Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Enkontra.com
PUBLICIDADE

combustíveis

Preço da gasolina vira arma eleitoral do PT. Prejuízo da Petrobras, não

Gleisi Hoffmann critica disparada dos combustíveis no governo Temer, mas omite perdas bilionárias e explosão do endividamento da empresa causadas pelo controle de preços nas gestões petistas

  • Fernando Jasper
 | Daniel Castellano/Arquivo Gazeta do Povo
Daniel Castellano/Arquivo Gazeta do Povo
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

A gasolina vendida pelas refinarias da Petrobras ficará 1,4% mais barata nesta quinta-feira (4), mas o refresco será ínfimo perto do aumento acumulado nos últimos seis meses. Desde que implantou sua nova política de preços, em 4 de julho de 2017, a estatal promoveu nada menos que 121 alterações – duas a cada três dias, em média, e a maioria para cima. Nesse período, a gasolina acumulou alta de 29,5%. E o diesel, de 27%.

Os reajustes quase diários seguem de perto a variação dos preços do petróleo no mercado internacional, que subiram pouco mais de 30% nos mesmos seis meses. Nos contratos futuros do óleo tipo brent, negociados na Bolsa de Londres, a cotação estava pouco abaixo de US$ 50 no início de julho de 2017 e nos últimos dias oscilou acima de US$ 66.

HAJA REAJUSTE:  Veja a variação dos preços da gasolina e do diesel

Ainda que acompanhe o que acontece lá fora, a disparada dos preços da gasolina no Brasil deve virar munição para a oposição durante a campanha eleitoral, para atacar o eventual candidato governista e demais concorrentes alinhados à política econômica de Michel Temer. De certa forma, a guerra já começou.

Dias atrás, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, compartilhou no Facebook uma imagem que compara os preços da gasolina em 2014 – durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff – e 2017. De acordo com a publicação, em 2014, com o petróleo a US$ 110 por barril, a gasolina era vendida a R$ 3,50 por litro; no fim do ano passado, com o barril a US$ 60, preço do combustível na bomba chegava a R$ 4,90.

“Temer continua subindo o preço da gasolina e prejudicando você”, escreveu a senadora. O post não diz onde o litro da gasolina beira os R$ 5, mas a provável referência são postos da Zona Sul do Rio de Janeiro, mencionados num texto publicado pelo site do PT.

O mesmo texto observa que o atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, foi ministro do tucano Fernando Henrique Cardoso. Entre os presidenciáveis que apoiam a agenda econômica de Temer, de orientação liberal, o mais bem posicionado é justamente um filiado ao PSDB, o governador paulista Geraldo Alckmin.

Prejuízos em série

O que nem o post de Gleisi Hoffmann nem o texto do PT mencionam é o outro lado da moeda: o acúmulo de prejuízos e a explosão do endividamento da Petrobras durante o governo de Dilma Rousseff, que usou a estatal como instrumento de controle da inflação.

GRÁFICO:  Preços sob controle, prejuízo descontrolado

Ao segurar os preços da gasolina e do diesel numa época em que o barril custava mais de US$ 100 no mercado internacional, a Petrobras perdia dinheiro. Vendia combustível abaixo do custo de importação dos derivados necessários para complementar a produção das refinarias brasileiras, que não supre toda a demanda doméstica.

Os balanços da estatal revelam o resultado dessa política. No primeiro mandato de Dilma, período de controle mais ferrenho dos preços, a área de Abastecimento da Petrobras registrou perdas de R$ 90,5 bilhões.

Parte desse resultado se deve a baixas realizadas em 2014, referentes a “gastos adicionais capitalizados indevidamente” – pagamentos ilícitos descobertos pela Operação Lava Jato – e à construção de refinarias no Maranhão e no Ceará, que foram canceladas. Mesmo excluindo esse impacto das contas, os prejuízos do Abastecimento foram gigantescos: de 2011 a 2013, eles somaram R$ 50,6 bilhões.

As perdas com o controle de preços superam o montante que – segundo a maioria das estimativas – a Petrobras perdeu no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato.

A própria companhia deu baixa de R$ 6,2 bilhões no balanço de 2014 por causa dos subornos descobertos durante a investigação. O Ministério Público Federal, por sua vez, estima que a corrupção teria levado cerca de R$ 20 bilhões da estatal. Um laudo de 2015 da Polícia Federal calculou um prejuízo de R$ 43 bilhões. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda, por fim, estimou em 2015 que as movimentações financeiras “suspeitas” chegaram a R$ 52 bilhões.

Explosão da dívida

Diversos estudos buscaram estimar não só o que a Petrobras perdeu com a prática de preços artificiais, mas também o quanto deixou de ganhar. Um deles, elaborado pelo Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEE/UFRJ), calculou que o represamento dos preços de 2011 a 2013 representou um custo de oportunidade de R$ 104 bilhões.

O trabalho elencou a defasagem como um dos principais responsáveis pela explosão da dívida da estatal. Os planos de investimento da companhia – de dezenas de bilhões de reais por ano – se baseavam em cenários de “preços de mercado”. Como, por ordem do governo, tais preços não eram efetivamente aplicados, a empresa tinha de pegar mais empréstimos do que planejava.

LEIA TAMBÉM: Petrobras pagará quase R$ 10 bilhões para encerrar ação por corrupção nos EUA

Com isso, o endividamento líquido saltou de R$ 61 bilhões no fim de 2010 para R$ 282 bilhões em dezembro de 2014, e cresceu mais um bocado no ano seguinte, terminando 2015 em R$ 392 bilhões – o equivalente a mais de cinco anos de geração de caixa da companhia, mais que o dobro do que ela própria considerava adequado.

Com a venda de vários ativos – entre eles, campos do pré-sal – e o alinhamento dos preços domésticos à realidade externa, a nova gestão conseguiu reduzir o endividamento. No balanço mais recente, de setembro de 2017, o valor devido era de R$ 279 bilhões, ou 3,2 vezes a geração de caixa.

O balanço da Petrobras voltou ao azul em 2017, mas com ganhos relativamente tímidos. De janeiro a setembro, a companhia registrou lucro acumulado de R$ 5 bilhões.

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Política

PUBLICIDADE