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Ligações suspeitas

Grupo de Cachoeira queria recriar loteria do PR

Em e-mails interceptados pela PF, empresário ligado ao bicheiro fala sobre um suposto encontro com Beto Richa para tratar da volta do serviço de jogos estadual

  • André Gonçalves, correspondente
Serviço de Loterias do Estado do Paraná (Serlopar) foi extinto em 2007, durante o governo do hoje senador Roberto Requião (PMDB) |
Serviço de Loterias do Estado do Paraná (Serlopar) foi extinto em 2007, durante o governo do hoje senador Roberto Requião (PMDB)
 
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Interceptações de e-mails feitas pela Polícia Federal durante a operação Monte Carlo revelam que dois parceiros do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, planejavam, em 2010, o restabelecimento de uma loteria estadual no Paraná. Um dos envolvidos na conversa é o argentino Roberto Coppola, sócio da empresa Larami, que controlou o serviço de loterias on-line do Paraná entre 2002 e 2004. Em correspondência com o ex-cunhado de Cachoeira, Adriano Aprigio de Souza, no dia 5 de outubro de 2010, ele escreve sobre um suposto encontro para tratar do assunto com o então governador eleito Beto Richa (PSDB).

INFOGRÁFICO: Veja o documento que mostra os donos do Serlopar

O diálogo começa com uma mensagem de Souza para Coppola falando sobre a situação das eleições para o governo do Mato Grosso e Santa Catarina. Ele termina a mensagem de apenas quatro frases com uma pergunta: “Paraná aquele encontro foi bom com o governador eleito?”

Com uma mistura de palavras em português e espanhol, Coppola relata na resposta as intenções sobre a criação das novas loterias nos três estados. “Agora vamos implantar a loteria no Mato Grosso”, redige o argentino. Ele também descreve que em Santa Catarina foi “bom com Colombo [Raimundo Colombo, então governador eleito pelo DEM e hoje no PSD] porque o presidente da loteria era o chefe da campanha do Colombo”.

Sobre o Paraná, Coppola diz que “falou com Beto Richa”. O problema, segundo ele, seria que o ex-governador Roberto Requião (PMDB) “fechou a loteria” – o Serlopar está extinto desde 2007 – e que o processo iria demorar porque seria necessário “fazer uma nova lei”. Ele termina a mensagem dizendo a Souza para não se esquecer da “papelada da Larami”.

A Larami Diversões e Entretenimento Ltda. é uma empresa criada em maio de 2001, com sede em Curitiba e que continua ativa, de acordo com registros da Junta Comercial do Paraná. Ela tem dois sócios: Coppola e a empresa Brazilian Gaming Partners (BPG), vinculada a Cachoeira. O bicheiro, preso no mês passado pela Polícia Federal, aparece nominalmente como “administrador” da Larami.

A empresa é mencionada em outras interceptações de e-mails de Souza que constam do inquérito da operação Monte Carlo, que tramita em segredo de Justiça. Também aparecem citações aos supostos interesses do bicheiro no Paraná em uma interceptação telefônica entre outros dois parceiros do grupo, Idalberto Matias Araújo, o Dadá, e Lenine Souza. Na gravação, Lenine diz a Dadá no dia 17 de março de 2011 que está indo a Curitiba para “encontrar o argentino”. Na conversa, Lenine diz que é necessário “ver o negócio do processo do Paraná” porque tem “alguns andamentos lá”. Já Dadá responde que “num (sic) tem mais andamento, não”.

Empresa que operou Serlopar foi investigada

O empresário dos jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o empresário argentino Roberto Sérgio Coppola já foram investigados pe­­la Polícia Civil e pelo Ministério Público do Paraná devido a atuação da empresa Larami no estado. Cachoeira prestou depoimento ao Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) em julho de 2004.

Na época, o bicheiro tinha ganho notoriedade após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz – homem de confiança do então chefe da Casa Civil José Dirceu – aparecia pedindo propina a ele. O dinheiro seria para financiar campanhas do PT e do PSB em 2002. Em troca, Diniz prometia ajudar Cachoeira em uma concorrência pública. O escândalo acabou resultando na CPI dos Bingos, em 2005.

Aqui no Paraná, Ca­­­choeira foi acusado de envolvimento em supostas irregularidades na licitação que escolheu a Larami para controlar o Serviço de Loteria do Estado do Paraná (Serlopar) em 2001, durante o mandato do ex-governador Jaime Lerner. O delegado da Polícia Civil Sérgio Cirino, que colheu o depoimento de Cachoeira à época, disse que um dos indícios de fraude foi a inclusão de novos sócios na empresa (um deles era Carlinhos Cachoeira) às vésperas da licitação. Segundo ele, houve também um aumento abrupto do valor de capital da empresa dias antes da Larami entrar na concorrência contra outras 26 inscritas.

Capital

Em maio de 2001, quando a empresa foi criada pelo argentino Luis Carlos Ramirez e por Keila Gnutzman, o capital em contrato social da Larami era de R$ 5 mil. Menos de quatro meses depois, dias antes da licitação, Ramirez e Keila deixaram a direção da Larami. Quem assumiu foi Carlinhos Cachoeira, dono da empresa Brazilian Games Partner Empreendimentos, fabricante de software para jogos.

Cachoeira injetou R$ 300 mil no capital da empresa. O mesmo valor foi incorporado por Sérgio Coppola. O empresários argentino atua com jogos eletrônicos em vários países e era dono da empresa Eletrochance, fabricante de máquinas caça-níqueis que tinha uma sede no Paraná.

Com a alteração contratual, o capital da Larami saltou para R$ 600 mil, um aumento de 120 vezes no valor inicial registrado no contrato. Esta alteração serviu para adaptar a empresa ao edital de licitação do Serlopar, que exigia das empresas concorrentes um capital mínimo de R$ 500 mil. (SM e AG)

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