
Elencar as causas do abandono no ensino superior não é uma tarefa tão simples quanto se imagina. São várias e podem ter maior ou menor peso se a instituição for pública ou privada. Quando o foco é universidade pública, a escolha equivocada da graduação é apontada como o principal fator pela professora Maria Amélia Sabbag Zainko, pró-reitora de graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
"Os jovens são chamados a fazer uma escolha, que é para a vida toda, muito precocemente. Cerca de 60% dos nossos calouros estão na faixa entre 16 e 20 anos. Boa parte dos estudantes pensa num curso e depois vê que não é bem aquilo que imaginava", explica. Na opinião dela, esse problema poderia ser minimizado se houvesse "uma conversa maior entre os diferentes níveis de ensino", o que teria impacto sobre a formação do estudante e em sua orientação vocacional.
Simone Acosta, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), também aponta a imaturidade e a precocidade com que os jovens têm de fazer a escolha como uma das principais causas da evasão. Mesmo se tratando de uma instituição pública, ela ressalta que a questão financeira tem um peso importante sobre a evasão na UTFPR. Para tentar suprir essa carência a instituição oferece alguns tipos de incentivo. O principal deles é a bolsa permanência, que no último semestre de 2010 beneficiou 1.424 estudantes da instituição e que teve seu valor reajustado esse ano, passando de R$ 150 para R$ 350 (a seleção será feita em março). A UFPR e a UTFPR mantêm projetos que procuram identificar as causas de evasão.
O reitor da Unioeste, Alcibíades Luiz Orlando, defende a necessidade de as universidades terem programas comuns de combate à evasão. Um dos focos deveria ser a formação dos professores, para que o aluno chegue à universidade com uma base mais forte. "A universidade tem que participar desse processo. Não pode simplesmente culpar o ensino médio, já que é ela quem forma os professores que atuam nas escolas."
Da mesma forma, deveria haver iniciativas para ajudar os estudantes com dificuldades financeiras, como bolsas de monitoria. Esse tipo de ação ajudaria os alunos com bom desempenho e também os que têm uma base fraca, pois ambos teriam um reforço na formação universitária.



