanini já trabalhava no governo do Paraná. Com a vitória de Beto Richa em 2010, Fanini assumiu logo no início do mandato do tucano outro cargo de confiança. Se tornou diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude), braço da Secretaria da Educação (Seed).

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Na Sude, Fanini ficou durante todo o primeiro mandato de Richa, entre 2011 e 2014. No período, ele também ganhou uma cadeira no Conselho de Administração da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná).

Já no segundo mandato de Richa, Fanini recebeu a missão de recriar a Fundepar, autarquia que ficaria responsável por toda a parte administrativa da pasta de Educação, como contratos de obras, de merenda, de transporte. Só foi interrompido pela Operação Quadro Negro, deflagrada em meados de 2015. Fanini chegou a ser preso, mas logo obteve liberdade. 

No final daquele ano, Fanini foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR), apontado como uma peça central no desvio de dinheiro de contratos firmados entre a Seed e a empresa Valor Construtora. Na narrativa do MP-PR, Fanini era quem orientava os fiscais ligados à pasta da Educação para que atestassem evoluções fictícias nas obras. Assim, o dinheiro era liberado, independente de a obra estar de fato andando ou não.

O esquema não teria funcionado apenas nos contratos da Valor Construtora, embora a empresa tenha se tornado o foco da Operação Quadro Negro. O empresário Iolmar Ravanelli, dono da MI Construtora, já delatou Fanini. Disse aos investigadores que foi obrigado a pagar R$ 100 mil para o então diretor da Seed.

Mas o delator que mais complicou a vida de Fanini foi Eduardo Lopes de Souza, dono da Valor Construtora. O empresário não só endossa a narrativa do MP-PR, como dá detalhes sobre a relação com Fanini. 

Ao descrever diálogos que mantinha com o então diretor da Seed, o empresário ainda inclui Beto Richa de forma recorrente: “O Fanini tinha me contado que em certa ocasião teria comentado com o governador, durante uma partida de tênis, que havia algumas empresas, dentre elas a Valor Construtora, que estariam ‘ajudando’ e que seriam necessários alguns aditivos nos contratos dessas empresas. Ele disse que o governador perguntou ‘são de confiança, né?’, no que ele respondeu que sim. Então, o governador deu o ok”, falou Lopes de Souza aos investigadores.

Antes da deflagração da Operação Quadro Negro, Fanini jogava tênis com Beto Richa. À imprensa, o tucano não nega a amizade, mas sustenta que “não tenho compromisso com o erro”.

Recentemente, poucos dias antes de ser novamente preso por causa da Quadro Negro, Fanini trocou de advogado e resolveu tentar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília. A delação ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em função das tratativas com a PGR, Fanini pediu para sair da prisão. A juíza Danielle Nogueira Mota Comar, da 9ª Vara Criminal de Curitiba, negou

Em seu despacho, ela destaca que a “vontade de colaborar” agora manifestada por Fanini, “considerado o longa manus do governador do Paraná” dentro da pasta da Educação, “não afronta os requisitos fundamentadamente expostos na decisão que decretou a prisão preventiva e tampouco urge para que sirva como moeda de troca para garantir a liberdade”.

Procurado pela Gazeta do Povo, o advogado de Fanini, Omar Elias Geha, não quis dar entrevista.

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