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Endometriose

Sentir cólicas fortes não é normal

Dores menstruais, que impedem a mulher de manter as atividades do dia a dia, podem ser sinais de endometriose. Doença pode aparecer na adolescência

As dores no período menstrual foram vistas sempre com preconceito ao longo da vida da empresária Luana Saraiva, hoje com 30 anos. “Cansei que ouvir de professoras que elas também sentiam cólica todo mês, mas nem por isso faltavam ao trabalho como eu deixava de ir à aula”. O que elas não entendiam é que o que Luana sente desde a adolescência era mais complexo e grave. Desde a primeira menstruação, aos 9 anos, passava mal, desmaiava, tinha fluxo intenso, dores fortes, inclusive ao evacuar e urinar. “Aos 14 anos a situa­ção estava insustentável, já tinha procurado vários médicos, mas só anos mais tarde descobri que tinha endometriose.”Luana é uma das 6 milhões de brasileiras (10% a 15% das mulheres em idade fértil) que, segundo a Associação Brasileira de En­­do­metriose (SBE), sofrem da doença que atinge a cavidade fora do útero. Uma das explicações para a causa do problema é que ocorreria, por meio das trompas, um refluxo do endométrio (tecido liberado por meio da menstruação), causando a implantação anormal desse tecido em outras regiões, como trompas, ovários, bexiga, intestino e pelve.

Em adolescentes, as dores incapacitantes associadas a outros sintomas como os de Luana, devem ser um dos primeiros sinais de alerta para pais e os próprios médicos, afirma o ginecologista do Hospital Sírio Libanês, João Dias, membro da SBE. “É comum a queixa de cólicas menstruais, que melhoram e desaparecem com analgésicos. Nas portadoras de endometriose as dores são intensas, não passam com medicamentos, causando incapacidade funcional, como falta à escola ou ao trabalho”, afirma.

A doença pode progredir lentamente até a idade adulta, quando o comprometimento dos órgãos pélvicos poderá ser acentuado. Pesquisas internacionais, segundo o ginecologista Simões Abrão, que dirige o setor de Endometriose do Hospital das Clínicas da Univer­sidade de São Paulo e presidente da SBE, indicam que 70% das adolescentes com cólicas incapacitantes que não melhoram com analgésicos e anti-inflamatórios po­dem ter a doença. “No Brasil fica em torno de 50%.”

Com base nesses números, a SBE mantém uma campanha permanente para que pais, pacientes e médicos fiquem atentos aos sintomas. Estudo brasileiro apresentado no Congresso Mundial de En­do­metriose, em 2008, mostrou que o período entre o início dos sintomas, o diagnóstico da doença e o tratamento é de oito anos. Quando a queixa de dor começa na adolescência, esse intervalo aumenta para 12 anos. “Nesse período, é possível o surgimento de problemas intestinais e infecções urinárias, levando à piora da qualidade de vida”, afirma Abrão.

Por isso, aumentar o conhecimento das mulheres é muito importante. “Em muitos casos, o diagnóstico tardio pode causar infertilidade. Isso acontece quando há acometimento das trompas, órgão que conduz o óvulo ao útero, além se associar a alterações hormonais e imunológicas que dificultam a gestação.

PREVENÇÃO

Tratamento depende de abordagem correta A melhor prevenção é a mulher ficar atenta à dor, seja durante a menstruação ou nas relações sexuais, e procurar um médico ginecologista. O diagnóstico é clínico, considerando os sintomas, e complementado por exames por imagem, como ultrassom transvaginal e ressonância magnética. Segundo Abraão, no Brasil foram desenvolvidos métodos mais eficientes de usar o ultrassom, preparando a paciente com o uso de laxantes, para se diagnosticar formas mais agressivas da doença.

Endometriose não tem cura, mas pode ser tratada cirurgicamente, por meio de videolaparoscopia ou com medicações que bloqueiam a produção dos hormônios femininos.

Apesar de ser uma das doenças mais estudadas na atualidade, o que acontece é um número repetitivo de cirurgias. Mas, para o especialista, isso acontece porque a abordagem do tratamento, em muitos casos, não é a mais correta. “Tenho observado que as ações relacionadas à doença melhoraram muito nos últimos cinco anos.”

A jornalista participou de coletiva sobre o assunto a convite da indústria farmacêutica AstraZeneca.

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