Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Caro usuário, por favor clique aqui e refaça seu login para aproveitar uma navegação ainda melhor em nosso portal. FECHAR
PUBLICIDADE

preço “salgado”

Gasolina vendida no Brasil é a segunda mais cara do mundo. Entenda o porquê

Entre os 15 maiores produtores de petróleo, Brasil só perde para Noruega quando o assunto é o alto preço do combustível. Carga tributária e monopólio da Petrobras são algumas das causas

  • Giulia Fontes, especial para a Gazeta do Povo
Outro fator para os preços altos é a falta de autossuficiência do Brasil no setor | Lineu Filho/Tribuna do Paraná
Outro fator para os preços altos é a falta de autossuficiência do Brasil no setor Lineu Filho/Tribuna do Paraná
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Encher o tanque com gasolina nos postos brasileiros tem significado, nos últimos meses, um peso significativo no bolso dos motoristas. E o preço salgado não é por acaso: o valor praticado no Brasil é um dos recordistas no mercado mundial. De acordo dados da empresa de consultoria Air-Inc, o preço nos postos daqui – de US$ 1,34 por litro, o equivalente a R$ 4,42 com câmbio de R$ 3,30 – é o segundo mais caro entre os 15 países que mais produzem petróleo no mundo. A gasolina brasileira só perde para a da Noruega, onde o preço é ainda mais salgado, chegando a quase US$ 1,90 por litro.

O dado chama mais a atenção quando se compara o preço praticado nos postos daqui ao que vigora na Venezuela, por exemplo. No vizinho sul-americano, com apenas US$ 0,001 é possível comprar um litro de gasolina. O caso venezuelano é extremo, mas, em outros países, o valor de um litro de gasolina também é inferior ao encontrado no Brasil (veja mais no infográfico). No caso dos EUA, é possível encher o tanque de um carro popular, com 40 litros de gasolina, por US$ 24,80 ou R$ 81,80 – bem longe dos R$ 176,80 brasileiros.

Ingredientes para o preço alto

Não há um fator que, isolado, explique os altos preços dos combustíveis no Brasil. De acordo com André Suriane, economista da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), um dos motivos é estrutural. “O Brasil não é autossuficiente no mercado da gasolina. Ainda importamos parte da matéria-prima, o que aumenta o custo do produto”, explica.

Leia também: Governo desiste oficialmente de votar reforma da Previdência e anuncia plano B

Outro aspecto que encarece o combustível é a concentração de mercado em várias etapas da cadeia produtiva. Se soma à hegemonia da Petrobras no que diz respeito à exploração e ao refino da gasolina – com custos que, de acordo com Suriane, não são divulgados de forma transparente –, a distribuição também concentrada em poucas empresas. “Além disso, na estrutura final da cadeia, os postos, ocorre a prática de cartel em algumas cidades”, diz o economista.

Walter De Vitto, analista de energia e petróleo da Tendências Consultoria, de São Paulo, adiciona mais um ingrediente à receita para os preços altos: os impostos. Sobre a gasolina incidem tributos federais (Cide,PIS/Pasep e Cofins) e estaduais (ICMS). “Se compararmos o Brasil com outros países, o que mais nos diferencia na questão da gasolina é a carga tributária muito alta”, afirma.

Leia também: Polícia Federal e Cade vão investigar suspeita de cartel em postos de combustível

Com todas essas questões, mesmo quando o preço baixa nas refinarias, muitas vezes a redução não é sentida de forma imediata pelo consumidor final. “O que costumamos dizer é que o preço sobe de elevador, mas desce de escada. Quando há uma queda na refinaria, a redução demora um pouco mais para acontecer nos postos”, explica De Vitto.

As soluções para o problema, entretanto, não são simples. No caso da concentração de mercado, por exemplo, o entrave é o alto valor dos investimentos para que uma empresa possa entrar no setor. “É uma aposta muito alta, porque o lucro não é certo. Obter ganhos no curto prazo é pouco provável”, diz Suriane. Além disso, ele afirma que o fato dos preços, no Brasil, serem controlados pelo governo complica ainda mais o cenário. “Essa configuração torna o mercado menos atrativo para as empresas que desejam investir”, afirma o economista.

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Política

PUBLICIDADE