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Filosofia política

Fidelidade a toda prova

Levantamento com base em 92 votações em 2011 na Câmara Federal mostra que os partidos aliados acompanharam o PT, legenda da presidente Dilma, em 90% dos projetos

Plenário da Câmara dos Deputados: comportamento dos partidos deixa todos na mesma vala. |
Plenário da Câmara dos Deputados: comportamento dos partidos deixa todos na mesma vala.
 
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Um estudo realizado pelo Grupo de Estudos de Software Livre da Poli/USP (PoliGNU) analisou a semelhança dos partidos políticos com base em 92 votações de projetos em 2011 na Câmara dos Deputados. Os dados indicam que as legendas aliadas apoiaram o PT, partido da presidente Dilma Rousseff, em 90% das propostas, independentemente da ideologia política, enquanto a oposição mantém semelhança próxima a 30%. No caso do PT, base do governo, a maior proximidade foi com o PCdoB, com 97%, e a menor com o PSol (19%). Com o PSDB, principal legenda da oposição, a igualdade ficou em 25% (veja infográfico nesta página).

Mais do que comparar posições de partidos e parlamentares, o objetivo do estudo, realizado por meio dos dados abertos (um formato que permite o uso de ferramentas digitais para realizar análises), é dar ao cidadão subsídios para votar. “Há pouca informação para o eleitor. A tecnologia pode suprir essa lacuna e permitir à sociedade criar suas próprias visões dos fatos”, explica Leonardo Alexandre Ferreira Leite, estudante de pós-graduação da USP, autor do estudo e membro do PoliGNU.

A comparação do PT, historicamente ligado à esquerda, com o PP e o PR, que defendem plataformas de direita, ultrapassa os 90% de semelhança. Para o cientista político Antônio Octávio Cintra, a igualdade se deve às comodidades oferecidas pelo governo. “Estar com o governo significa ter acesso a uma porção de facilidades, de empregos à liberação de emendas”, diz. “De fato, os partidos entram no jogo, especialmente para ter acesso à verba e aos cargos”, afirma Alberto Carlos Almeida, cientista político do Instituto Análise e autor do livro A Cabeça do Brasileiro. Aliás, os partidos aliados não descartam a hipótese de usar estatísticas desse tipo na barganha por cargos.

Recentemente, uma análise feita pela consultoria Arko Advice, especializada em estudos sobre o comportamento dos parlamentares, também apontou o PCdoB e o PSB como os maiores aliados do governo em 2011. Nesse estudo, a maior curiosidade ficou por conta do PSD: 94% dos deputados que participaram de votações em novembro e dezembro – o partido surgiu em outubro – apoiaram o governo Dilma. “Ficou claro que não se trata de ideologia, mas de estar a favor ou contra o governo”, diz Cintra.

Contudo, nem sempre posições idênticas à base contrariam a ideologia dos partidos. “Em alguns casos, pode haver acordo até porque o PT mudou após vencer a primeira eleição presidencial”, avalia. “O PT estatizou alguma área? Propôs acabar com a propriedade privada? Essa seria uma plataforma nacionalista da esquerda clássica, que foi abandonada há muito tempo”, acrescenta. Essa seria a explicação para as divergências de posicionamento entre PSol e PT, conforme Almeida. “[PSol] é um partido pequeno, tipicamente antissistema”, diz.

Peso

Apesar da mudança de posicionamento de legendas, Almeida afirma que, para a maior parte dos eleitores, a ideologia não é o critério mais importante na hora de votar. “O partido com uma marca clara é o PT. Eles mobilizam tanto para quem defende a legenda, quanto para a rejeição. Os demais não conseguem isso, pois o nível de identificação é muito pequeno”, afirma.

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