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Celso Nascimento

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O que oferecem os candidatos além de promessas repetidas? O Paraná não merece isso

 | Ilustração: Robson Vilalba/Thapcom
Ilustração: Robson Vilalba/Thapcom
 
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Os paranaenses estão sendo chamados desde já a tomar decisão sobre em quem votarão para governador em 2018. Pesquisas chegam a toda hora para perguntar a opinião dos eleitores sobre este ou aquele candidato.

É preciso inverter essa lógica, que só interessa aos candidatos que querem medir o pulso, a temperatura e a pressão da população para que possam ajustar seus discursos ao gosto daqueles que vão votar.

Como todas as pesquisas repetem os mesmos resultados, isto é, que o povo está interessado em ver melhoras na saúde, na educação e na segurança, os candidatos se fixam nestes temas. E saem por aí falando platitudes sobre saúde, educação e segurança.

Quem pode ser contra ter melhor educação, saúde e segurança?

A cantilena sobre o óbvio só é superada por outros discursos tão vazios como aqueles que insistem em dizer que vão fazer uma administração inovadora, moderna, mas são incapazes de definir exatamente o que seja isto - mas na prática, enquanto tiveram cargo e caneta para “inovar” e “modernizar”, passaram o tempo fazendo mais do mesmo. Isto é, distribuindo agrados de varejo para prefeitos municipais que pretendem conquistar como cabos eleitorais para a próxima eleição. Pequeníssimas obras, como canchas esportivas portáteis, algumas quadras de asfalto, meia dúzia de casas populares, uma reforma de escola aqui e ali, intermináveis visitas “às bases”... Sobra também tempo para atender demandas de deputados - igualmente interessados apenas na reeleição - para atender seus currais e assim manter a boa vontade babona deles.

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Não. Isto é tudo velho, cansativo, que não leva o Paraná a lugar algum, que, é verdade, ajuda a melhorar a vida de uns poucos, mas que não mexe com a vida do conjunto da sociedade e não lhe oferece perspectivas que permitam ultrapassar distâncias muito além do meio-fio novo inaugurado com pompa e circunstância pelos catadores de votos.

Não haveria necessidades maiores? Ideias transformadoras da realidade? Projetos cujos efeitos sejam menos imediatistas e mirem para o futuro desta e das próprias gerações?

Assim se comportam-se os candidatos que vendem simpatia e juventude a preço barato e nos pedem votos simplesmente para alimentar suas carreiras políticas pessoais sem nada de plausível a oferecer em troca.

As potencialidades do Paraná não se esgotam apenas na pujança da sua agricultura, na sua capacidade de alcançar índices de produtividade invejáveis, mas que perdem valor e competitividade na medida em que o escoamento, além de precário, é escasso. Se não temos programas efetivos e eficazes para agregar valor à produção pela via do processamento e da industrialização da nossa fantástica produção agrícola, algo precisa ser feito com urgência. O que propõem de concreto os nossos candidatos além do palavrório?

Até quando o Paraná, salvo alguns bolsões industriais que passaram a se tornar razoavelmente viáveis já há mais de duas décadas, continuará sendo um estado voltado para a produção primária?

O mundo mudou. Até mesmo as nossas festejadas montadoras de automóveis, responsáveis pelo tom de “modernidade” que o Paraná alcançou, hoje já se tornaram símbolos da economia capitalista do passado que, entre outras coisas, transformou Detroit - a capital mundial da indústria de carros - em cidade fantasma e reduto da pobreza norte-americana.

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O mundo, repetimos, é outro. Mas em que patamar ainda se situa o Paraná neste novo mundo? E o que os candidatos que se nos apresentam oferecem se não o mais do mesmo? Ou que nos coloque não à altura do Vale do Silício ou nos garanta o mesmo dinamismo da economia chinesa, mas pelo menos em modos, maneiras e contornos em que, apesar da crise – sempre a crise! – apontem para novos rumos?

Falta aos nossos candidatos aquilo que se chama de “visão estratégica” - um atributo que diferencia bem o governante do estadista.

Não se trata de querer que os candidatos venham nos vender sonhos irrealizáveis, mas que não fiquem no discurso de obviedades, como a necessidade de construir hospitais, aumentar a vaga de creches, combater a superlotação dos presídios, prender e desarticular os bandidos... Não seria melhor propor e efetivamente realizar programas de preparação profissional voltados para uma nova era?

Por que, por exemplo, poucos falam em reforma administrativa? Não dá voto, é certo. Mas sabe-se que o Paraná não sairá do lugar nem terá condições de abrir novas fronteiras enquanto se vir enredado por uma máquina caríssima de 33 secretarias de estado que se superpõem e pouco fazem porque as verbas com que contam mal dá apenas para sua própria manutenção?

Discutir a reforma, enxugar o estado dos excessos, dinamizar a gestão, torná-la mais técnica e profissional, propor e viabilizar projetos transformadores e modernizantes – este será um bom caminho para que não sejamos obrigados a ver e ouvir os mesmos discursos carregados de demagogia e populismo que, por irresponsáveis, inócuos e gastadores, mantêm o Paraná como ele já era há quase 20 anos.

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