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Teori era discreto e crítico da ‘espetacularização’ da Justiça

Ministro do STF morto nesta quinta-feira estava no Supremo desde 2012. Não costumava falar em público. E, nas raras vezes em que fazia isso, em geral era para criticar o que considerava ser a transformação da Justiça e dos processos judiciais em “espetáculo midiático”

Teori (ao centro) na sessão de posse no STF: solenidade sem discursos. |
Teori (ao centro) na sessão de posse no STF: solenidade sem discursos.
 
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O ministro Teori Albino Zavascki, morto num acidente aéreo nesta quinta-feira (19), estava no Supremo Tribunal Federal (STF) desde novembro de 2012, quando foi indicado para a vaga pela então presidente Dilma Rousseff . Nascido em Faxinal dos Guedes (Santa Catarina), ele tinha 68 anos e era discreto. Não costumava dar entrevistas. Mostrou essa sua característica logo que a informação de que seria nomeado para o STF tornou-se pública: “Não confirmo nem desminto. Não é hora para declarações”, disse. A sessão solene em que ele assumiu o cargo no Supremo também foi discreta e não teve discursos. Teori também era contrário à transmissões das sessões do STF pela televisão.

Nos raros momentos em que se pronunciava fora dos autos, também costumava criticar a “espetacularização” da Justiça e dos processos judiciais. Em outubro do ano passado, por exemplo, durante sessão do STF, reclamou da entrevista coletiva da força-tarefa da Lava Jato do Paraná em que procuradores do Ministério Público Federal (MPF) acusaram o ex-presidente Lula de ser o “comandante máximo da propinocracia brasileira”. Teori classificou o episódio de “espetáculo midiático”.

Meses antes, em março, fez críticas veladas à divulgação, pelo juiz Sergio Moro, da escuta em que o ex-presidente Lula conversava com a então presidente Dilma Rousseff. Sem citar Moro nominalmente, disse que “papel do juiz é resolver conflitos, e não criar conflitos” .

Vida acadêmica e na magistratura

Embora tenha nascido em Santa Catarina, a carreira acadêmica e profissional de Teori começou no Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1971. Também tinha mestrado e o doutorado em Direito Processual Civil pela mesma instituição – onde foi professor. Ainda deu aulas na Universidade de Brasília.

Entre 1976 e 1989, foi advogado do Banco Central. Em 1979, chegou a ser aprovado para os cargos de juiz federal e consultor jurídico do Estado do Rio Grande do Sul. Mas não tomou posse em nenhum deles, preferindo ficar no Banco Centra

Ingressou no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) em 1989, cargo para o qual foi indicado para ocupar a vaga aberta do quinto constitucional destinada a advogados. Ficou no TRF4 até 2003 – quando foi indicado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Dali, só saiu para a vaga no STF aberta pela aposentadoria do ex-ministro Cezar Peluso.

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