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Noites mal dormidas alteram metabolismo e causam doenças

O sono pode ser de má qualidade tanto pela insuficiência de horas quanto pela fragmentação

  • Mariana Scoz
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Diabete tipo 2, obesidade, problemas cardiovasculares. Essas doenças reunidas nem sempre são efeitos da má alimentação. Dormir mal também é capaz de causar mudanças no metabolismo e deixar o organismo predisposto a uma série de distúrbios. Por isso, cuidar da saúde do sono também ajuda a prevenir doenças.

Um estudo da Universidade de Washington mostra que períodos maiores de sono podem diminuir a influência dos genes no ganho de peso, deixando esse resultado para fatores externos, como dieta e exercícios. Mas a mudança no metabolismo também traz outras doenças. “O aumento de peso já era algo que aparecia frequentemente na literatura. Outras consequências são a predisposição a doenças como diabete tipo 2 e problemas cardíacos”, explica o professor do Departamento de Fisiologia da UFPR Fernando Mazzilli Louzada.

Outra pesquisa, desta vez do Hospital Brigham and Women, afiliado à Universidade de Harvard, prova a existência dessa relação entre a quantidade e a qualidade de sono com os riscos de desenvolvimento de diabete e obesidade. Os 21 participantes tiveram a rotina de sono prolongado interrompida e, com a alteração do relógio biológico, o ritmo metabólico delas caiu durante o repouso, o que desencadeou um aumento de até 4,5 quilos por ano.

O sono pode ser de má qualidade tanto pela insuficiência de horas quanto pela fragmentação e possui dois fatores causadores: distúrbios de sono ou compromissos sociais que modificam o ritmo biológico. Em curto prazo, os efeitos são bem conhecidos. Entre eles está a sonolência excessiva, que leva pessoas a dormirem facilmente, e a baixa produtividade, que interfere no trabalho e nos estudos. Mudanças de humor e irritabilidade também são frequentes em pessoas com privação de sono.

“Entre as doenças relacionadas, as insônias são muito frequentes, assim como ronco e a apneia, bastante prevalentes na população”, explica a especialista em medicina do sono e professora da Universidade de Campinas (Unicamp), Tânia Aparecida Marchiori de Oliveiras Cardoso.

Ritmos biológicos

Quem trabalha à noite ou sofre muito com os chamados jet lags – mudanças de fuso horário – também apresenta sintomas. “A espécie humana foi ‘construída’ para ser diurna, toda vez que a gente muda isso gera privação de sono e desorganização dos ritmos biológicos”, diz Louzada. O professor da UFPR também destaca que essa dessincronização biológica aumenta a predisposição de certos tipos de tumores, como o câncer de mama.

No caso dos jets lags, as consequências são parecidas. “Essa mudança imposta é contrária ao que já é um costume. Existe uma fase de ajuste, mas tem um preço e, ao longo desses dias, o indivíduo vai ter sintomas, como dificuldade de se manter acordado, de dormir, cansaço, náuseas, falta de apetite”, explica Tânia.

Para conseguir dormir melhor, médicos indicam seguir a higiene do sono, mas novas pesquisas ajundam a desenvolver novos fármacos. “Os remédios mais novos não têm tantos efeitos colaterais em longo prazo, enquanto que o uso crônico dos antigos pode causar problemas de memória”, diz Ester London, chefe do serviço de neurologia do Hospital Vita Batel.

Louzada acredita que a solução não está na administração de medicamentos. “É preciso fazer uma reflexão sobre a organização social, para, quem sabe, modificar horários escolares e a suposta necessidade de serviços 24 horas”, diz. Ele afirma que existem sistemas de turno que trazem menos prejuízos à saúde. “Não existe fórmula mágica, todo mundo precisa dormir, e isso deixou de ser uma prioridade.”

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