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investigação

Fiscais da Receita, empresários e policial são presos em nova operação em Londrina

Gaeco cumpriu 21 mandados de prisão. Investigação é um desdobramento do escândalo de corrupção na Receita Estadual

Movimentação na sede do Gaeco em Curitiba foi grande durante a sexta-feira, enquanto a maioria das prisões ocorria em Londrina. | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Movimentação na sede do Gaeco em Curitiba foi grande durante a sexta-feira, enquanto a maioria das prisões ocorria em Londrina. (Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu nesta sexta-feira (20) 14 mandados de prisão preventiva, sete mandados de prisão temporária, 30 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de condução coercitiva. Entre os detidos estão fiscais da Receita Estadual, um policial civil, um contador e empresários considerados pelo Ministério Público (MP) como “testas de ferro”.

A Operação Publicano é um desdobramento do escândalo de corrupção na Receita Estadual em Londrina. O nome é uma referência aos cobradores de impostos judeus a serviço do Império Romano. Nos textos bíblicos, os cobradores são citados como “o pior tipo de gente”.

O promotor Cláudio Esteves classificou a operação como uma das mais ousadas realizadas pelo Gaeco. Sem detalhar o caso, ele contou que um dos investigados tentou corromper um agente policial do MP. “Essa pessoa queria pagar para o agente avisar a quadrilha quando tivesse alguma operação do Gaeco.”

De acordo com o promotor, até a manhã desta sexta não era possível mensurar o valor desviado pela quadrilha. “Nós temos a ideia que haja uma sonegação sistemática de determinadas pessoas, protegidas por agentes públicos ligados à Receita Estadual.” Cláudio Esteves disse que as investigações da Operação Publicano começaram há cerca nove meses.

Um dos objetos da investigação é a corrupção de policiais para liberar o transporte de alguns produtos com problemas fiscais na região de Londrina, segundo o promotor.

Esteves pontuou ainda que a operação da sexta tem diversos segmentos, mas que não, necessariamente, têm ligação com outras ações recentes do Gaeco. “As operações Voldemort e Publicano são originadas em uma mesma situação, mas tratam de casos distintos, embora haja alguma correlação.”

Na Operação Voldemort, na segunda-feira (16), Luiz Abi Antoun, parente do governador Beto Richa, foi preso pelo Gaeco. Abi é suspeito de ter participado de um esquema de fraude em uma licitação do governo.

Prisões

O policial civil André Santelli foi preso em Ibiporã, na Região Metropolitana de Londrina, enquanto trabalhava na delegacia local. Segundo o Gaeco, ele seria ex-funcionário da Receita Estadual e teria um irmão que trabalha no órgão.

A auditora da Receita Rosângela Semprebom foi detida em sua residência. Ela é irmã Luiz Antônio de Souza, auditor fiscal preso em janeiro. Outro auditor, Marco Antônio Bueno, também foi preso.

O Gaeco cumpriu ainda mandado de prisão do ex-delegado da Receita Dalton Lázaro Soares. Stefan Ruthschilling, proprietário de uma distribuidora de combustível da região, também está entre os presos. Entre os mandados de prisão cumpridos, três eram destinados a suspeitos presos anteriormente pelo Gaeco: o auditor Luiz Antônio de Souza, o delegado da Receita José Luiz Favoretto Pereira e o empresário Paulo Roberto Midauar.

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