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Movimentação na sede do Gaeco em Curitiba foi grande durante a sexta-feira, enquanto a maioria das prisões ocorria em Londrina. | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Movimentação na sede do Gaeco em Curitiba foi grande durante a sexta-feira, enquanto a maioria das prisões ocorria em Londrina.| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

30 mandados

de busca e apreensão e 15 mandados de condução coercitiva foram cumpridos.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu nesta sexta-feira (20) 14 mandados de prisão preventiva, sete mandados de prisão temporária, 30 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de condução coercitiva. Entre os detidos estão fiscais da Receita Estadual, um policial civil, um contador e empresários considerados pelo Ministério Público (MP) como “testas de ferro”.

Parceiro de corrida de Richa seria o cabeça de fiscais presos

O ex-inspetor-geral de Fiscalização da Receita Estadual Márcio de Albuquerque Lima é suspeito de ser o cabeça do grupo de fiscais do órgão presos nesta sexta-feira (20) em Londrina, segundo o telejornal Paraná TV 2.ª Edição, da RPC TV.

Lima foi companheiro no automobilismo do governador Beto Richa (PSDB). Em dezembro, eles correram pela mesma equipe na prova das 500 milhas da cidade.

Lima, considerado foragido segundo o Paraná TV, foi chefe da Receita em Londrina e, depois, alçado à Inspetoria Geral de Fiscalização.

Em uma das situações investigadas, Lima teria negociado com um empresário que tinha uma dívida com a Receita, orientando-o a procurar o auditor Luiz Antônio de Souza para executar o acerto. O débito teria sido então quitado e os auditores, beneficiados com propina.

Ainda não se sabe como era feita a divisão dos valores recebidos indevidamente. Souza está preso desde janeiro, quando foi flagrado num motel com uma adolescente.

Lima foi exonerado da Inspetoria Geral em 2 de março, três dias antes de o Gaeco bater na porta do seu gabinete, em Curitiba. A decisão, porém, só foi publicada no Diário Oficial em 6 de março.

Em pelo menos dois casos, os empresários teriam pago R$ 200 mil para “quitar” dívidas milionárias com a Receita Estadual. Nem todos os funcionários da Receita investigados por envolvimento no esquema de corrupção estão diretamente relacionados aos casos de exploração sexual de adolescentes investigados. (FS)

A Operação Publicano é um desdobramento do escândalo de corrupção na Receita Estadual em Londrina. O nome é uma referência aos cobradores de impostos judeus a serviço do Império Romano. Nos textos bíblicos, os cobradores são citados como “o pior tipo de gente”.

O promotor Cláudio Esteves classificou a operação como uma das mais ousadas realizadas pelo Gaeco. Sem detalhar o caso, ele contou que um dos investigados tentou corromper um agente policial do MP. “Essa pessoa queria pagar para o agente avisar a quadrilha quando tivesse alguma operação do Gaeco.”

De acordo com o promotor, até a manhã desta sexta não era possível mensurar o valor desviado pela quadrilha. “Nós temos a ideia que haja uma sonegação sistemática de determinadas pessoas, protegidas por agentes públicos ligados à Receita Estadual.” Cláudio Esteves disse que as investigações da Operação Publicano começaram há cerca nove meses.

Um dos objetos da investigação é a corrupção de policiais para liberar o transporte de alguns produtos com problemas fiscais na região de Londrina, segundo o promotor.

Esteves pontuou ainda que a operação da sexta tem diversos segmentos, mas que não, necessariamente, têm ligação com outras ações recentes do Gaeco. “As operações Voldemort e Publicano são originadas em uma mesma situação, mas tratam de casos distintos, embora haja alguma correlação.”

Na Operação Voldemort, na segunda-feira (16), Luiz Abi Antoun, parente do governador Beto Richa, foi preso pelo Gaeco. Abi é suspeito de ter participado de um esquema de fraude em uma licitação do governo.

Prisões

O policial civil André Santelli foi preso em Ibiporã, na Região Metropolitana de Londrina, enquanto trabalhava na delegacia local. Segundo o Gaeco, ele seria ex-funcionário da Receita Estadual e teria um irmão que trabalha no órgão.

A auditora da Receita Rosângela Semprebom foi detida em sua residência. Ela é irmã Luiz Antônio de Souza, auditor fiscal preso em janeiro. Outro auditor, Marco Antônio Bueno, também foi preso.

O Gaeco cumpriu ainda mandado de prisão do ex-delegado da Receita Dalton Lázaro Soares. Stefan Ruthschilling, proprietário de uma distribuidora de combustível da região, também está entre os presos. Entre os mandados de prisão cumpridos, três eram destinados a suspeitos presos anteriormente pelo Gaeco: o auditor Luiz Antônio de Souza, o delegado da Receita José Luiz Favoretto Pereira e o empresário Paulo Roberto Midauar.

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